Conheça os componentes dos desodorantes e seus efeitos

O produto comercializado contém componentes que colocam a saúde em risco. Veja alternativas

Passando desodorante

O desodorante muitas vezes está associado ao antitranspirante (ou ao sinônimo antiperspirante). Apesar de um produto com ação antitranspirante poder apresentar também a função de desodorante, não significa que os dois itens são iguais, além de que nem todo desodorante atua com função antitranspirante (saiba mais sobre a diferença).

Como funciona?

O funcionamento dos desodorantes pode ser considerado simples, porém eles podem carregar consigo substâncias não tão inofensivas assim. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto foi criado para remover o odor das axilas. Esse odor origina-se da produção de suor pelas glândulas sudoríparas. Um tipo específico de glândulas, chamadas de glândulas sudoríparas apócrinas, está presente em apenas algumas partes do corpo, como nas axilas. Elas produzem o suor que, além de água e sais, contém restos celulares e restos do processo de metabolismo. Quando exposto à ação de bactérias e fungos, esse suor possivelmente irá produzir odores desagradáveis em um ambiente que é úmido e com pouca luminosidade.

Componentes

Baseado em informações sobre os componentes mais comuns que podem ser encontrados nos produtos desodorantes, podemos listar triclosan, propileno glicol, parabenos, fragrâncias e alumínio. Vamos dar uma olhada nas funções mais específicas de cada um desses itens:

Triclosan

É um composto capaz de inibir o crescimento de fungos, vírus e principalmente bactérias. Está presente em inúmeros produtos, como o desodorante, e também em sabonetes, pastas de dentes, sabão para lavar roupas, antissépticos, itens de primeiros socorros com função antimicrobiana, roupas, brinquedos, plásticos próprios para serem utilizados em alimentos, pesticidas entre outros.

Os aspectos que levam aos impactos negativos na saúde causados pelo triclosan possuem uma lista extensa. Os conhecidos e estudados são: induzir a resistência bacteriana, atuar como desregulador endócrino, atingindo hormônios da tireoide, bioacumular em organismos do meio aquático, ser encontrado nas águas das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), originado de lançamento de efluentes domésticos e industriais e, segundo estudo, retardar o funcionamento de músculos do corpo humano, como o coração (saiba mais).

Proprileno glicol (Propylene glycol)

O propileno glicol tem várias utilidades na indústria. Ele é utilizado em cosméticos, alimentos, medicamentos e em outros produtos químicos. Dentre as suas funções, o propileno glicol atua como: antiaglomerante, adicionado a alimentos em pó - impedindo a formação de grumos; anticongelante; hidratante antioxidante e realçador de sabor também em alimentos; emulsificante; umectante, solvente em produtos cosméticos e medicamentos.

Segundos informações disponibilizadas pela Food and Drug Administration (FDA), em alimentos, o propileno glicol pode compor até 5% do total do produto e é considerado um "aditivo geralmente seguro" (GRAS). Os testes com proporções maiores (6 g/kg) resultaram em danos nos rins de diversas espécies e deformidades em patas de pintinhos. Nos testes em humanos, foram relatados problemas como irritação de pele, erupções cutâneas e danos ao sistema nervoso central por ingestão oral de propileno glicol, porém ainda não foi reportado a dose letal por ingestão oral. Por outro lado, em experiências com exposição dérmica, não foram encontrados efeitos negativos significativos. Deste modo, é possível concluir que o meio de exposição ao propileno glicol que apresenta mais riscos é o oral, alertando sobre a presença deste componente em alimentos e em medicamentos. Segundo pesquisa, medicamentos como o diazepam possuem altas concentrações de propileno glicol e podem levar à obstrução de alguma veia.

Parabenos (Paraben)

Atuam como conservantes em vários produtos cosméticos, como os desodorantes e também em alimentos e medicamentos (saiba mais). Existe a possibilidade de o uso de produtos com parabeno levar ao surgimento de câncer. No entanto, os efeitos negativos comprovados na saúde decorrente do uso de parabenos são irritação e alergias de pele, além do envelhecimento precoce.

Fragrâncias (Fragrance)

As fragrâncias são resultado de uma mistura de outras substâncias químicas junto com dispersantes de fragrâncias, como o dietil ftalato. Elas são responsáveis por deixarem os produtos cosméticos com um perfume agradável (saiba mais). Porém, o aroma agradável dos cosméticos está relacionado a vários problemas de saúde em humanos, como desregulação do sistema reprodutivo, câncer de rim, pulmão e fígado e aumento das chances de desenvolvimento de obesidade e alergias de pele. Outros nomes podem ser dados para as fragrâncias (fragrance, aroma e parfum).

Alumínio (Aluminium)

O alumínio na forma de cloridato de alumínio, hexacloridato de alumínio, sulfato de amônio de alumínio, hidróxido de alumínio, silicato de alumínio e corantes a base alumínio, pode ser encontrado em antirrugas, maquiagens para olhos e face, xampus, hidratantes, batons, medicamentos, vacinas, alimentos e, em muitos desodorantes que inserem a função de antitranspirante ao produto, incluem alumínio em sua composição. Existem muitos estudos que relacionam o uso de produtos cosméticos que contenham alumínio com o surgimento de câncer de mama, problemas hormonais e doenças degenerativas, como Parkinson e Alzheimer. A utilização de cosméticos que contenha alumínio faz com que o alumínio penetre na pele e atinja o sistema circulatório.

Para desodorantes com concentração acima de 35% de alumínio, a Food and Drug Administration (FDA) admite que a substância causa irritação de pele, porém não reconhece os efeitos que o alumínio pode causar, como o Alzheimer e outros citadas anteriormente, sendo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) compartilha da mesma posição. A Canadian Environmental Protection Act (CEPA) reconhece os efeitos negativos que o alumínio exerce sobre a saúde. E ainda segundo a Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR) dos Estados Unidos, pessoas que consomem muitos alimentos industrializados que contêm alumínio em sua composição podem adquirir níveis altos da substância no sangue e desencadear efeitos negativos na saúde. Em crianças, níveis altos de alumínio pode significar doenças nos rins e ossos. Entenda mais sobre o alumínio aqui.

Alternativas

Atualmente, já existem no mercado produtos que excluem da sua formulação esses componentes nocivos à saúde encontrados em desodorantes e também em antitranspirantes (saiba mais).

É possível também encontrar produtos desodorantes naturais, como os óleos essenciais de alecrim, alecrim do campo, pitanga, cravo-da-índia, camomila e canela, sendo que este último foi considerado o mais eficiente.

A pedra hume, conhecida também como alúmen de potássio, possui ampla utilização em processo de purificação de água e aplicações em cosméticos, agindo como antisséptico e cicatrizante.

Fazer uso do bicarbonato de sódio e do leite de magnésia também pode funcionar, já que esses produtos são básicos e neutralizam ácidos carboxílicos que promovem o mau cheiro (veja mais aqui).


 

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