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HPA é um composto químico muito prejudicial à saúde de seres humanos e animais

Imagem de Hai Nguyen Tien por Pixabay

O HPA, também chamado de hidrocarboneto policíclico aromático, é um composto produzido pela queima incompleta de substâncias orgânicas, como carvão, lenha e gasolina. A inalação e a absorção desse composto está associada a diversos tipos de câncer em seres humanos e animais.

Fontes de HPA

O HPA pode ser liberado a partir de várias fontes. Dentre as principais, pode-se citar a queima de carvão, combustão de diesel e gasolina, exaustão oriunda da incineração de rejeitos, fumaça de cigarro e alguns processos industriais.

Óleo de soja e de milho

Em indivíduos que não fumam, a alimentação representa parte significativa da exposição ao HPA. Alimentos gordurosos, por exemplo, podem ser considerados potenciais fontes de contaminação por esse composto.

Óleos de soja e milho podem apresentar elevado teor de HPA, que se origina por diversos fatores, como o crescimento de culturas em solo contaminado (por fumaça de tratores ou proximidade a estradas).

O processo de secagem dos grãos de milho é a principal explicação para esses altos níveis de contaminação por HPA, pois é empregada a secagem por meio de ar quente obtido a partir da queima de lenha. Os grãos de soja apresentam problemas semelhantes aos do milho e, como consequência, o óleo feito a partir da soja também se contamina com HPA.

Vale ressaltar que não existe uma legislação específica sobre os níveis de HPA em óleos comestíveis no Brasil. Há apenas um nível máximo estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para benzo[a]pireno (um tipo de HPA) em óleo do bagaço de azeitona (2,0 µg/kg) e aromatizantes para defumação artificial (0,03 µg/kg).

Laticínios

Como o leite é um produto secretado pela mama, ele pode conter níveis significativos de vários xenobióticos, como o HPA, que foi ingerido pela vaca leiteira. Dessa maneira, o leite pode ser visto como um indicador indireto para a poluição ambiental de pastagens por HPA.

Quando aquecido, os níveis de HPA presentes no leite se elevam mais ainda. Análises mostraram que o leite integral submetido ao tratamento UHT é mais contaminado por HPA do que os pasteurizados e in natura, sugerindo que o processamento e o tratamento térmico favorecem a formação de novos compostos de HPA.

Churrasco

Uma pesquisa realizada na revista Environmental Science and Technology mostrou que esse composto também é formado quando a fumaça do carvão entra em contato com a carne. Assim, pode-se dizer que a absorção de HPA em um churrasco se dá pelo consumo da carne, vias respiratórias e pele.

De acordo com Adelaide Cassia Nardocci, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, a concentração de HPA liberada em um churrasco é pequena, mas não pode ser ignorada. Isso porque ela se soma à constante exposição a esse composto gerada pela poluição urbana.

Quem está exposto ao HPA

Por estar presente em muitos lugares, o HPA é uma ameaça potencial para a saúde. No entanto, as pessoas que moram ou trabalham em ambientes com maiores concentrações de HPA estão mais vulneráveis aos efeitos da exposição.

Um grupo de pesquisadores da Peking University, na China, vem ampliando os conhecimentos relacionados ao HPA e obtendo resultados expressivos. Por causa da população e da estrutura energética e industrializada da China, as emissões de HPA são ainda mais intensas.

Shu Tao, professor e diretor da Faculdade de Ciências Ambientais da Peking University, junto com a sua equipe, desenvolveu um modelo computacional capaz de calcular a emissão dos principais tipos de HPA na China e no mundo. O modelo utiliza dados de diversas fontes – incluindo informações meteorológicas, de saúde pública e de satélites – e é uma combinação de modelos menores que avaliam, por exemplo, o transporte de componentes pela atmosfera, a exposição da população pelo mundo e o risco de adquirir câncer.

Segundo Tao, 1,6% dos casos de câncer de pulmão na China deveram-se à exposição a esse composto. Parece um número pequeno, mas levando em consideração a grande população chinesa, o total é expressivo.

Outra pesquisa publicada na revista Environmental Science and Technology analisou a emissão global de 16 tipos de HPA emitidos por 69 fontes diferentes. Os resultados mostraram que 6,19% das emissões podem ser classificadas como carcinogênicas, sendo que o valor se mostrou maior nos países em desenvolvimento (6,22%) do que nos desenvolvidos (5,73%).

Saiba mais sobre o HPA

Existem diversos tipos de HPA, mas o mais estudado é o benzo[a]pireno. No total, ele compõe: naftaleno, acenafteno, acenaftileno, antraceno, fluoreno, fenantreno, fluoranteno, pireno, benzo(a)antraceno, criseno, benzo(b)fluoranteno, benzo(k)fluoranteno, dibenzo(a,h)antraceno, benzo(a) pireno, indeno(1,2,3-cd)pireno e benzo(g,h,i)perileno.

O HPA está entre os poluentes orgânicos persistentes, conhecidos como POPs. Eles são compostos altamente estáveis e que persistem no meio ambiente por muito tempo, resistindo à degradação química e biológica, além de terem a capacidade de bioacumular em organismos vivos. Além disso, um estudo mostrou que esses compostos se multiplicam na luz solar.

Em 2001, durante a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, o HPA foi listado como carcinogênico. Isso porque ele está associado ao aumento da incidência de diversos tipos de câncer, o que evidencia a profunda necessidade de transformação da sociedade.

Como evitar o HPA

  • Dê preferência aos alimentos assados no lugar dos grelhados, pois os assados formam menos HPA;
  • Evite consumir alimentos cozidos ou processados em forno a carvão. Prefira o forno a gás;
  • Evite adicionar óleo de soja ou de milho aos alimentos e evite o consumo de frituras;
  • Prefira alimentos que foram cultivados distantes de estradas e áreas industriais.

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