Loja
Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo

Berçário de jacarés foi descoberto durante obras no local

Se preferir, vá direto ao ponto Esconder

Por Vitor Abdala, da Agência Brasil | Um novo parque, que está sendo criado em Niterói, na região metropolitana do Rio, busca criar uma alternativa de lazer para moradores, replantar mudas nativas e melhorar a qualidade da água da Lagoa de Piratininga. A área a ser revitalizada tem 680 mil metros quadrados.

Batizado de Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis (POP), o espaço contará com ciclovias, píeres para contemplação da lagoa e para pesca, mirantes, quadras esportivas, parquinhos, áreas de ginástica e um centro ecocultural, integrados ao ecossistema natural.

Além da infraestrutura de lazer, também estão sendo instalados reservatórios para sedimentação de resíduos sólidos, jardins filtrantes (com plantas que limpam a água) e valas de coleta de águas pluviais, com o objetivo de evitar o deságue de esgoto e poluentes na Lagoa de Piratininga. Um viveiro de mudas também permitirá a produção de plantas nativas para substituir espécies exóticas (que não pertencem ao ecossistema).

Garça branca pequena nos jardins filtrantes do Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis, em Niterói.
Garça branca pequena nos jardins filtrantes do Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis, em Niterói. Foto por Fernando Frazão/Agência Brasil

“O entorno da lagoa não tinha nenhum manejo vegetal. A maioria das espécies é exótica invasora, o que prejudica a biodiversidade, já que não atrai pássaros. Estamos trocando por plantas nativas, para atrair avifauna e polinizadores”, explica Andrea Maia, uma das biólogas do parque.

A ideia é que sejam plantadas no entorno da lagoa quase 8 mil mudas de espécies nativas. Segundo o engenheiro que supervisiona as obras, José Carlos Planave, a previsão é que a maior parte das obras esteja concluída até maio de 2023.

Outra parte da intervenção, que inclui a urbanização de uma comunidade às margens da lagoa, deverá ser entregue posteriormente.

Jacarés

Durante as obras de instalação do parque, os operários tiveram uma surpresa. Cerca de 25 filhotes de jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris) foram encontrados em um canal de cintura, criado anos atrás para concentrar as águas vindas da rede pluvial do entorno da lagoa. Os animais usavam as plantas do local para se esconder de predadores.

Jacaré no Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis
Jacaré no Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis. Divulgação/Prefeitura de Niterói/Alex Ramos

Os biólogos perceberam, então, que as margens da Lagoa de Piratininga são uma zona de reprodução de jacarés. Desde então, já foram identificados também quatro adultos e uma área de nidificação da espécie, próxima ao local onde os filhotes foram encontrados.

Quando os operários perceberam que havia filhotes no local, as intervenções foram paralisadas e o projeto foi adaptado para proteger a espécie. “Nós delimitamos uma área, onde vamos proteger a borda do canal e fazer o manejo das plantas macrófitas [a vegetação aquática] desse canal. Essas plantas filtram a água e protegem os animais que vivem ali. Nós vamos fazer um berçário que não tem nada de artificial”, conta Andrea Maia.

A ideia é proteger o ciclo natural dos animais, sem interferência humana. Além disso, o ambiente preservado permite não apenas o nascimento dos répteis, mas também a existência de alimentos para que eles cresçam e também se reproduzam.

Este texto foi originalmente publicado pela Agência Brasil de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.


Utilizamos cookies para oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar pelo site você concorda com o uso dos mesmos. Saiba mais