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Estudo aponta que ultraprocessados já representam dois terços da ingestão calórica total de crianças e adolescentes nos Estados Unidos

Segundo um novo estudo, publicado hoje (10) na revista científica JAMA, as calorias obtidas por meio de alimentos ultraprocessados por crianças e adolescentes saltaram de 61 para 67% entre 1999 e 2018. Atualmente, eles representam dois terços da ingestão calórica total do público na faixa etária entre 2 e 19 anos.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Friedman School of Nutrition Science & Policy da Tufts University, nos Estados Unidos. A porcentagem de calorias consumidas pelos participantes foi determinada por meio do sistema de classificação de alimentos NOVA, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Fang Fang Zhang, epidemiologista nutricional da instituição e um dos autores do estudo, alguns pães integrais e alimentos lácteos ultraprocessados são mais saudáveis ​​do que outros tipos de ultraprocessados. O processamento pode manter os alimentos mais frescos por mais tempo, além de permitir a fortificação e o enriquecimento dos alimentos e aumentar a conveniência do consumidor.

No entanto, muitos alimentos ultraprocessados ​​contêm açúcar e sal em grandes quantidades e menos fibras do que alimentos não processados ​​ou minimamente processados. Por isso, o aumento do consumo por crianças e adolescentes é preocupante.

Maiores responsáveis pelo aumento

O maior pico de calorias veio de pratos prontos ou congelados, como pizza e hambúrgueres, cujo consumo subiu de 2,2% para 11,2% das calorias durante o período analisado. O segundo maior aumento de calorias veio de doces embalados e sobremesas, cujo consumo cresceu de 10,6% para 12,9%.

Houve um aumento maior no consumo de alimentos ultraprocessados ​​entre negros não hispânicos (10,3%) e mexicanos americanos (7,6%) do que entre brancos não hispânicos (5,2%). As tendências em outros grupos raciais/étnicos não foram avaliadas, porque faltavam dados que permitissem estimativas representativas em nível nacional ao longo dos ciclos de pesquisa.

Não houve diferenças estatisticamente significativas nos resultados gerais por educação dos pais e renda familiar. “A falta de disparidades com base na educação dos pais e na renda familiar indica que os alimentos ultraprocessados ​​são comuns na dieta das crianças”, disse Zhang ao jornal da Tufts University. “Essa descoberta apoia a necessidade de os pesquisadores rastrearem as tendências no consumo de alimentos de forma mais completa, levando em consideração o consumo de alimentos ultraprocessados”, afirmou ele.

Durante o período de estudo, a ingestão de calorias obtidas com o consumo de alimentos mais saudáveis ​​(não processados ​​ou minimamente processados ​) caiu de 28,8% para 23,5%. A porcentagem restante veio de alimentos moderadamente processados, como queijo e frutas e vegetais enlatados, e intensificadores de sabor adicionados pelo consumidor, como açúcar, mel, xarope de bordo e manteiga.

Consumo de refrigerante em queda

O estudo também trouxe boas notícias: a ingestão de calorias das bebidas adoçadas com açúcar caiu de 10,8% para 5,3% do total de calorias entre 1998 e 2018, representando uma queda de 51%.

“Esta descoberta mostra os benefícios das campanhas empreendidas nos últimos anos para reduzir o consumo geral de bebidas açucaradas, como refrigerantes”, disse Zhang. “Precisamos mobilizar a mesma energia e nível de compromisso quando se trata de outros alimentos ultraprocessados ​​não saudáveis, como bolos, biscoitos, donuts e brownies“.

“Em análises adicionais, comparamos a composição de alimentos ultraprocessados ​​com alimentos não ultraprocessados ​​usando dados do período de 2017 a 2018. Com isso, descobrimos que alimentos ultraprocessados ​​contêm uma porcentagem substancialmente maior de calorias de carboidratos e açúcares adicionados, além de níveis mais elevados de sódio. Esses produtos também contêm menos fibras e uma porcentagem menor de calorias provenientes de proteínas”, disse Lu Wang, coautor do estudo.

“O processamento de alimentos é uma dimensão frequentemente esquecida na pesquisa nutricional. Precisamos considerar que o ultraprocessamento de alguns alimentos pode estar associado a riscos à saúde, independentemente do perfil nutricional pobre dos alimentos ultraprocessados ​​em geral”, concluiu Zhang.

O que são ultraprocessados?

Alimentos ultraprocessados ​​são itens prontos para comer ou para aquecer, geralmente com alto teor de açúcar, sódio e carboidratos adicionados e com baixo teor de fibras, proteínas, vitaminas e minerais. Eles normalmente contêm açúcares adicionados, óleos hidrogenados e intensificadores de sabor.

Alguns exemplos incluem lanches, doces embalados, cereais matinais açucarados, batatas fritas, hambúrgueres de fast-food e embutidos, como mortadela e salame. Quando consumidos em excesso, esses alimentos aumentam o risco de diabetes, obesidade e outras condições médicas graves, como certos tipos de câncer.