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Comprar direto do produtor e dar preferência a alimentos da estação são caminhos pra você fugir do veneno e pagar mais barato. De quebra, ainda apoia a produção da agricultura familiar e da agroecologia, além de melhorar sua saúde

Adriana Charoux em Greenpeace – Há quem diga que alimentos agroecológicos e/ou orgânicos são artigos de luxo, coisa pra gente rica, totalmente inacessíveis para a maior parte da população. 

Não é exatamente verdade que comida sem agrotóxicos é muito mais cara. Se fosse para resumir em um tuíte, eu diria que o preço que você paga por um produto sem veneno, feito de forma mais justa para quem planta e para o meio ambiente, depende totalmente de ONDE e de QUEM você compra. 

Vem comigo. Vou tentar desconstruir alguns tabus em torno da ideia de que se alimentar de forma saudável, sem veneno e sustentável é caro demais. 

Ponto 1: Vai pra feira ou pede aquela cesta de agroecológicos direto na sua casa pra você ver menina!!!

Canal de comercialização é tudo! Quanto mais curta a distância entre quem produz e consome, mais barato você paga por alimentos livres de agrotóxicos e mais justos. 

Me diz na real. Você já comparou os preços de hortaliças e legumes vendidos nas feiras orgânicas com os do supermercado? Se não, faça o teste. Mesmo! Se você optar por comprar diretamente do produtor (seja em feiras, entrega de cestas agroecológicas em domicílio ou pontos de coleta de grupos que compram de forma antecipada para apoiar os agricultores), vai constatar que, muitas vezes, paga o mesmo preço ou até mais barato pelo produto fresquinho da roça do que aquele disponível na gôndola do supermercado, cheio de agrotóxicos.  

Nessas feiras ou em entregas em domicílio feitas diretamente pelo agricultor, o circuito de comercialização é bem mais curto, sem tantos intermediários que precisam ser remunerados ao longo do fluxo da produção ao consumo. A logística e transporte diminuem, o que corta muitos gastos com embalagem de plástico e emissão de gases de efeito estufa neste transporte. Além disso, essa forma de comercialização viabiliza pagamento justo pelo trabalho de quem está na roça, esteja ela no campo ou na cidade. A lógica é outra, minha amiga, bem diferente de espremer ao máximo a margem de lucro de quem bota esse alimento saudável na sua mesa, como acontece no agronegócio.

Falo isso por experiência própria, porque desde que virei ativista, venho trazendo outros alimentos, sabores e maneiras de consumir aqui pra minha casa. Mas também trago dados: uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) indica que em quase 100% dos casos é mais barato comprar orgânicos na feira do que no supermercado. As entregas feitas na casa das pessoas (cestas orgânicas ou agroecológicas) tiveram ofertas menos vantajosas em 32% dos casos. Importante dizer que a pesquisa do Idec comparou preços de orgânicos praticados em diferentes canais de venda (supermercados, feiras especializadas e entrega em domicílio pelo agricultor e seus parceiros). 

Há outras pesquisas, mais recentes, que indicam esta mesmíssima tendência. Por exemplo, a Rede Brasileira de Consumo Responsável fez duas comparações. 1) Preços de hortaliças e frutas orgânicas vendidas em três canais de venda (supermercados, feiras e via Grupos de Consumo Responsável – GCRs); e 2) Comparação entre orgânicos e convencionais. Em ambas, “a comparação das médias dos preços mostram que, no caso dos produtos sem veneno, os preços praticados nos GCRs são muito menores que nos supermercados, com produtos equivalentes, variando entre 16% no caso do ovo até 280% no caso da abobrinha italiana!! É, mana, 280%. Bizarro né?”.  

Isso significa que há, sim, alternativas para acessar alimentos de qualidade, saudáveis e sem veneno com preços melhores.

Ponto 2: Compre local e da época para economizar e ainda levar produtos mais frescos. 

