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Fundo de investimento lançado em 2020 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra aproxima investidores de projetos que precisam de captação

Em 2020, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) surpreendeu o mercado financeiro ao lançar um projeto inédito de financiamento popular para pequenos agricultores: o Finapop. Um ano depois da primeira – e bem-sucedida – experiência, a ideia agora é levantar 17,5 milhões para financiar a a agricultura familiar, por meio da emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Os títulos serão emitidos pela securitizadora Gaia Impacto, voltada para investimentos que gerem impacto socioambiental. A Gaia Impacto pertence ao Grupo Gaia, fundado em 2009 e certificado como empresa B desde 2014.

Esses papéis são títulos de renda fixa, com isenção de imposto de renda, que representam a promessa de um retorno financeiro no futuro. Ao investir no fundo, o investidor “empresta” dinheiro a produtores rurais (ou a suas cooperativas) para financiar a produção e a comercialização de alimentos oriundos da agricultura familiar.

O Finapop surgiu no início da pandemia do novo coronavírus, a partir de uma parceria entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra e o economista Eduardo Moreira. Com o objetivo de aproximar investidores e projetos que necessitam de captação de recursos, o fundo de financiamento popular é uma proposta alternativa de acesso ao crédito para agricultores de assentamentos e acampamentos do MST.

Como e por que investir no MST

De acordo com o Capital Reset, o dinheiro captado será destinado à produção de sete cooperativas de agricultura familiar ligadas ao movimento, que produzem leite, milho, soja, arroz, açúcar mascavo e suco de uva, nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As cooperativas são Coana, Coapar, Coopaceres, Cooperoeste, Cootap, Copacon e Copavi – e boa parte delas aposta em produção exclusivamente orgânica.

Os títulos têm prazo de vencimento de cinco anos e garantem rentabilidade de 5,5% ao ano. O acesso à operação acontece por meio de oferta pública, que será aberta para aplicações a partir de R$ 100,00. Para quem procura um investimento seguro, de baixo aporte e com rentabilidade superior à da poupança, a proposta pode ser bastante atrativa.

Os CRAs poderão ser reservados pelos investidores a partir do dia 26. A venda dos títulos será feita pela corretora Terra, por meio da plataforma do Finapop. Para investir, os interessados deverão abrir uma conta, gratuitamente, no site da corretora Terra.

Na terça-feira, 27 de julho, às 20 horas, será realizada uma live para apresentar ao público mais detalhes sobre a operação. Para assistir à transmissão, basta se cadastrar no site da Finapop.

MST, agricultura familiar e orgânicos no Brasil

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra é responsável por boa parte da produção agrícola orgânica no Brasil. Segundo a Exame Invest, o MST concentra 100 cooperativas, 96 agroindústrias, 1.900 associações e 350 mil famílias assentadas em cerca de 88 mil hectares de terra.

Uma publicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) destaca o MST como o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, de acordo com dados de reportagem veiculada pela BBC Brasil em 2017. Naquele ano, foram mais de 27 mil toneladas produzidas em 22 assentamentos vinculados ao movimento, no Rio Grande do Sul.

Segundo o Centro de Inteligência em Orgânicos, projeto desenvolvido pelo Sebrae e a Sociedade Nacional de Agricultura, agricultores familiares e assentados da reforma agrária são os dois principais grupos responsáveis pelo aumento da produção de alimentos orgânicos no Brasil.

Cadastro Nacional de Agricultores Orgânicos (CNPO), criado em 2013, conta com mais de 20 mil produtores inscritos – dos quais quase 80% são classificados como agricultores familiares. No entanto, o sistema não permite identificar quais deles são ligados a assentamentos da reforma agrária.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a agricultura familiar é a principal responsável pela produção de alimentos para os brasileiros. A classificação “agricultura familiar” inclui pequenos produtores rurais, povos indígenas, comunidades quilombolas, assentamentos de reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores.

Um relatório elaborado pela Coordenação de Agroecologia (Coagre), da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apontou que em 2016 foram registradas 15,7 mil unidades com plantio orgânico no país, mais do que o dobro das 6,7 mil computadas em 2013.

Ainda de acordo com a Coagre, a região Sudeste é a que mais produz alimentos orgânicos, totalizando 333 mil hectares e 2.729 registros de produtores no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO). Na sequência estão as regiões Norte (158 mil hectares), Nordeste (118,4 mil), Centro-Oeste (101,8 mil) e Sul (37,6 mil).

Pelo baixo impacto ambiental, a agricultura familiar é amiga da sustentabilidade e da responsabilidade socioambiental, combinando técnicas de cultivo tradicionais com a produção de alimentos orgânicos. No cerne de sua produção está o respeito aos recursos naturais, ao meio ambiente e aos trabalhadores envolvidos.