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Já pensou em fazer seu próprio glitter ecológico em casa e sem peso na consciência? É possível!

Glitter ecológico existe! Você pode fazê-lo em casa ou até mesmo utilizar o “glitter natural“. Mas espera um pouco… Você sabe por que estamos falando sobre glitter ecológico? É porque o glitter convencional é um microplástico e não é nada brilhante para o meio ambiente.

Então encontramos alternativas de glitter que não levam plástico em sua composição, e são biodegradáveis ou naturais, ou seja, alternativas sustentáveis.

Glitter ecológico de gelatina vegetal

Para fazer o glitter ecológico de gelatina é importante adquirir gelatina vegetal, pois ela possui um poder gelificante dez vezes maior que o da gelatina de origem animal. Além disso, a gelatina vegetal, feita com a alga ágar-ágar, não necessita ir à geladeira para ficar firme e também não derrete em temperatura ambiente, como a outra.

Como não é de origem animal, a gelatina de ágar-ágar também é ética para quem se preocupa com os direitos animais, como os veganos. O preço é aparentemente maior que o da gelatina comum, porém, ela rende muito mais, tornando o custo-benefício muito atraente. Para que esse glitter ecológico grude no seu corpo, use alguma base natural como gel de babosa, óleo de coco, entre outras.

Ingredientes:

  • 1 colher de sopa de gelatina vegetal em pó;
  • 1/2 xícara de água de beterraba gelada.

Material:

  • Borrifador de água;
  • Forma lisa;
  • Pincel largo e macio;
  • Microprocessador de alimentos (mixer) ou liquidificador.

Modo de preparo

Para fazer o glitter ecológico de gelatina vegetal você vai precisar de água colorida de beterraba (ou algum outro alimento que dê cor à água, como açafrão-da-terra, spirulina, urucum e carvão ativado). Para isso, cozinhe as beterrabas que irá comer e leve a água restante (que sobrar do cozimento) ao fogo para evaporar até a quantidade reduzir a meia xícara e concentrar bem a cor da beterraba.

Coloque a gelatina em pó num pote de vidro e borrife a água de beterraba gelada uniformemente, sem misturar. Coloque no micro-ondas por 30 segundos, parando a cada dez segundos para misturar. Pincele a gelatina na superfície lisa escolhida – como uma forma, tapete de silicone ou algo do tipo. Deixe secar por no mínimo seis horas. Depois de seco, corte a folha em pedaços menores. Por fim, bata tudo no microprocessador ou liquidificador. Para obter glitter ecológico grande e pequeno utilize uma peneira.

Glitter ecológico
Imagem de Ben Wicks no Unsplash

Glitter ecológico de sal

O legal de fazer glitter ecológico de sal é que o próprio sal pode ser encontrado nas cores branca, rosa e preta. Mas se você quiser criar uma cor diferente o melhor é usar o sal branco. O glitter ecológico de sal não é tão brilhante quanto o de plástico e não gruda sozinho, exigindo uma base natural para fixação.

O ideal é fazer seu corante em casa, mas se não for possível você também pode usar corante alimentício, desses encontrados em lojas para quem faz bolos de festa – certifique-se de que a versão que você for comprar não contém plásticos, já que alguns desses corantes são feitos para partes de bolos que não vão ser comidas, como pasta americana de bolos para decoração.

Ingredientes:

  • 2 xícaras de sal;
  • 1 colher de sopa de gel de babosa;
  • 1 colher de sopa de corante caseiro (ou algumas gotas do comprado, a gosto).

Modo de preparo

Para fazer o glitter ecológico de sal primeiro é preciso preparar o corante. Veja aqui como preparar seu corante caseiro. Depois de pronto, reduza a água do seu corante levando-o ao fogo baixo. Misture-o ao sal e deixe secar bem. Se estiver com pressa, coloque o sal em um coador de voil e seque com secador.

Fixação do glitter ecológico

O glitter ecológico não gruda tão fácil no corpo quanto o de plástico. Para fixar seu glitter ecológico, use algo grudento como o gel natural da babosa ou manteiga de karité. Protetor solar ou bases naturais líquidas também funcionam.

Pó de mica

O pó de mica é uma espécie de “glitter natural“. Isso mesmo, ele ocorre naturalmente no planeta. O pó de mica vem das rochas, então se você lavar no chuveiro e ele voltar para o ambiente não tem problema, pois é de lá que ele veio. O legal de utilizar o pó de mica como glitter ecológico é que ele já vem pronto – apesar de ter um preço um pouco mais elevado que as receitas de glitter ecológico com sal ou gelatina. Ele também é mais fácil de espalhar pelo corpo e já tem uma aderência natural, mas seu aspecto é mais próximo de uma sombra colorida.

É possível encontrar pó de mica nas cores dourada, prateada, branca, preta, marrom, roxa, verde, rosa entre outras. A mica também é conhecida como pigmento em pó, e é muito utilizada na coloração de sabonetes e cosméticos. Ela pode ser encontrada em lojas que vendem itens para produção de cosméticos artesanais.

