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João Ferreira Netto comenta projeto que prevê a utilização de ônibus aquático na Represa Billings para transporte de passageiros entre as regiões de Cocaia e Pedreira

Por Jornal da USP | Projeto da Prefeitura de São Paulo visa a oferecer uma opção de transporte hidroviário entre as regiões de Cocaia e Pedreira por meio de um ônibus aquático, que operaria na Represa Billings. O projeto, que é da Câmara Municipal, surgiu de uma lei sancionada em 2014 pelo então prefeito Fernando Haddad e está cada vez mais perto de sua execução. O projeto tem o apoio técnico e acadêmico da Faculdade de Arquitetura de Urbanismo (FAU) da USP. 

O professor João Ferreira Netto, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica (Poli) da USP, comenta sobre um dos benefícios do projeto: “Pode ter um retorno muito bom para a cidade o uso do modal hidroviário. A gente sabe que trata-se de um modal mais sustentável, um modal de menor custo, um modal que, por ter economia de escala e conseguir permitir o transporte de mais cargas, ou no caso, mais passageiros em uma única viagem, você consegue ter um custo reduzido para essa viagem”.

Preocupação ambiental

O projeto tem seus benefícios logísticos, como a questão do tempo: o projeto prevê uma travessia entre embarque e desembarque que levaria em torno de 25 minutos para ser percorrida. Hoje em dia, sem o projeto, o tempo é de 1h40. 

João Ferreira Netto – Foto: LinkedIn

Porém, outro aspecto que o projeto valoriza é o da questão ambiental, que, para Netto, é primordial: “Do ponto de vista operacional, ele traz muitas vantagens, você vai conseguir retirar veículos, os ônibus ou veículos rodoviários das ruas e das avenidas e isso acaba também favorecendo a questão ambiental, no caso, reduzindo também a poluição atmosférica”. 

Inclusive, no momento de aquisição das embarcações, esse tópico deve ser levantado: “Essas embarcações,  mais modernas que a gente hoje em dia já tem observado por aí, podem ser sim mais sustentáveis do ponto de vista de consumo reduzido. Não digo nem ainda do motor elétrico, mas embarcações que ainda têm um motor convencional, mas com uma redução de consumo adequado, ou ainda esses combustíveis alternativos como gás natural, então isso deve, sim, ser observado no projeto”. 

Para o professor, também deve haver uma fiscalização por parte das autoridades, para que o fluxo de pessoas não represente uma ameaça às áreas de preservação ambiental: “A gente está falando de uma área que tem mananciais, uma região em que a preservação ambiental é importante. E, no caso de um sistema como esse, você impacta as margens, porque tem a construção dos terminais, o modal hidroviário requer a operação de terminais onde os passageiros possam embarcar e desembarcar e esses terminais, atraindo também um fluxo razoável de pessoas, pode contribuir para algum impacto na região do ponto de vista de preservação dos mananciais”. 

Limitações 

Períodos com poucas chuvas provocam uma redução no nível das águas dessa região. Essas limitações naturais são contempladas no projeto, a partir do conceito de calado, que é a profundidade de um rio ou represa considerada pelas embarcações. “Você tem que considerar o calado para as embarcações e, em todo o sistema de transporte hidroviário fluvial, a gente tem limitações sazonais por conta justamente dos períodos de estiagem”, diz Netto. Isso, no entanto, não prejudica o funcionamento dos ônibus aquáticos: “Para que você tenha restrições, você tem que ter a profundidade da represa muito abaixo do que provavelmente deve acontecer em períodos muito curtos ao longo de um ano. Então, vamos supor, ao longo dos 12 meses do ano você deixar de operar esse sistema por um mês, é uma situação que é aceitável e muitas vezes está até dentro do planejamento”, conclui. 

Este texto foi originalmente publicado pela Jornal da USP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.


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