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Por Mongabay | A perda de habitat, as mudanças climáticas, a caça e o comércio para estimação são fatores conhecidos do declínio das aves. Um novo estudo sugere que as cores das aves também podem influenciar seu risco de extinção: espécies de plumagem colorida parecem estar mais ameaçadas do que aquelas de cores pouco vistosas.

Os pesquisadores Montague Neate-Clegg e Natalia Ocampo-Peñuela estavam em uma viagem de observação de aves no Vietnã quando perceberam que algumas das espécies coloridas que avistavam eram muito ameaçadas e valorizadas no comércio de animais de estimação. “Então começamos a conversar sobre a possibilidade de as aves mais coloridas correrem maior risco de extinção”, disse Neate-Clegg, professor da Universidade da Califórnia em Davis.

Para testar a hipótese, os pesquisadores analisaram o status de conservação de 4.334 espécies de aves passeriformes na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Os passeriformes representam mais da metade das espécies de aves conhecidas.

Em seguida, os pesquisadores compararam o risco de extinção dessas espécies com o número de cores distintas em sua plumagem. Também levaram em conta outros fatores, como tamanho corporal, dieta, capacidade de dispersão e dependência de florestas.

O estudo constatou que as aves coloridas são mais ameaçadas do que aquelas de plumagem discreta. No Sudeste Asiático, onde aves de cores vivas são capturadas para o comércio de animais de estimação, o padrão ficou evidente. “Se você for a um mercado, verá todas aquelas aves que deveriam estar na floresta: estão todas em gaiolas”, disse Ocampo-Peñuela, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, à Mongabay em uma videochamada.

Os pesquisadores afirmam que esperavam encontrar um risco maior de extinção entre aves coloridas intensamente comercializadas. Surpreendeu-os constatar que espécies coloridas também estão mais ameaçadas do que as de cores pouco vistosas, mesmo quando não são comuns no comércio de animais de estimação. “Isso nos deixou um pouco intrigados”, disse Neate-Clegg. Segundo ele, uma hipótese é que “aves mais coloridas talvez sejam mais sensíveis ao aumento das temperaturas, devido à maneira como a coloração das penas afeta a regulação térmica.”

Também pode haver um viés na pesquisa em favor de aves coloridas, mais atraentes do que espécies de aparência discreta. Isso significaria que os cientistas dispõem de “uma avaliação mais precisa do risco de extinção” dessas espécies, afirmou Neate-Clegg.

Binbin Li, professora associada da Universidade Duke Kunshan, na China, que não participou do estudo, disse que vê os resultados “como um convite claro para que pesquisas futuras investiguem se as mudanças climáticas, a transformação dos habitats ou alterações nas interações bióticas, como predação ou competição, também estão contribuindo” para o maior risco de extinção das aves coloridas.

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Este texto foi originalmente publicado pela Mongabay, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.


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