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Entenda o que é ageismo e como a discriminação etária afeta a saúde e a qualidade de vida de pessoas mais velhas

 Imagem de Matthew Bennett em Unsplash

Ageismo é um conceito que se refere a atitudes discriminatórias contra indivíduos ou grupos etários com base em estereótipos associados a pessoas mais velhas. O ageismo é um tipo de etarismo, que também descreve a hostilidade e a discriminação sofridas por indivíduos com base na idade cronológica.

No entanto, o etarismo engloba atitudes discriminatórias contra pessoas ou grupos de qualquer idade, enquanto o ageismo afeta especialmente indivíduos de idade mais avançada. O ageismo é um tipo de preconceito e pode assumir muitas formas, desde atitudes individuais até políticas e práticas institucionais que perpetuam a discriminação.

Os impactos do ageismo na qualidade de vida das pessoas mais velhas

O termo ageismo foi utilizado pela primeira vez pelo gerontologista Robert Neil Butler, em 1969, para descrever o preconceito, a discriminação e os abusos cometidos contra idosos em um artigo publicado no periódico médico The Gerontologist. Butler identificou três elementos principais que definem o ageismo:

  • Atitudes prejudiciais contra pessoas mais velhas e contra o processo de envelhecimento;
  • Preconceito contra idosos e prática discriminatória com base na idade;
  • Políticas e práticas institucionais que perpetuam estereótipos nocivos e equivocados contra pessoas acima dos 60 anos.

Manifestações de preconceito com base na faixa etária são relatadas em diversas situações do cotidiano. No mercado de trabalho, por exemplo, o ageismo pode levar à dificuldade de encontrar emprego ou a problemas para conseguir promoções e mudar de carreira.

A American Psychological Association sugere que o preconceito de idade é uma questão séria, que deve ser tratada da mesma forma que a discriminação baseada em gênero, etnia ou orientação sexual, por exemplo.

A organização aponta a necessidade de aumentar a consciência pública sobre os problemas que o preconceito de idade cria pode ajudar. À medida que a população de idosos continua a aumentar, encontrar maneiras de minimizar o ageismo é cada vez mais importante.

Dados do Baltimore Longitudinal Study of Aging sobre as atitudes relacionadas à idade de 440 pessoas com idades entre 18 e 49 anos demonstram que ter estereótipos negativos de adultos mais velhos foi associado a um risco aumentado de doença cardiovascular anos depois. No estudo, 25% das pessoas que tinham estereótipos negativos tiveram um ataque cardíaco 30 anos depois, e apenas 13% das pessoas com opiniões positivas sobre os idosos tiveram o mesmo destino.

Os participantes do estudo que mantinham estereótipos mais negativos sobre adultos mais velhos tiveram um declínio 30% maior em sua memória 40 anos depois, em comparação com pessoas que viam a velhice de forma mais favorável. Os participantes pontuaram na faixa de demência em um teste cognitivo quando sob ameaça de estereótipo, em comparação com 14% dos participantes do teste que não estavam sob a ameaça.

O preconceito relacionado ao ageismo também tem sido associado à perda auditiva, diminuição da vontade de viver, menor participação em atividades preventivas, menor percepção de saúde funcional, recuperação insuficiente após o infarto agudo do miocárdio e até redução da longevidade.

Como combater o ageismo?

Enfrentar a discriminação etária exige uma nova compreensão do envelhecimento por todas as gerações sobre essa fase da vida. Como sociedade, devemos compreender que o envelhecimento é um processo natural, que não necessariamente impede o indivíduo de realizar nenhuma atividade, seja física ou cognitiva, plenamente.

Essa compreensão deve contrariar conceitos desatualizados que colocam pessoas mais velhas na posição de fardos sociais, a fim de reconhecer a ampla diversidade da experiência da velhice, as desigualdades do preconceito etário e demonstrar disposição para perguntar como a sociedade pode se organizar melhor a respeito do assunto.

Algumas ações que podem ajudar a combater o preconceito etário são:

  • Realização de campanhas de comunicação para aumentar o conhecimento e a compreensão do processo natural da vida entre a mídia, o público em geral, os legisladores, os empregadores e os prestadores de serviços;

  • Legislar contra a discriminação contra pessoas mais velhas (ou muito jovens);

  • Garantir uma visão equilibrada do envelhecimento seja apresentada na mídia;

  • Conscientização sobre o etarismo e suas consequências nas escolas e na sociedade em geral.

Ageismo afeta o bem-estar e a saúde das pessoas

Em um estudo publicado no periódico The Gerontologist, os pesquisadores observaram como as pessoas mais velhas eram representadas nos grupos do Facebook. Eles encontraram 84 grupos dedicados ao tópico de adultos mais velhos, mas a maioria desses grupos foi criada por pessoas na casa dos 20 anos. Quase 75% dos grupos existiam para criticar ou debochar de pessoas mais velhas, e quase 40% defendiam proibi-los de atividades como dirigir e fazer compras.

Os adultos mais velhos também sentem o impacto do ageismo no local de trabalho. De acordo com a US Equal Opportunity Commission, quase um quarto de todas as reclamações apresentadas por trabalhadores estão relacionadas à discriminação com base na idade.

A organização AARP relata que 1 em cada 5 trabalhadores nos Estados Unidos tem mais de 55 anos. Quase 65% dos trabalhadores dizem que sofreram discriminação com base na idade no trabalho e 58% dos entrevistados afirmaram que o ageismo se tornou mais aparente para eles pós os 50 anos.

Etarismo prejudica desempenho de adultos mais velhos em tarefas cognitivas e físicas

Quando os adultos mais velhos são vistos como deficientes cognitivos ou físicos, eles apresentam desempenho abaixo de suas habilidades nas tarefas. Esta foi a conclusão de um artigo de revisão recente de Sarah Barber, pesquisadora de psicologia e gerontologia da Georgia State University.

Grupos estigmatizados, seja por causa da raça, da classe social ou da idade, têm um desempenho pior quando são confrontados com estereótipos negativos, segundo a pesquisadora. Ela descobriu que as expectativas dos outros podem desempenhar um papel importante no desempenho dos adultos mais velhos em tarefas cognitivas e habilidades motoras, como dirigir.

A pesquisa revela que cerca de 17% por cento dos indivíduos com 50 anos ou mais enfrentam ageismo nos consultórios médicos e cerca de 8% temem que seu médico os esteja avaliando negativamente por causa da idade. Essa sensação de discriminação pode levar os idosos a um desempenho inferior nos testes cognitivos que recebem e levar a uma maior desconfiança dos médicos, maior insatisfação com os serviços de saúde, pior saúde física e mental autorreferida e índices ainda mais elevados de hipertensão.

Esses efeitos de ameaça do estereótipo também podem afetar o desempenho físico. Os adultos mais velhos costumam ser estereotipados como lentos, fracos, fracos e frágeis, de acordo com a pesquisadora. Em estudos de laboratório, a ameaça do estereótipo também pode levar a uma caminhada mais lenta e a uma força de preensão mais fraca para adultos mais velhos.

Segundo Barber, as pessoas que têm atitudes positivas sobre o envelhecimento vivem mais, têm melhor função de memória e se recuperam mais facilmente de doenças. Por isso, é fundamental garantir que os estereótipos baseados na idade sejam eliminados. Afinal, uma transformação na maneira como enxergamos as pessoas mais velhas e suas capacidades parece não ser somente uma questão de respeito e ética, mas também de qualidade de vida e saúde pública.


Fontes: Gerontology & Geriatric ResearchYale NewsOrganização Mundial da SaúdeVery Well MindMedical Xpress 


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Escrito por:
eCycle