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Não se engane: protetor solar de FPS superior a 50 não protege muito mais e pesa no bolso

Você sabia que o protetor solar de fator acima de 50 não protege muito mais do que os outros fatores? Para piorar, ele ainda pode conter maior concentração de ingredientes químicos que causam danos à pele.

Um guia do Environmental Working Group (EWG, do inglês, Grupo de Trabalho Ambiental) mostra que apenas um quarto das opções de protetor solar produzidos nos Estados Unidos são de boa qualidade.

A Food and Drug Administration (agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA) iniciou, em 2011, um processo de regulamentação dos protetores solares.

Essa regulamentação exige veracidade nas informações de marketing, incluindo dados na embalagem quando o produto for resistente à água, além de testes de validação de proteção UVA/UVB.

A EWG, entretanto, não acredita que as exigências foram suficientes para criar um alto padrão de qualidade dos filtros solares no mercado: muitos ainda não são eficientes no combate aos raios nocivos à pele.

Danos à pele

Um protetor solar de fator alto de FPS (filtro de proteção solar) não tem, necessariamente, proteção contra os raios UVA, mas apenas contra os raios UVB. O problema é que é justamente o raio UVA que causa mais danos, porque penetra mais fundo na pele e, possivelmente, é uma das causas do melanoma, um dos piores cânceres de pele.

A EWG alerta também para os filtros solares que contêm ingredientes que podem ser prejudiciais, como por exemplo, vitamina A (retinol) e oxibenzona. Usado em muitos cosméticos e produtos de antienvelhecimento, a vitamina A pode acelerar tumores e lesões em peles expostas ao sol.

Já o oxibenzona, presente em metade dos protetores solares nos EUA, funciona através da absorção dos raios ultravioletas. Porém, pesquisas revelaram que ele acaba sendo absorvido pela pele, podendo também desencadear reações alérgicas e alterar o sistema hormonal.

Ilusão dos altos fatores

E protetores com fator 100 não protegem tanto assim – eles se mostraram menos eficazes que os de fator mais baixo. O consumidor acaba sendo enganado pela ilusão de estar bem protegido, pois pensa que o fator 100 significa duas vezes mais proteção que o 50.

Na verdade, quando aplicado propriamente, o protetor de FPS 50 protege em 98%, enquanto o de FPS 100 protege 99%. Além disso, pessoas que optam por fatores mais altos tendem a ficar mais tempo expostas ao sol, porque têm a falsa sensação de proteção.

Já as pessoas que utilizam fator 30 ou 50 se preocupam em aplicar o produto mais de uma vez e em passar menos tempo tomando sol. Outro problema é que a concentração de produtos químicos nos protetores de fator mais alto apresenta maiores riscos à saúde, já que os ingredientes são absorvidos pela pele. Um FPS 30 utilizado da maneira correta é o suficiente para proteger você.

Não dependa só do protetor solar

Outra crítica feita pelo EWG às medidas tomadas pelo FDA foi em relação à permissão de se colocar nas embalagens de protetores solares a menção de que se trata de um agente de prevenção contra o câncer de pele.

De nada adianta passar protetor e ficar exposto ao sol nos períodos de intensos raios ultravioletas. Por ano, nos Estados Unidos, mais de 2 milhões de americanos desenvolvem câncer de pele, segundo o Nacional Câncer Institute (Instituto Nacional do Câncer). O ideal é evitar a exposição prolongada aos raios solares, utilizar roupas apropriadas e abandonar o bronzeamento artificial.

Outro problema é que a regulamentação da FDA não estabeleceu um alto nível de proteção UVA para permitir que a informação apareça nas embalagens. Então, quase todos os produtos cujos rótulos exibem proteção UVA/UVB não oferece, de fato, o nível de proteção mais adequado.

Na Europa, por exemplo, os protetores solares devem oferecer proteção contra os raios UVA em um terço da proteção UVB – isto é, se o produto possui FPS 30, a proteção UVA deve ser no mínimo 10. Mas os fabricantes nos EUA encontram um obstáculo, dado que muitos produtos químicos eficazes contra os raios UVA e permitidos na Europa ainda não foram aprovados pelo FDA.

No Brasil, no ano passado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aplicou a mesma exigência existente na Europa em relação à quantidade mínima de proteção UVA. O órgão também aumentou o FPS mínimo de 2 para 6 e passou a exigir testes mais rígidos de comprovação da eficácia dos protetores, bem como informações sobre a necessidade de reaplicação do produto no rótulo da embalagem.

O uso de protetor solar contribui para o branqueamento dos corais?

Nos últimos anos, houve um aumento no interesse público, político e científico com relação aos efeitos que os protetores solares apresentam nos recifes de corais. Um artigo publicado no Journal of Environmental Toxicology and Chemistry resume a literatura científica que avalia os impactos desses cosméticos nos ecossistemas aquáticos.

Os especialistas puderam concluir que, embora os protetores solares ocorram em grandes quantidades no ambiente, há evidências limitadas para sugerir que sua presença está causando danos significativos aos recifes de corais. No entanto, eles alertam que, com base nas informações e dados disponíveis, seria prematuro dizer que os filtros não afetam negativamente esses ecossistemas. Nesse sentido, outros estudos apontam que os compostos químicos presentes em protetores solares podem causar adoecimento, branqueamento e morte dos corais.

Os cientistas apontaram para inúmeras lacunas de dados críticos em termos de exposição ambiental confiável e relevante e dados de toxicidade que precisam ser preenchidos antes que conclusões possam ser tiradas. Em seu artigo, Carys Mitchelmore e seus colegas descrevem uma série de recomendações para estudos futuros que avaliem o risco ambiental de protetores solares.

Mitchelmore acrescenta: “além de mais estudos de campo e de laboratório que levam em consideração as condições e as espécies dos recifes, é necessário desenvolver uma estrutura de avaliação de risco ambiental para corais. Investigar e priorizar estressores nos corais permitiria aos reguladores, legisladores e cientistas otimizar a conservação e atividades de gestão. “

Por fim, tomar sol pode ser gostoso, mas fique mais atento aos períodos de fortes raios solares e, na hora de comprar um protetor, olhe bem as informações presentes na embalagem.