Carbono equivalente: o que é?

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Entenda o que significa o termo "carbono equivalente" e para que ele serve

Emissão de gases

O termo "carbono equivalente" está intimamente relacionado a outras definições, tais como "emissões de gases de efeito estufa" (GEEs) e "créditos de carbono".

Todos esses temas ganharam relevância com o Protocolo de Quioto, que tornou importante a concepção de carbono equivalente.

Protocolo de Quioto

O Protocolo de Quioto (ou Kyoto) é um documento complementar à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. Ele foi criado em 1997, no Japão, e tinha como objetivo estipular limites de emissão de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos (chamados Países do Anexo I), principais responsáveis pelas mudanças climáticas atuais (saiba mais sobre em "O que são mudanças climáticas?").

Esse documento exigia que os países desenvolvidos participantes reduzissem suas emissões a pelo menos 5% abaixo dos níveis de 1990 no primeiro período de compromisso, que foi de 2008 a 2012 (o segundo período se iniciou em 1º de janeiro de 2013). Para tornar viável o cumprimento dos limites estabelecidos no protocolo, ele ainda adotou a criação de "mecanismos de flexibilização", como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL, que pode ser adotado por países em desenvolvimento, chamados de Países do não-Anexo I) e o comércio de emissões.

O protocolo possibilitou também que atividades como florestamento e reflorestamento contabilizassem na flexibilização dos cortes de emissão, não entrando nessa contagem os projetos de conservação florestal. E o carbono equivalente é um instrumento que ajuda no processo da comercialização das reduções de emissões dos gases do efeito estufa.

Créditos de carbono

Entendido o contexto, podemos falar agora do chamado "crédito de carbono", que corresponde a uma tonelada de CO2. De acordo com o MDL, os países do Anexo I poderiam comprar créditos de carbono de países em desenvolvimento que tenham ratificado o protocolo. Já o comércio de emissões permite que essa venda e compra de créditos de carbono seja realizada entre os países do Anexo I, onde um país “A”, que tenha reduzido suas emissões para níveis abaixo de sua meta, poderá vender créditos excedentes para um país “B” que deseje ou precise ampliar seu limite de emissão (lembrando que cada país possui um limite de créditos que poderá comprar).

Foi criado então um mercado de créditos de carbono. Mas como consegui-los? Um crédito de carbono é “ganho” a cada tonelada de CO2 que é absorvida ou que deixa de ser emitida. Cada um dos créditos de carbono poderá ser comercializado internacionalmente, como já foi dito. Reduzidas as emissões, um país pode auferir Certificados de Emissões Reduzidas (CERs), que são fornecidos por organismos da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. Saiba mais sobre os creditos de carbono na matéria: "Créditos de carbono: o que são?".

Muito bem, mas e quanto aos demais gases? O Protocolo de Quioto não abrangia apenas o dióxido de carbono, mas sim todos os gases poluentes causadores do efeito estufa, sendo eles o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), o ozônio (O3) e os clorofluorcarbonos (CFCs). Deste modo, para que fossem quantificadas as emissões para a conversão em créditos de carbono, foi necessário criar uma maneira de relacionar os gases de forma que todos fossem representados por uma mesma unidade, criou-se então, o termo "carbono equivalente".

Carbono equivalente

"Equivalente", segundo dicionários, expressa algo que possui o mesmo sentido; igual valor, e que pode ser substituído por possuir o mesmo significado.

Dessa maneira, o termo "carbono equivalente" (também utilizado na área da metalurgia), nada mais é que a representação dos demais gases de efeito estufa (GEEs) em forma de CO2. É fazê-los equivaler ao CO2. Confuso? Calma, não é tão difícil quanto parece.

Para que haja essa conversão dos demais gases em CO2, deve-se conhecer o Potencial de Aquecimento Global (Global Warming Potential - GWP, na sigla em inglês). O GWP dos gases de efeito estufa é relacionado à capacidade de cada um deles de absorver calor na atmosfera (eficiência radiativa) em um determinado tempo (geralmente 100 anos), comparada à mesma capacidade de absorção de calor por parte do CO2. Assim, a fórmula para o cálculo do carbono equivalente é a multiplicação da quantidade de um gás por seu GWP.

O site GHG Protocol fornece tabelas com o GWP relativo a cada gás do efeito estufa. Consultando a tabela é possível encontrar o carbono equivalente para cada tipo de gás do efeito estufa que não seja o CO2. Para saber mais sobre efeito estufa dê uma olhada na matéria: "O que é efeito estufa?".

A aplicação dos cálculos a fim de encontrar o carbono equivalente se faz útil quando se pretende tratar de gases de efeito estufa de forma generalizada, como por exemplo neste estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que comparou o carbono equivalente emitido por carros elétricos e por carros a combustão.


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