Entenda a produção da carne de confinamento

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A técnica de confinamento surgiu como uma forma de escoar a venda de animais nos períodos de safra de produtos agrícolas

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Imagem redimensionada de Clark Young, está disponível no Unsplash

O confinamento animal é um sistema de criação que prende os animais em gaiolas, piquetes, currais ou baias, com área de deslocamento limitada, ração fornecida em cocho e água em bebedouro.

A técnica de confinamento surgiu como uma forma de escoar a venda de animais nos períodos de safra de produtos agrícolas e sua revenda nos períodos entressafra. Mais tarde, o confinamento passou a ser utilizado para aproveitar os resíduos ou sub-produtos das agro-indústrias.

Normalmente, o confinamento é praticado nos períodos de pouca chuva - quando os pastos ficam menos forrados - ou para engordar o animal mais rapidamente, sendo muito utilizado no setor de pecuária de corte.

Entretanto, ele representa apenas 5% de toda produção pecuária no Brasil. Para alguns ativistas ambientais, ainda bem. De acordo com eles, o confinamento animal promove sofrimento animal, em diferentes intensidades, dependendo do tipo de acomodação.

Para a médica veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA) "Confinar um animal por praticamente toda a vida em uma gaiola minúscula onde ele não pode sequer se virar ou andar é algo extremamente cruel".

Entretanto, alguns defensores do confinamento afirmam que os maus tratos só são realidade em estruturas onde os animais não teriam espaço para se deitar ou sofreriam pela ação de animais dominantes.

Na linguagem regulatória dos Estados Unidos, esses criadouros, são chamados de Concentrated Animal Feeding Operation (CAFOs). De acordo com a Enviromental Protection Agency (EPA) uma Animal Feeding Operation (AFO) se caracteriza por confinar animais por mais de 45 dias em área sem vegetação. As CAFOs são basicamente grandes AFOs. A agência ambiental americana divide as CAFOs em três categorias: pequenas, médias e grandes, de acordo com o numero de animais, o volume de estrume produzido e os níveis de poluição gerados. O confinamento considerado grande possui pelo menos mil cabeças de gado ou 30 mil galinhas. Esses tipos de confinamento são sujeitos à fiscalização governamental.

O confinamento vem crescendo no Brasil e é fundamental para manter a competitividade dos produtores e o desenvolvimento tecnológico da pecuária. Apesar disso, a pecuária nacional deve continuar se baseando no pasto, já que são abundantes devido às condições climáticas favoráveis e dão origem a uma carne mais macia. No Brasil, somente de 15% a 20% do ganho de peso dos animais ocorre em confinamento.

Pode ser verdade que o confinamento produza carne mais barata no curto prazo, mas os problemas ambientais de longo prazo são grandes e inegáveis. O consumo de água é elevado e os dejetos tóxicos poluem o ar e os mananciais. Nos EUA, o confinamento produz duas vezes mais dejetos do que a população humana.

Assim como na pecuária de pasto, no confinamento, os antibióticos ajudam a prevenir doenças estimuladas pelas condições adversas, além de promoverem o crescimento dos animais. No entanto, eles levam ao desenvolvimento de variedades resistentes e, possivelmente, à redução da eficácia dos antibióticos usados em humanos, sendo uma ameaça mundial, de acordo com estudo.

Outro problema é saúde dos trabalhadores dos confinamentos. O ambiente apresenta altos níveis de material particulado em suspensão no ar, amônia e endotoxinas liberadas pela bactérias, que são muito nocivas ao sistema respiratório. Há também a possibilidade do trabalhador contrair doenças contagiosas transmitidas pelos animais aos humanos.

Portanto, sempre que for consumir carne, procure saber qual é a procedência e dê preferência às oriundas de locais que respeitam o meio ambiente, alimentando os animais com alimentos saudáveis.


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