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Documento é resultado de pesquisa conduzida pelo Grupo de Trabalho de Gênero do Global Research Council – órgão que reúne os líderes das principais agências de fomento à pesquisa do mundo. Levantamento foi coordenado pela FAPESP e pela NRF, da África do Sul

Agência FAPESP – O Global Research Council (GRC) – órgão que reúne os líderes das principais agências de fomento à pesquisa do mundo – divulgou um relatório global sobre participação de gênero na pesquisa científica.

Intitulado Gender-Disaggregated Data at the Participating Organisations of the Global Research Council: Results of a global survey, o documento foi apresentado durante a 9ª Reunião Anual do GRC, promovida pela National Research Foundation of South Africa (NRF) e pela UK Research and Innovation (UKRI) entre os dias 24 e 28 de fevereiro, em formato on-line.

O relatório é resultado de pesquisa realizada entre setembro e dezembro de 2019, sob a liderança da NRF e da FAPESP, no âmbito do Grupo de Trabalho de Gênero (GWG), constituído pelo GRC em 2017. O documento reúne informações sobre coleta, análise e disseminação de dados desagregados sobre gênero e outras dimensões da diversidade por 65 das 128 organizações que integram o GRC.

“O relatório oferece a oportunidade de benchmarking para as organizações participantes do GRC e um melhor entendimento das necessidades de diferentes sistemas de pesquisa”, diz Ana Maria Fonseca de Almeida, colíder do grupo GWG.

Entre os objetivos do GRC estão promover o compartilhamento de dados e melhores práticas para colaboração de alta qualidade entre agências ao redor do globo. O Conselho está empenhado em promover a igualdade de gênero na pesquisa e, especialmente, em catalisar o diálogo e ações entre as organizações participantes, alinhado à Declaração de Princípios e Ações para a igualdade e o status das mulheres, de 2016.

Como destacam Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, e Andrew Thompson, da UKRI, que assinam o prefácio do relatório, a pesquisa mostrou que as organizações integrantes do GRC reconhecem a importância de desenvolver ações apropriadas com relação a gênero na pesquisa, assim como o papel catalisador das agências para promover mudanças nessa área. Mostrou também que contexto importa, o que leva a uma importante variação no escopo e tipo dos dados desagregados coletados, como também nas práticas de coleta e de comunicação desses dados entre as regiões.

De acordo com a pesquisa, 88% das organizações coletam algum tipo de dado sobre o número de homens e mulheres na pesquisa, inclusive fora da função de concessão de recursos, sendo que a maioria começou a coletar dados desagregados por sexo ou gênero a partir de 2004.

As informações dão conta de que 82% das organizações de fomento coletam dados desagregados por sexo/gênero nas solicitações de financiamento e 77% coletam dados sobre o sexo/gênero do Pesquisador Principal de um projeto financiado. No entanto, existem diferenças regionais, com as organizações da África Subsaariana, Oriente Médio e Norte da África e Ásia-Pacífico tendendo a coletar dados apenas sobre pedidos de financiamento.

Respectivamente, apenas 15% e 9% das 65 organizações que responderam à pesquisa coletam dados sobre a integração das considerações de sexo e gênero no processo de produção da pesquisa (desenho e métodos) e no processo de disseminação (comunicação e uso dos resultados), sendo a Europa uma região líder nesse domínio.

A maioria das organizações coleta dados desagregados por gênero com foco nos indicadores de desempenho, principalmente em dois indicadores específicos: pedidos de financiamento e Pesquisador Principal de um projeto financiado.

Há uma tendência crescente entre várias organizações participantes do GRC, embora ainda em porcentagem pequena, de coletar outros dados além do gênero, sendo etnia e deficiência preponderantes entre os aspectos-chave relacionados à diversidade e aos grupos que buscam equidade.

Além disso, há também uma tendência positiva em relação às políticas e diretrizes sobre assédio sexual e bullying: 54% das organizações têm uma política interna sobre isso e 22% já tomaram posição sobre assédio ou bullying em ambientes fora da organização.

À luz dessas conclusões, o Grupo de Trabalho de Gênero do GRC recomenda que as organizações participantes continuem a coletar dados desagregados por gênero para as solicitações, análises e financiamento, e que integrem essa coleta em todo o processo de análise de solicitações de financiamento e de gestão dos recursos; e que desenvolvam e expandam continuamente indicadores consistentes para apoiar os esforços de análise comparativa.

O GWC recomenda que as organizações também coletem dados e produzam relatórios sobre outros aspectos da diversidade, em especial sobre outros grupos que buscam equidade; que prestem especial atenção às contribuições acadêmicas relacionadas à dimensão de gênero (e outros aspectos da diversidade e inclusão) na pesquisa e que se envolvam em peer learning initiatives (iniciativas de aprendizagem entre pares), de forma a trazer esse aprendizado para o contexto da própria agência, incluindo o desenvolvimento de diretrizes para orientar a integração da análise de gênero e diversidade na pesquisa, de forma adaptada para atender às necessidades dos financiadores de pesquisa, dos pesquisadores e assessores de maneira inclusiva.

O GWG vai continuar a apoiar e a facilitar o compartilhamento de boas práticas entre os participantes do GRC, com o objetivo de que todas as organizações e regiões possam utilizar esse relatório, seus achados e recomendações para promover mudanças nas várias dimensões da equidade, diversidade e inclusão.

O relatório está disponível em www.globalresearchcouncil.org/fileadmin/documents/GRC_Publications/Survey_Report__GRC_Gender-Disaggregated_Data.pdf.