Pode apostar. Se você for na feira ou comprar online direto do produtor vai ver que o que é da estação e está sendo produzido perto de onde você mora, vai pagar muito menos do que algo que você insiste em comer, mas que não tem o ano inteiro. Se no verão a gente usa saia e vestido e no inverno calça e casaco, porque não mudar o que comer conforme o que a natureza nos oferta?

Aquele tomatinho e alface que você está acostumada a comer em toda santa refeição não é fácil de produzir o ano todo. Quando não é época certa, dá-lhe uma cacetada de veneno. Aquela maçã lustrosa e perfeita pode ser tipo a da branca de neve, manja? 

Como nossa geração foi treinada para comprar nos supermercados, às vezes perdemos a noção de que os alimentos não são produzidos ilimitadamente e de forma padronizada, como a rotina alimentar que também te ensinaram na cidade. Pelo menos pra vc que tem o privilégio de comer o que quer, quando quiser. Lidar com privação e mudanças conforme o momento do ano e local onde estamos pode trazer experiências super saborosas e surpreendentes. 

Ah, mas eu não sei fazer isso, só restaurante bacanudo faz qualquer matinho parecer sobrenatural. Mana, abre o google que você pesca várias receitas moleza de fazer.  

Ponto 3: Comida cheia de veneno e altamente processada custam muito caro para nossa saúde e para nosso futuro. Mas esses custos não saem na notinha do supermercado né?!

Talvez você já saiba, mas é sempre bom lembrar que os agrotóxicos usados para produzir os alimentos que consumimos no Brasil tem comprovada relação com aumento da incidência de várias doenças, como câncer, Mal de Parkinson, disfunções reprodutivas para nós, mães, filhas, famílias, amigos, pessoas. E o veneno não está apenas no prato: um levantamento do Ministério da Saúde feito no ano de 2017 em 2600 municípios brasileiros confirmou a presença de agrotóxicos na água distribuída à população em 92% dos casos monitorados.  

E não para por aí. O mesmo agronegócio que faz chover veneno na nossa casa dorme de conchinha com a indústria de alimentos ultraprocessados – aqueles famosos produtos embalados lindamente, que imitam comida mas que são um amontoado de açúcar, sódio, veneno e otras cositas más. 

Aí você para e pensa: ‘Nossa, mas os caras matam a gente com agrotóxicos e ainda botam no supermercado comida que não presta?! Aí é covardia!’. Pois é, manas, o agro é pop, e o pop não poupa ninguém: a maior causa de mortes no mundo hoje são doenças ligadas à alimentação, como câncer, diabetes e problemas cardíacos. Todos os anos, essas complicações geram gastos à saúde pública que chegam a trilhões de dólares. 

Agora, adivinha quem paga pro agronegócio deixar esse rastro de destruição e doenças na nossa vida? Senta, mulher, que essa aqui é pra chorar mesmo: euzinha, você e todos os brasileiros e brasileiras – o agronegócio é altamente subsidiado com dinheiro público, seja por meio de investimentos, créditos ou isenções fiscais. 

Ou seja, os governos pegam a grana dos nossos impostos e es-co-lhem colocar bilhões de reais nas mãos desse já riquíssimo conglomerado de empresas. Enquanto isso, os agricultores e agricultoras familiares de base ecológica (que produzem saúde, protegem o meio ambiente e promovem a justiça social no país inteiro) não receberam sequer um auxílio emergencial desde que a pandemia chegou por aqui. Por isso é importantíssimo escolher a dedo os nossos governantes, pois são políticas desse tipo que vão influenciar diretamente o nosso acesso a alimentos saudáveis e sem veneno.

Se colocamos esses pontos todos na balança, começamos a nos aproximar do real custo dessa agricultura convencional, que não é tão barata e lucrativa quanto parece. E que, na real, produz muito mais commodity do que comida de verdade (dá uma olhada nesse vídeo que fizemos com a Alice Braga.

Então, depois de todos esses argumentos você topa o desafio de tentar comprar seu alimento de outra forma? Já fez o teste de receber uma cesta fresquinha de agroecológicos na porta da sua casa? Ache um produtor perto de você e nos conte a experiência!