O que são limites planetários?

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Cientistas desenvolvem conceito de nove limites planetários que não devemos ultrapassar para preservar o planeta

limites planetários

Todos sabemos a importância do meio ambiente para a sobrevivência do ser humano e, por isso, há a preocupação crescente em preservá-lo. No entanto, temos vivido épocas de grandes impactos ambientais, com o desmatamento, a poluição e o aquecimento global. Colocando todas as cartas na mesa, não há como negar que o planeta precisa de cuidados com urgência, afinal, até quando a vida na Terra suportará agressões sem entrar em colapso? Até quando a espécie humana suportará sofrer as consequências de seus próprios impactos? Qual é o limite seguro para as ações humanas?

Pensando em tais questões, em 2009, um grupo de cientistas liderado pelo Stockholm Resilience Centre (SRC) identificou nove dos chamados “limites planetários” - eles são, como o nome já diz, limites ambientais seguros dentro dos quais a humanidade pode se desenvolver sem que os impactos causados ao meio ambiente sejam irreversíveis. Os limites planetários levam em conta a taxa de resiliência do planeta, ou seja, a capacidade do planeta retornar ao seu estado natural após uma perturbação.

Praticamente três dos nove limites já foram ultrapassados, sendo eles a perda de biodiversidade, as mudanças climáticas e as alterações do ciclo do nitrogênio (que é uma subdivisão do limite planetário "ciclos biogeoquímicos"). Em janeiro de 2015, a revista Science publicou um estudo que mostra o quarto limite: os abusos no uso da terra. Em seguida, há a acidificação dos oceanos, o ciclo do fósforo (segunda subdivisão dos "ciclos biogeoquímicos"), as mudanças no uso da água e a degradação da camada de ozônio. Para os dois últimos limites, que são o carregamento de aerossóis para a atmosfera e a poluição química, ainda não foram bem quantificadas as taxas atuais para que fossem comparadas aos seus respectivos limites, o que demanda maiores estudos nestas áreas.

Para deixar mais claro, listamos abaixo os limites:

  1. Perda da biodiversidade
  2. Mudanças climáticas
  3. Ciclos biogeoquímicos (ciclo do nitrogênio e ciclo do fósforo)
  4. Abusos no uso da terra
  5. Acidificação dos oceanos
  6. Mudanças no uso da água
  7. Degradação da camada de ozônio
  8. Carregamento de aerossóis para a atmosfera
  9. Poluição química

Inter-relação

Tratar de limites planetários e tentar minimizar os impactos da ação humana sobre eles é desafiador, principalmente quando uma das fronteiras é extrapolada. Isto se deve ao fato de que, como já sabemos, tudo é inter-relacionado no ecossistema terrestre. Impactos significativos em uma fronteira podem, por consequência, causar danos a uma outra.

Por exemplo: a degradação da camada de ozônio permite que radiações ultravioletas atinjam a superfície da Terra; já o carregamento de aerossóis para a atmosfera faz com que estas partículas atuem absorvendo ou espalhando a radiação solar, ambos ocasionando em mudanças climáticas.

Por sua vez, mudanças climáticas podem, por exemplo, influenciar nos tipos de uso da terra, criando condições físicas para a agricultura em lugares que antes eram frios demais para a prática. Já as mudanças no uso do solo, como o desmatamento, podem causar secas em outras regiões, o que influencia no uso da água. Outra consequência das mudanças no uso da terra através da agricultura é uma utilização mais ampla de fertilizantes e agrotóxicos, que podem afetar os ciclos biogeoquímicos do fósforo e nitrogênio e, ao atingir os cursos d'água, ocasionam a eutrofização e a consequente perda de biodiversidade naquele ambiente.

Podemos ainda incluir a acidificação dos oceanos na relação. Além de causar a perda de biodiversidade por prejudicar organismos calcificantes, a diminuição do pH torna alguns nutrientes essenciais mais disponíveis ao fitoplâncton, que produz assim mais dimetilssulfeto, substância que, quando carregada para a atmosfera auxilia na formação de nuvens que, por sua vez, refletem a radiação solar controlando o aquecimento global e as mudanças climáticas.

