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Texto do compositor Carlos Rennó lista, de maneira poética e emocionante, ameaças à maior floresta tropical do mundo

Por Greenpeace – Lançada no último dia 5 de setembro, no programa “Fantástico”, da Rede Globo (RJ),a Canção pra Amazônia segue emocionando os corações e mentes dos brasileiros. São mais de trinta artistas que, em performances de alto nível, entregam uma mensagem de alerta e esperança frente aos problemas ambientais que o Brasil enfrenta hoje.

Atendendo a pedidos, o Greenpeace publica abaixo a íntegra da letra da música. Trabalho do autor e compositor Carlos Rennó – parceiro da instituição e escriba de outros hinos engajados como “Demarcação Já!” (2017), “Manifestação” (2018) e “Para Onde Vamos?” (2019) – a letra de “Canção pra Amazônia” está pronta desde o final de 2019, mas só foi musicada por Nando Reis em meados do ano passado.

Anteriormente, a letra da música havia sido publicada apenas no caderno “Ilustríssima”, do jornal Folha de São Paulo (SP), justamente no dia 5 de setembro, quando se comemora o Dia Internacional da Amazônia. Agora, ela está a seu alcance, para se emocionar e refletir junto ao grande elenco reunido nesta iniciativa.

Seviço

Canção pra Amazônia

Música de Nando Reis – Letra de Carlos Rennó

1. Maior floresta tropical da Terra

A toda hora sofre um duro golpe.

Contra trator, corrente, motosserra,

A bela flora clama em vão: “Me poupe!”

Porém tem uma gente surda e cega

Para a beleza e o valor da mata,

Embora o mundo grite que já chega

Pois é a vida que o desmate mata.

Mais vasta ainda todavia é a devastação e o trauma:

Focos de fogo nos sufocam fauna, flora e até a alma. 

Amazônia!

Razão de tanta insânia e tanta insônia!

Amazônia! 

Objeto de omissão e ação errônea!

Amazônia!

É sem igual, sem plano B nem clone a

Amazônia!

2. Desmonte pra desmate e desvario

Liberam a floresta no Brasil

Pro agrobiz e pra mineração,

Pra hidrelétrica, pra exploração.

Recompensando o crime ambiental,

Desregulando o clima mundial,

Negam ciência, incêndio e derrubada.

Negando, vão passando a boiada. 

Que ignorância, repugnância, a cada lance, a cada vídeo!

Que grande bioecoetnogenomatrisuicídio!

Amazônia!

Abaixo o (des) governo que abandone a

Amazônia! 

Não mais a soja, o pasto que seccione a

Amazônia!

Não mais a carne, o prato que pressione a 

Amazônia!

3. Dos povos da floresta sob pressão,

O indígena, seu grande guardião,

Em comunhão com ela há milênios, 

Nos últimos e trágicos decênios

Vem vendo a mata sendo ameaçada

E cada terra deles atacada

Por levas de peões de poderosos

Com planos de riqueza horrorosos. 

É invasão!, destruição!, ódio a quem são seus empecilhos!

Eles não pensam no amanhã nem do planeta nem dos próprios filhos!

Amazônia!

Abaixo o madeireiro que detone a

Amazônia!

Abaixo o garimpeiro que infeccione a

Amazônia! 

Abaixo o grileiro que fraciona a

Amazônia! 

4. Mais valiosa que qualquer minério,

Tragada pela mata que transpira,

A água que evapora sobe e vira

De veio subterrâneo a rio aéreo.

Mais volumosos do que o Amazonas,

Os rios voadores distribuem

Seus límpidos vapores que afluem

Ao Centro-Sul, chegando noutras zonas.

Então como é que na floresta mais chuvosa o fogo avança,

E ardendo em chamas nela queima de futuro uma esperança?

Amazônia!

Não mais um mandatário que intencione a

Amazônia, 

Nem mais um empresário que ambicione a

Amazônia

Pra mais um ciclo de nação-colônia.

Amazônia!

5. Visão monumental que maravilha

Obra da natureza que exubera

De cores, seres, cheiros, som, de vida

Tão pródiga, tão pura, tão diversa

A fábrica de chuva mais prolixa

A máquina do mundo mais complexa

O doceanoverdeparaíso

O coração pulsante do planeta

Quinze mil árvores contudo agora estão indo pro chão.

Quinze mil vidas derrubadas só durante o tempo desta canção!…

… Amazônia…

Que nem desmatamento desmorone a

Amazônia!

E nem desmandamento deixe insone a

Amazônia!

E nem o aquecimento desfuncione a

Amazônia! 

6. O que o índio viu, previu, falou,

Também o cientista comprovou.

Desmate aumenta, o clima seco aquece

A mata, o céu e a Terra, que estarrece. 

Esse é o recado deles, lá no fundo:

Salve-se a selva ou não se salva o mundo!

Pra não torná-los um inferno, um forno, 

Salve a Amazônia do ponto sem retorno!

Será que ainda tá em tempo ou o timing disso já perdemos?

Pois, evitemos pelo menos os eventos mais extremos.

Amazônia…

Quando afinal o homem dimensione a

Amazônia,

Que venha a ter valido a nossa insônia

– Amazônia –, 

Enquanto nos encante e emocione a…

Amazônia!

Salve a Amazônia!

Salve-se a selva ou não se salva o mundo!