O que é Restauração Ecológica?

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Restauração Ecológica é o processo de auxílio ao restabelecimento de um ecossistema que foi degradado, danificado ou destruído

Restauração Ecológica
Imagem de EnviroHope1 por Pixabay

A Restauração Ecológica pode ser entendida como a atividade de recuperação da saúde, integridade e sustentabilidade de um ecossistema. Frequentemente, o ecossistema que necessita de restauração foi degradado, perturbado, transformado ou destruído como resultado direto ou indireto de ações humanas. Em alguns casos, esses impactos foram causados ou agravados por agentes naturais como enchentes, tempestades ou erupções vulcânicas a um ponto no qual o ecossistema não pode recuperar seu estado anterior à perturbação.

O que é Restauração Ecológica e como funciona?

A Restauração Ecológica é definida como um processo de alteração intencional de um habitat para que seja possível estabelecer um ecossistema definido, natural e histórico do local. O objetivo desse processo é imitar a estrutura, função, diversidade e dinâmica do ecossistema que existia originalmente nesse ambiente. A Restauração Ecológica é induzida pelo ser humano para recuperar as condições ambientais de um ecossistema perturbado, e inclui um trabalho com a vegetação, fauna, flora, clima, solo, água e micro-organismos.

Para que o procedimento seja bem sucedido é fundamental que haja uma combinação de conhecimentos científicos de inúmeras áreas, como a ecofisiologia das espécies, a dinâmica dos nutrientes e o resgaste histórico e natural do ecossistema. Outro ponto importante para que o processo de Restauração Ecológicade um ecossistema natural tenha êxito é a capacidade do sistema ser auto-sustentável tanto em termos ecológicos como em termos sociais, possibilitando a geração de recursos para as comunidades ao entorno.

Como saber se a Restauração Ecológica foi alcançada?

De acordo com um estudo, pode-se dizer que um ambiente foi restaurado e recuperado quando passa a contar com recursos suficientes para se desenvolver mesmo sem assistência ou subsídio. O ecossistema deve ter como se sustentar sozinho de forma estrutural e funcional. Além disso, ele deve interagir de forma positiva com o meio ao redor.

Existem nove atributos que fornecem uma base para determinar quando a Restauração Ecológica foi alcançada, segundo a Society for Ecological Restoration International (Sociedade Internacional para a Restauração Ecológica, em tradução livre). A expressão de todos os atributos não é essencial para provar uma restauração. Ao contrário, eles apenas demonstram um caminho adequado ao desenvolvimento do projeto.

Ainda de acordo com a instituição, alguns atributos são facilmente mensuráveis. Outros precisam ser avaliados indiretamente, incluindo a maior parte das funções de ecossistemas, que não podem ser estimadas sem esforços de pesquisa que excedem as capacidades e orçamentos da maior parte dos projetos de restauração.

  1. O ecossistema restaurado contém um conjunto característico de espécies que ocorrem em ecossistemas de referência;
  2. O ecossistema restaurado é formado em sua maior parte por espécies nativas. Admite-se espécies exóticas domesticadas que não atrapalhem o desenvolvimento das espécies nativas. Plantas ruderais, isto é, que colonizam áreas perturbadas também são importantes na restauração;
  3. Os grupos funcionais necessários para o desenvolvimento contínuo ou estabilidade do ecossistema restaurado são representados por espécies capazes de colonizar meios naturais;
  4. O ambiente físico do ecossistema restaurado é capaz de sustentar suficientes populações reprodutivas de espécies para sua estabilidade continuada ou desenvolvimento ao longo da trajetória desejada;
  5. O ecossistema restaurado funciona normalmente para seu estágio ecológico de desenvolvimento e não há sinais de disfunção;
  6. O ecossistema restaurado é integrado em uma ampla paisagem ou matriz ecológica que interage através de trocas e fluxos bióticos e abióticos;
  7. Ameaças potenciais da paisagem circundante à saúde e integridade do ecossistema restaurado foram eliminadas ou reduzidas ao máximo possível;
  8. O ecossistema restaurado é resiliente para suportar eventos estressantes normais e periódicos no ambiente local que servem para manter a integridade do ecossistema;
  9. O ecossistema restaurado é auto-sustentado no mesmo grau que seu ecossistema de referência e tem o potencial de persistir sob as condições ambientais existentes. Além disso, aspectos da sua biodiversidade, estrutura e funcionamento podem mudar como parte do desenvolvimento normal de um ecossistema, e podem variar em resposta a estresses periódicos normais e perturbações ocasionais. Assim como em qualquer ecossistema intacto, a composição de espécies e outros atributos de ecossistemas restaurados pode evoluir conforme mudem as condições ambientais.

Outros atributos podem ser adicionados à lista se forem identificados como metas para projetos de Restauração Ecológica. Além disso, todo projeto de restauração deve ter um ecossistema como referência. Um ecossistema referência serve como modelo para o planejamento de um projeto de restauração e para sua avaliação. Em sua versão mais simples, a referência é um local, sua descrição escrita ou ambos.

As seguintes informações podem ser utilizadas para descrever a referência:

  • Descrições ecológicas, listas de espécies e mapas da área do projeto antes de ser perturbada;
  • Fotografias antigas e recentes, tanto aéreas como terrestres;
  • Remanescentes da área a ser restaurada, indicando as condições físicas anteriores e a biota;
  • Descrições ecológicas e listas de espécies para ecossistemas semelhantes e que não sofreram perturbação;
  • Relatos históricos e testemunhos de pessoas familiarizadas com a área do projeto;
  • Evidências paleoecológicas, como carvão vegetal, história dos anéis de crescimento das árvores e estrume de roedores.

Monitoramento e avaliação da Restauração Ecológica

Um projeto de restauração corretamente planejado procura atingir objetivos propostos que refletem atributos importantes do ecossistema de referência. Os objetivos são alcançados a partir de metas específicas.

Devem ser feitas duas perguntas fundamentais a respeito da avaliação de um ecossistema restaurado: os objetivos foram alcançados? As metas foram cumpridas? As respostas às duas perguntas são consideradas válidas, desde que as metas e objetivos tenham sido estruturados antes da execução do trabalho relativo ao projeto de restauração. Vale ressaltar que nenhum ecossistema é idêntico a outro, ao menos se forem examinados em detalhe. Por isso, nenhum ecossistema restaurado pode ser idêntico a uma referência.

Segundo estudo, há três estratégias para a condução de uma avaliação: comparação direta, análise de atributos e análise de trajetória. Na comparação direta, parâmetros selecionados são determinados ou medidos na referência e nos locais da restauração. Se a descrição da referência é completa, 20 ou 30 parâmetros podem ser comparados, incluindo fatores bióticos e abióticos.

Na análise de atributos, eles são avaliados em relação à lista que fornece uma base para determinar quando a Restauração Ecológica foi alcançada. Nessa estratégia, dados quantitativos e semiquantitativos do monitoramento programado e de outros inventários são úteis para julgar o grau em que cada objetivo foi atingido.

Por fim, a análise de trajetória é uma estratégia promissora para interpretar grandes conjuntos de dados comparativos. Nela, dados coletados periodicamente na área em restauração são traçados para estabelecer tendências. Assume-se que as tendências que conduzem às condições de referência confirmam que a restauração está seguindo a trajetória desejada.



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