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À frente do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Cnpem, José Roque ressalta importância de inovações que estão sendo desenvolvidas no Brasil; ele destacou busca por tecnologias de futuro que possam reduzir dependência de minerais críticos

Por Felipe de Carvalho – ONU News | Por trás das paredes do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Cnpem, em Campinas, no Brasil, pesquisas inovadoras em biociências e nanotecnologia estão mirando a transição energética, tão necessária para frear o aquecimento global.

O diretor-geral do Cnpem, José Roque, falou sobe o assunto no Fórum de Ciência e Tecnologia Inovação, na sede da ONU em Nova Iorque, em maio. Na sequência do evento, ele conversou com a ONU News e explicou que a área de biocombustíveis é uma das grandes prioridades do centro de pesquisa.

Novos combustíveis

“Já faz pra lá de década em que a gente tem uma capacidade de produzir coquetéis enzimáticos para transformação de diversos tipos de biomassa e programas de desenvolvimento de leveduras para produção, desde combustíveis tradicionais como o etanol, mas também trabalhando para combustíveis avançados de aviação, que é um dos grandes desafios: você tornar a aviação comercial mais sustentável. Então a gente já vem fazendo isso e é uma área que eu acho que pode vir a ter um impacto em mobilidade importante no Brasil e na África, também em outros países”.

Ele ressaltou que nações com grande biodiversidade tem a oportunidade de explorar diversas variedades de biomassa.

Roque defendeu que a ciência de materiais tem um papel central no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, pois pode apontar novos caminhos para a transição energética. 

Quebrando a dependência dos minerais críticos

Ele explicou que isso pode significar uma menor dependência dos chamados minerais críticos, como terras raras, cobalto, lítio e níquel. 

“Se eu puder fazer imãs permanentes que não utilizem terras raras ou não utilizem materiais complexos e difíceis, que talvez eles mesmo tenham problemas de sustentabilidade, é um grande desafio. Se a gente for olhar a energia solar, houve uma queda muito grande de preço, com avanço de materiais, baterias. Também há um avanço enorme de redução de custo e de sustentabilidade na própria produção”.

Em relação a materiais, o Cnpem tem capacidade tanto de investigação quanto de desenvolvimento, com um olhar focado em “tecnologias de futuro”.

Vista aérea de um grande e moderno complexo de edifícios circulares, rodeado por campos verdes e edifícios menores do campus.
Predio do acelerador de partículas Sirius, considerada uma das maiores infraestrutura científica do Brasil | Foto: Cnpem 

Hidrogênio como fonte de energia

Roque disse que além de buscar materiais que possam otimizar a energia solar ou eólica, o centro de pesquisa também está focado na produção de outras fontes de energia, como o hidrogênio

“Então nós temos pesquisa olhando no futuro possíveis materiais para a foto eletrólise, então utilizando energia solar para poder quebrar a água e produzir hidrogênio. Hoje a gente consegue com eletrólise tradicional, dependendo da rede elétrica, ou, se quiser fazer isso sustentável, conectando isso com fontes eólicas ou de energia solar. Mas você pode fazer uma conversão direta utilizando materiais que vão usar o sol, a luz solar e quebrar diretamente a água. Esse é um dos desenvolvimentos, por exemplo, que o Cnpem tem feito e que envolve toda essa questão de novos materiais”. 

Para o pesquisador, como a energia é uma das grandes questões globais, é fundamental sempre procurar materiais que sejam mais eficientes, e, eles próprios, sustentáveis, ou seja, cuja produção não envolva a destruição da natureza.

O Cnpem abriga o acelerador de particulas Sirius, considerado uma das maiores infraestrutura científica do Brasil. 

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Este texto foi originalmente publicado pela ONU News, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.


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