A imagem abaixo demonstra as nove fronteiras. As áreas verdes simbolizam o espaço seguro para o desenvolvimento humano e as áreas vermelhas representam o nível de cada impacto em relação a esses limites. A não representa a extrapolação da quarta fronteira planetária (uso da terra), apenas das três primeiras a serem ultrapassadas (mudança climática, ciclo biogeoquímico do nitrogênio e perda de biodiversidade).

A oficina

Em 4 e 5 de novembro de 2013, em Genebra, na Suíça, foi realizada a oficina internacional “Fronteiras planetárias e pontos de ruptura ambientais: o que eles significam para o desenvolvimento sustentável e a agenda global?”, que foi destinado a cientistas, especialistas governamentais e às partes interessadas.

Durante a oficina, alguns pontos-chave foram debatidos. Alguns deles são:

  • Consenso sobre as fronteiras: havia a necessidade de se entrar em um acordo sobre as fronteiras que delimitam o espaço seguro para o desenvolvimento humano.
  • Futuro: foi levantada a necessidade de se planejar estratégias a serem aplicadas nos anos seguintes. Estratégias que se baseassem em ideais de sustentabilidade ambiental.
  • Mais estudos: foi debatida a necessidade de mais estudos para que fossem quantificados os impactos em relação a cada fronteira.
  • União: ficou clara também a necessidade de união entre cientistas sociais e cientistas naturais para que seja encontrada uma forma de comunicar os resultados ao público de forma que seja estimulada uma mudança de atitude.

Proposta e justificativa

A proposta do conceito dos limites planetários é reconectar o nosso desenvolvimento econômico e social com a biosfera em uma abordagem preventiva para o desenvolvimento sustentável.

A justificativa para a realização do workshop foi a necessidade de avanços em relação à compreensão dos limites biofísicos do desenvolvimento global para que fosse possível adotar decisões mais conscientes e formulação de políticas mais ambientalmente amigáveis.

Os objetivos da oficina foram:

  • Conscientizar sobre a importância dos limites planetários para o desenvolvimento sustentável e para o desenvolvimento da agenda global.
  • Facilitar o reconhecimento da necessidade de considerar a sustentabilidade ambiental em conjunto com os setores social e econômico.
  • Proporcionar uma discussão sobre os limites planetários e suas inter-relações, pontos de ruptura ambientais e desenvolvimento sustentável

A oficina foi financiada pelo Ministério do Meio Ambiente da Finlândia e pelo Conselho de Ministros Nórdico (NCM) e contou com a participação de mais de 60 integrantes de 20 países na Europa, Ásia, África, América do Sul e América do Norte. Durante o primeiro dia, foi realizado um diálogo entre os cientistas convidados, e o segundo dia proporcionou uma interação científico-política mais ampla das partes interessadas.

Na pesquisa publicada pela revista Science sobre o limite planetário, foi concluído que o quadro dos limites planetários não dita a maneira sobre a qual as sociedades devem se desenvolver e deixa claro que estas são decisões políticas. Apesar disso, a identificação dos espaços operacionais seguros para a atuação humana pode ser uma grande contribuição para os tomadores de decisão, que deverão traçar políticas em direção ao desenvolvimento sustentável da sociedade.

Controvérsias

O conceito de limites planetários fez várias contribuições importantes que merecem destaque. Trouxe a teoria da resiliência planetária e fez emergir para o centro do debate alguns sistemas complexos, chamando a atenção para os muitos elementos inter-relacionados e para os processos do sistema Terra. Apesar disso, algumas instituições como o Breakthrough Institute acreditam que o conceito de limites planetários apresenta falhas que, juntas, formam uma resposta pobre e até mesmo enganosa ao desafio da administração do planeta. Este instituto defende o ideal de que alguns danos causados a uma determinada fronteira acarretam benefícios à espécie humana, como é o caso da ampla utilização de fertilizantes à base de nitrogênio, que apesar de desequilibrar este ciclo biogeoquímico e prejudicar águas subterrâneas, resultam em benefícios à população em relação à produção alimentícia.

A análise das Fronteiras Planetárias realizada pelo Breakthrough Institute pode ser encontrada na íntegra (em inglês) clicando aqui.


Veja também:


 

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