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Os territórios indígenas representam 37% da bacia amazônica peruana. Dentro destas unidades, 98% da cobertura vegetal natural presente em 1985 esta conservada

Por Map BiomasA bacia amazônica peruana sofreu grandes mudanças nos últimos 36 anos, como a perda de 28,6 mil km2 de cobertura vegetal natural. Esta alteração inclui a perda de 19.000 km2 de floresta e de 10.000 km2 de formação natural não florestal, de acordo com os resultados para o Peru do estudo MapBiomas Amazônia sobre mudanças na cobertura e uso da terra na região entre 1985 e 2020.

Segundo Nicole Moreno do Instituto del Bien Común (IBC), esta transformação acelerada da Amazônia peruana deve-se principalmente à ação humana, que gerou, por exemplo, um aumento de 61% na área utilizada para atividades agrícolas (26.000 km2), um aumento de 5,8 vezes na área utilizada para mineração (624 km2) e um aumento de 2,8 vezes na infraestrutura urbana (478 km2).

A análise do Mapbiomas Amazônia para o Peru foi apresentada nesta sexta-feira (18) pelo Instituto del Bien Común (IBC) em uma publicação com dados detalhados sobre as mudanças ocorridas nos últimos 36 anos na cobertura natural da bacia amazônica peruana.

Segundo Richard Smith, membro da Assembleia do IBC, “este documento, conquistado graças ao progresso da tecnologia e ao grande esforço da equipe técnica da Raisg, revela a dinâmica de mudança na região, tornando possível identificar as áreas onde essas mudanças significaram a perda de grandes áreas de floresta e outras coberturas naturais, e aquelas onde a natureza permanece intacta. A análise contribui para fortalecer as mensagens que temos construído sobre as transformações dramáticas que estão ocorrendo na bacia amazônica peruana e na Amazônia em geral, que estão levando a um ponto de não retorno para esta região que, como a maior floresta tropical contínua do planeta, desempenha um papel tão importante na regulação climática”.

De acordo com a fronteira de Raisg para o Peru, a bacia amazônica peruana cobre 75% do território nacional (96,6 mil km2) e compreende o bioma Amazônia (80% da bacia) e o bioma Andes (20%). A análise da mudança de cobertura no bioma andino, que corresponde às cabeceiras dos rios amazônicos, mostra uma perda de 49% das geleiras nos Andes peruanos no período analisado (1985-2020). “Este recuo das geleiras, principalmente atribuível à mudança climática, é muito preocupante, pois a curto prazo este fenômeno significa a perda de fontes de água para as comunidades, e a médio e longo prazo pode comprometer a hidrologia da bacia”, diz Efraín Turpo, especialista do IBC.

As áreas naturais protegidas ocupam 21% da bacia amazônica peruana. A perda de cobertura vegetal natural nessas unidades durante o período estudado foi de 1000 km2 (0,4%), dos quais 500 km2 correspondem à expansão das atividades agrícolas.


Territórios indígenas

Os territórios indígenas representam 37% da bacia amazônica peruana. Dentro destas unidades, 98% da cobertura vegetal natural presente em 1985 esta conservada. Ou seja, nos 36 anos seguintes 2% dela foi perdida (7.000 km2), sendo a principal causa da mudança a expansão da atividade agrícola (aproximadamente 6.000 km2).  

Luis Hallazi, especialista do IBC, adverte sobre as possíveis repercussões do impacto das pressões sobre os territórios indígenas: “Apesar das crescentes pressões e ameaças a esses territórios, as populações indígenas retardaram significativamente o avanço do desmatamento e da degradação das florestas em comparação com o que aconteceu em suas áreas vizinhas. Nossa preocupação é que nos próximos anos seu bom manejo e sua ligação com as florestas não sejam ferramentas suficientes para a conservação; portanto, exigimos seu reconhecimento e a presença de autoridades locais, regionais e nacionais para implementar planos de ação que contribuam para a conservação das florestas”. 

Coleção 3.0

Os dados da bacia amazônica peruana foram extraídos do Mapa Anual de Cobertura e Uso da Terra da Amazônia 3.0, apresentado ao público em setembro de 2021. A Rede Amazônica de Informação Socioambiental Geo-referenciada (Raisg) gerou esses dados através do MapBiomas Amazônia, uma ferramenta de mapeamento que permite monitorar as mudanças no uso da terra em toda a Amazônia e rastrear as pressões sobre suas florestas e ecossistemas naturais. A coleção 3.0 reúne mais de três décadas de história da cobertura e uso da terra amazônica em mapas anuais de 1985 a 2020, com uma resolução de 30 metros.

Todas as informações podem ser visualizadas através de mapas regionais, nacionais e mesmo locais, identificando áreas cobertas por florestas, campos naturais, mangues, agricultura e pecuária, e rios, entre outras categorias. A plataforma está localizada em amazonia.mapbiomas.org.