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Sistema de agroflorestas é mais vantajoso na produção de orgânicos, segundo técnicos

O termo “agrofloresta” foi criado para designar um uso especial da terra que envolve o manejo intencional de árvores. Através da introdução e mistura de árvores ou arbustos nos campos de produção agrícola ou pecuária, obtêm-se benefícios a partir das interações ecológicas e econômicas que acontecem nesse processo.

Existem muitas variações nas práticas que caem na categoria de agrofloresta. Na agrossilvicultura, as árvores são combinadas com culturas agrícolas; em sistemas silvipastoris, elas são combinadas com produção animal e em sistemas agrossilvipastoris o produtor maneja uma mescla de árvores, culturas e animais. Vale ressaltar que a incorporação de árvores em sistemas de produção de alimentos é uma prática com longa história.

Vantagens do sistemas agroflorestais em comparação às monoculturas

Diferente da monocultura, os sistemas agroflorestais possuem composição variada, com cerca de dez a vinte espécies, resultando em diversas colheitas ao longo do ano. Além de possuir benefícios econômicos que permitem que o agricultor diversifique sua produção, esse sistema também gera benefícios sociais, uma vez que ajuda a fixar os trabalhadores no campo. Além disso, os sistemas agroflorestais também apresentam diversas vantagens para o meio ambiente, tais como:

  • Aumento da biodiversidade;
  • Diminuição da erosão;
  • Conservação das nascentes;
  • Aumento da biomassa;
  • Redução da acidez;
  • Preservação da fertilidade e produtividade do solo.

Com tantas vantagens, os sistemas agroflorestais são considerados uma boa alternativa para a utilização racional dos recursos naturais renováveis, minimizando os impactos negativos da agricultura sobre o meio ambiente, ao mesmo tempo em que representam uma solução com resultados socioeconômicos positivos.

Sistema de agroflorestas na produção de orgânicos

A produção de alimentos orgânicos em sistemas agroflorestais vêm ganhando destaque entre produtores rurais e pode ser mais vantajosa em longo prazo. Segundo o extensionista rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), Rafael Lima de Medeiros, a agrofloresta é um ambiente mais equilibrado do ponto de vista biológico e também um sistema mais vantajoso para o agricultor que sempre vai ter lucro com alguma colheita da área.

Para produzir alimentos orgânicos não é permitido ao agricultor o uso de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos e transgênicos na lavoura, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E mais que isso, o processo de produção deve respeitar as relações sociais e culturais e seguir os princípios agroecológicos, com o uso sustentável dos recursos naturais.

A produtora rural Silvia Pinheiro dos Santos adotou esse sistema em sua propriedade de 21 hectares no Núcleo Rural Alexandre Gusmão, na região de Brazlândia, no Distrito Federal. As verduras, frutas e madeiras de lei estão plantadas juntas, em consórcio, e, segundo Silvia, a biodiversidade é tão grande que evita muitas pragas e dá mais saúde para os vegetais. No terreno crescem, entre outras plantas, a hortelã, que afasta os insetos, e o feijão-guandú, capaz de fixar o nitrogênio no solo.

“Horta é a atividade que menos dá dinheiro, a que dá mais é a fruta e o mais rentável é a madeira. Então a ideia é aposentar com aquilo ali”, diz Silvia, apontando para as árvores. “Conforme a madeira vai crescendo vamos escolhendo o que vai ficando. As hortaliças são de imediato e é o que nós comemos”, completou.

Evolução do orgânico

Silvia conta que a propriedade está há mais de 40 anos na família e que até dez anos atrás a área era toda de pasto para o gado. “Hoje temos gado, ovelha e agrofloresta. O gado não é problema, o problema é tirar tudo para colocar o pasto. Nós fizemos a agrofloresta de um jeito que daqui a um tempo vamos criar o gado lá, porque plantamos inclusive a fruta que o gado gosta de comer”, disse.

Para Silvia, os sistemas agroflorestais são uma evolução dos orgânicos. “No orgânico há ainda quem plante como na cultura tradicional, uma só espécie, e o produto fica mais caro porque não se pode aplicar nada, então precisa de muita gente para fazer a limpeza. No agroflorestal, você só induz a natureza, então vai poder ter um preço mais competitivo”, disse, acrescentando que utiliza a própria poda das árvores e o húmus produzido no sítio como adubos para as plantas.

Agroecologia prioritária

O engenheiro agrônomo da Emater-DF, Rafael Lima de Medeiros, conta que o mercado de orgânicos está crescendo e a Emater já trabalha o programa de agroecologia como prioritário. “No Distrito Federal, a produção está crescendo, mas as propriedades orgânicas ainda são uma parcela muito pequena. Temos mais de cinco mil propriedades rurais e pouco mais de 150 são orgânicas. Mas o número de feiras orgânicas está crescendo e mais agricultores querem aderir a essa venda”, observou.

Medeiros conta ainda que a Emater trabalha também para atingir o agricultor convencional, para que ele passe a utilizar práticas mais sustentáveis, diminuindo o uso de agrotóxicos. “Eles começam a se adequar e, no futuro, isso pode servir de incentivo para que passem definitivamente para a produção orgânica”, completou.



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