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Terra azul: quais fatores são responsáveis pela coloração do planeta?

Imagem de NASA em Unsplash

Você já se perguntou por que a Terra é azul? A cor do planeta é azul há mais de 4 bilhões de anos, por causa da água líquida abundante em sua superfície. Aliás, o nosso é o único planeta conhecido que possui essa característica.

A geologia explica que a Terra é azul há tanto tempo porque sua temperatura não é nem muito alta, nem muito baixa, graças às interações do ciclo da água com as placas tectônicas e ao efeito estufa, bem como à configuração do sistema solar. Hoje, a temperatura média da superfície da Terra é de cerca de 15 °C, mais fria que Vênus (465 °C) e mais quente que Marte (-60 °C, aproximadamente).

No nosso planeta, no nível do mar, a água congela abaixo de 0 °C e ferve a 100 °C. A superfície da Terra é, portanto, mantida há bilhões de anos em uma faixa de temperatura bastante restrita em comparação com a de outros planetas.

O papel dos gases do efeito estufa na Terra azul

A temperatura média na superfície de um planeta depende da interação de três parâmetros que podem variar amplamente de um planeta para o outro: a energia oriunda do sol, o albedo (o poder radiação refletida por uma superfície), e os gases do efeito estufa. Esses gases são responsáveis por prender a radiação solar na atmosfera. Sem eles, a superfície da Terra estaria a uma temperatura em torno de -15 °C – e, provavelmente, sem água em estado líquido.

As interações entre a luz solar, o albedo e os gases do efeito estufa têm mantido um equilíbrio de energia razoavelmente constante desde o surgimento dos primeiros oceanos na Terra. No início da história do planeta, o Sol era menos brilhante e a Terra recebia menos energia dele. No entanto, os níveis de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e metano, eram muito mais altos do que hoje, o que mantinha as temperaturas da superfície altas o suficiente para que a água se tornasse líquida.

O efeito estufa diminuiu com o tempo, porque o CO2 pode ser removido da atmosfera por dois processos. Primeiro, o efeito acidificante do dióxido de carbono dissolvido nas águas superficiais faz com que as rochas se dissolvam, liberando cálcio. Por sua vez, o cálcio se combina com o CO2 dissolvido para formar rochas carbonáticas como o calcário, um dos principais sumidouros de carbono.

O segundo sumidouro é o carbono orgânico armazenado nas rochas sedimentares. Organismos na terra e no oceano usam dióxido de carbono para construir matéria orgânica durante a fotossíntese, uma parte da qual é depositada no fundo do oceano quando os organismos morrem. Lá, a matéria orgânica é incorporada às rochas sedimentares, onde pode ser armazenada por milhões de anos.

As placas tectônicas e os oceanos

Embora os sumidouros de carbono armazenem CO2 longe da atmosfera, vulcões e cadeias oceânicas devolvem CO2 à atmosfera, num processo sustentado pelas placas tectônicas. Em longas escalas de tempo, essas placas ajudam a manter a temperatura da superfície da Terra numa faixa que permite que as águas superficiais permaneçam em estado líquido. Por isso, é possível dizer que a presença de água líquida e placas tectônicas estão portanto intimamente ligadas.

O fundo do oceano é composto por placas oceânicas, que se afastam das cristas oceânicas – a cadeia de vulcões submarinos que atravessa o planeta –  e descem em direção às profundezas da Terra por subducção. Durante as centenas de milhões de anos que atravessam os oceanos, as placas oceânicas se hidratam: seus minerais incorporam água, o que modifica suas propriedades mecânicas.

À medida que são subduzidas, as placas oceânicas eventualmente desidratam; a água liberada eventualmente produz magmas que formam os granitos, o alicerce dos continentes. Isso significa que sem água líquida, não existiriam continentes no planeta.

Novas placas são constantemente formadas a partir do material que entrou em erupção nas dorsais oceânicas. Conforme esse material sobe pelo manto e chega ao fundo do oceano, ele resfria e libera CO2, ajudando a manter as concentrações de gases de efeito estufa. Assim, a água permanece líquida e a Terra permanece azul.


Fontes: Phys.org, Earth Observatory e Science Mag


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