Outra opção é misturar um pouco do pó de mica com as outras receitas. Depois que o glitter ecológico de sal ou de ágar-ágar já estiver pronto, junte um pouquinho de mica na cor desejada e misture bem. A mica é bem brilhante e vai dar um tom mais próximo do glitter de plástico nas misturas de glitter ecológico.

Glitter vegetal e comestível

Cientistas da Universidade de Cambridge desenvolveram um glitter completamente à base de plantas que pode realmente se biodegradar.

As primeiras versões dessa alternativa foram feitas de polpa de madeira — cujos detalhes você pode ler na revista Nature Materials —, mas qualquer produto vegetal com celulose facilmente extraível pode ser utilizado no processo de confecção do glitter biodegradável, como algodão e cascas de manga, banana e borra de café, diz Silvia Vignolini, professora de química da universidade. (E como é feito apenas de celulose, também pode ser consumido com segurança, dizem os pesquisadores.)

Para fazer com que o glitter de celulose brilhasse não foi necessário adicionar nenhum revestimento de plástico ou camadas de alumínio. Em vez disso, eles usaram um processo chamado “coloração estrutural”, no qual superfícies estruturais microscópicas dobram as ondas de luz de tal forma que produzem pigmentos. As cores estruturais podem ser vistas na natureza, como em uma pena iridescente de pavão ou no azul metálico de do mármore.

“Os nanocristais de celulose são organizados de forma que possam dar cor”, diz Benjamin Droguet, também pesquisador do departamento de química e primeiro autor do artigo. Os nanocristais formam uma estrutura helicoidal, o que significa que as camadas giram como se dispostas em uma espiral. Pense nisso como uma escada, diz ele. “A forma de controlar a cor é simplesmente mudando o tamanho dessas helicoides, para que possamos imaginar uma escada com níveis que estão em distâncias diferentes entre si. Quanto maiores as características, mais longos os comprimentos de onda da luz que serão refletidos ”, o que então muda as cores que vemos.

As partículas de celulose que eles usaram da polpa de madeira formam essas estruturas por meio de um processo chamado automontagem: os cristais de celulose se alinham e depois se retorcem. Mas para realmente transformar isso em glitter, os pesquisadores tiveram que criar filmes de celulose em grande escala, e eles fizeram isso embalando celulose em água. Conforme a água evapora, ela força os materiais a se contraírem, o que leva essa automontagem àqueles em espiral, cores que refletem a luz. Então eles moeram aquela película de celulose colorida em minúsculas partículas do tamanho de purpurina. Como o único ingrediente são as plantas, não importa o que aconteça com a purpurina, ela acabará se biodegradando.

Por que o glitter de plástico é vilão

O glitter convencional é feito de plástico, ou seja, nada mais é do que centenas de pedaços de microplástico. E o microplástico é o pior formato de plástico para a saúde do meio ambiente. Isso porque, uma vez que ele escapa para o ambiente, se torna invisível e entra mais facilmente na cadeia alimentar.

Quando retiramos o glitter no banho, por exemplo, ele é levado pelo encanamento do esgoto e, como todo microplástico, ele é pequeno demais para ser filtrado pelo sistema de tratamento de esgoto, por isso acaba parando em rios e mares.

Quando chega no mar, o glitter viaja por longas distâncias e pode se tornar menor ainda, o que facilita sua absorção pelos seres marinhos e consequente entrada na cadeia alimentar. O pior é que os microplásticos como o glitter absorvem substâncias perigosas para os organismos e, uma vez na cadeia alimentar, seus danos podem ser irreparáveis. Para saber mais sobre esse tema confira as matérias: “Entenda o impacto ambiental do lixo plástico para a cadeia alimentar” e “Glitter é insustentável: entenda e conheça alternativas“.

Se não tiver jeito de evitar o glitter convencional (e também para o glitter que acaba caindo em cima de você durante as festas), procure tirar o máximo possível de glitter com um lenço umedecido (veja como fazer o seu) antes de lavar o rosto ou entrar no banho. Assim você ao menos garante que esse glitter plástico termine no aterro sanitário. Outra opção pode ser colocar um pequeno coador de café de papel no ralo da sua pia ou chuveiro, posicionando-o de modo que ele retenha o glitter ali – e então os microplásticos possam ser descartados no lixo comum.

Importante saber

Lembre-se de que não adianta nada ter o maior trabalho fazendo seu glitter ecológico ou pagar caro em um potinho pronto e usar bolinhas de plástico que imitam pérola ou de outras formas; ou fantasias de carnaval de plástico. Apesar de maiores que o glitter, esses objetos também são microplástico. Se não são, no meio ambiente, um dia serão.

Além disso, fique atento o ano inteiro — não só quando você usa glitter — a respeito dos problemas do plástico no meio ambiente. O glitter representa um porção muito pequena do plástico consumido pela população. Para resolvermos o problema, principalmente do plástico que vai parar nos oceanos, precisamos, enquanto sociedade civil, pensar em mudar o mundo politicamente, o desenho de fabricação, o modo de distribuição das mercadorias, entre outras questões que vão além do nosso papel de consumidor.