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Em alusão ao Dia Internacional da Sanidade Vegetal, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas na intensificação de pragas e doenças de plantas

Por Nações Unidas Brasil Estima-se que anualmente até 40% das colheitas de alimentos já são perdidas por causa de pragas e doenças, cuja disseminação em novas áreas do planeta deve aumentar com as mudanças climáticas, levando à perda de biodiversidade, estragos nas colheitas e redução dos rendimentos de agricultores.

Tais impactos devem ser sentidos de forma desproporcional pelas comunidades mais pobres que dependem da agricultura para sua subsistência.

Durante todo o mês de maio a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) está publicando uma série de conteúdos em alusão ao Dia Internacional da Sanidade Vegetal, comemorado pela primeira vez no último dia 12 de maio. Na data, os líderes da Organização defenderam em um comunicado que proteger a sanidade vegetal é uma tarefa fundamental. 

As plantas são responsáveis por 98% do oxigênio que respiramos e fornecem 80% de nossa ingestão diária de calorias. No entanto, todos os anos, até 40% das colheitas de alimentos são perdidas por pragas e doenças de plantas. Essas perdas – tanto em rendimento quanto em renda – têm um efeito devastador nas comunidades mais pobres que dependem da agricultura para sua subsistência. 

Para tentar reverter este quadro, a FAO estabeleceu o dia internacional para conscientizar os governos sobre a prioridade que deve ser dada à sanidade vegetal e sua gestão sustentável ao formular políticas e legislação. A comemoração também visa chamar atenção das instituições acadêmicas e de pesquisa para o desenvolvimento de soluções baseadas em evidências e as organizações não governamentais e o setor privado sobre a ajuda para capacitação e fornecimento de apoio técnico e financeiro para as melhores práticas de prevenção e manejo de pragas e doenças de plantas.

Outra ação feita pela FAO em parceria com a secretaria da Convenção Internacional para Proteção dasPlantas (IPPC, na sigla em inglês) foi a publicação da “Revisão Científica do Impacto das Mudanças Climáticas nas Pragas de Plantas”(disponível em inglês). A publicação oferece informações abrangentes sobre o impacto das mudanças climáticas na saúde de plantas e contém recomendações sobre medidas para prevenir pragas e doenças de plantas.

Globalização – Pragas e doenças de plantas não conhecem fronteiras. Em um mundo cada vez mais globalizado e interconectado, não é surpresa que elas possam se deslocar e colonizar novas áreas. As mudanças climáticas estão acentuando essa disseminação ao criar condições favoráveis para essas pragas e para a sobrevivência de certas doenças de plantas em novas áreas. Por exemplo, a mudança climática já contribuiu para expandir a gama de pragas, como o Gorgulho-da-palma-vermelha, a lagarta do cartucho, a mosca das frutas, o gafanhoto-do-deserto e a broca cinza-esmeralda. 

O aumento de pragas representa uma grande ameaça ao meio ambiente, especialmente das pragas invasoras, que podem causar perda de biodiversidade. As doenças de plantas são igualmente devastadoras, causando estragos nas colheitas e reduzindo os rendimentos dos agricultores. 

A propagação de doenças e pragas de plantas aumenta devido ao aquecimento global
Legenda: A propagação de doenças e pragas de plantas aumenta devido ao aquecimento global.Foto: © Petterik Wiggers/FAO

A FAO listou cinco doenças cada vez mais perigosas que ameaçam a saúde das plantas e tornaram-se ameaças ainda maiores devido à crise climática:

Requeima da batata – A requeima é uma doença causada pelo fungo Phytophthora infestans que prejudica o cultivo de batatas e tomates. Nos tomates, a doença causa lesões nas folhas, pecíolos e caules, enquanto os tubérculos de batata desenvolvem uma podridão de até 15 milímetros de profundidade. O fungo tem uma grande capacidade de adaptação às mudanças de condições, preferindo estações quentes e úmidas. As mudanças climáticas estão criando condições favoráveis para este fungo em momentos e lugares diferentes do que os vistos anteriormente. Por exemplo, no Egito, as condições climáticas, que são cada vez mais quentes e úmidas, estão favorecendo as epidemias de requeima da batata, permitindo que o patógeno se desenvolva mais cedo na estação agrícola. 

Ferrugem do cafeeiro – Essa doença fúngica, também conhecida como Hemileia vastatrix, afeta as folhas do cafeeiro. Começa com manchas amarelas e depois se transforma em um pó amarelo-alaranjado que contamina facilmente outras plantações de café. A ferrugem do cafeeiro é um dos maiores desafios para a produção global de café pois a doença é capaz de se adaptar a diferentes climas. O aquecimento global parece ajudar a reduzir o período de incubação do patógeno, o que significa que mais gerações do patógeno podem se desenvolver em uma temporada agrícola.

Murcha de Fusarium – É uma doença fúngica letal causada pelo fungo do solo Fusarium oxysporum TR4. Ao entrar na bananeira através das raízes, o fungo bloqueia o fluxo de água e nutrientes para as células da planta, destruindo gradualmente suas folhas. Por fim, esta doença leva à morte da planta. Altas temperaturas e eventos climáticos extremos, como ciclones, ambos efeitos comuns das mudanças climáticas, podem aumentar o risco de murcha de Fusarium na banana.

Xylella fastidiosa- A Xylella fastidiosa é uma bactéria transmitida por várias espécies de insetos sugadores de seiva, como a cigarrinha, que infecta diversas culturas de importância econômica —como videiras, cítricos, oliveiras, amendoeiras, pessegueiros e café—, plantas ornamentais e florestais. A bactéria bloqueia a capacidade do hospedeiro de absorver água, causando uma seca interna. A Xylella é predominante principalmente nas Américas, no sul da Europa e no Oriente Próximo, mas tem potencial para se expandir além de sua distribuição atual. O aumento das populações de insetos vetores pode levar a uma séria expansão desta doença. 

Míldio da videira – Causado pelo fungo Plasmopara viticola, o míldio da videira é uma doença fúngica extremamente grave das uvas que pode causar grandes perdas nas colheitas. O patógeno ataca as partes verdes da videira, principalmente as folhas, causando lesões angulares, amareladas e às vezes oleosas entre os nervos. O aumento da temperatura do ar favorece o aparecimento da doença. O risco de surtos graves de míldio da videira está aumentando à medida que as mudanças climáticas alteram as temperaturas em muitas regiões.

Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.