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Ferramenta foi criada para o tubarão-zebra e pode ajudar a monitorar populações selvagens de uma das famílias de animais mais ameaçadas do planeta

Cientistas desenvolveram, pela primeira vez, um modelo capaz de estimar a idade de tubarões a partir de marcas químicas acumuladas no DNA ao longo da vida. O estudo foi publicado na revista Molecular Ecology por pesquisadores da Universidade da Georgia.

A ferramenta, batizada de relógio epigenético, foi criada para o tubarão-zebra (Stegostoma tigrinum) e pode, em breve, ser adaptada para outras espécies.

“Tubarões e raias são um grupo extremamente ameaçado”, afirma Samantha Bock, que conduziu a pesquisa. “Uma peça fundamental para entender como uma população selvagem está se saindo é conhecer sua distribuição de idade, mas não temos uma forma confiável de determinar isso para a maioria dos tubarões.”

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), 37% de todas as espécies de tubarões estão ameaçadas de extinção — a sobrepesca é uma das maiores causas. Populações sobrepescadas tendem a ter estruturas etárias diferentes das populações manejadas de forma sustentável. Ou seja, monitorar a idade de tubarões selvagens pode ajudar gestores a avaliar se a pressão pesqueira em uma região é sustentável.

Os métodos tradicionais para calcular a idade de um tubarão, no entanto, são pouco confiáveis. Usar o tamanho do animal como referência só funciona até certa idade. Já contar os anéis nas vértebras — como se faz com os anéis de um tronco de árvore — é mais preciso, mas também letal, já que só pode ser feito em animais mortos.

Por isso, os pesquisadores recorreram a um método não invasivo: os relógios epigenéticos, modelos que preveem a idade de um animal a partir de marcas químicas no DNA, já usados em mais de 185 espécies de mamíferos, algumas aves, répteis e outros peixes. 

Para calibrar o modelo, a equipe sequenciou o genoma do tubarão-zebra e coletou sangue de 51 exemplares de idade conhecida, nascidos em aquários. Assim, identificaram menos de 100 pontos do DNA com os padrões mais confiáveis — o suficiente para estimar a idade de um tubarão-zebra com precisão de até dois anos. 

Em tubarões nascidos na natureza, sem data de nascimento registrada, a margem sobe para três a quatro anos, mas o modelo continua funcionando.

O próximo passo é repetir o estudo com outras espécies comuns em aquários. Se os mesmos padrões se confirmarem, os cientistas podem estar diante de marcadores universais de envelhecimento — e, possivelmente, de pistas sobre como o processo funciona em todos os vertebrados, já que os tubarões se separaram do restante desse grupo há cerca de 400 milhões de anos.

“Isso vai muito além dos tubarões”, diz Gavin Naylor, diretor do Programa da Flórida para Pesquisa de Tubarões. “Estamos decompondo a biologia em suas partes mais simples para entender como ela funciona. Se entendermos como as coisas funcionam em um nível básico, podemos começar a fazer perguntas maiores.”


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