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Novo estudo revela a dimensão da ameaça que o lixo acumulado no fundo dos oceanos representa para o planeta

De acordo com um novo artigo de revisão, publicado no periódico Environmental Research Letters, o Estreito de Messina – ponte submarina que separa a ilha da Sicília da Península Italiana – é a área com a maior densidade de lixo marinho em todo o mundo. Em algumas áreas, há mais de um milhão de objetos por quilômetro quadrado espalhados no fundo do mar.

Além disso, nos próximos trinta anos, o volume de lixo no mar pode ultrapassar os três bilhões de toneladas métricas, conforme citado no estudo. Liderado pela Universidade de Barcelona, ​​o artigo reúne os resultados de um encontro científico realizado em maio de 2018, promovido pelo Joint Research Centre (JRC), da Comissão Europeia, e pelo German Alfred Wegener Institute (AWI).

Uma equipe de 25 cientistas de todo o mundo tratou de questões como necessidades de dados, metodologias, harmonização e necessidades de desenvolvimento futuro. Além disso, o estudo fornece uma síntese do conhecimento atual sobre materiais de origem humana que se encontram no fundo do mar e passa por metodologias para melhorar estudos futuros. Segundo a equipe, há a necessidade de compreender a ocorrência, distribuição e quantidades de lixo, a fim de fornecer políticas adequadas para lidar com o problema.

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Quando o lixo chega antes dos humanos

O fundo do oceano acumula cada vez mais lixo. Enquanto os maiores focos de lixo no fundo do mar ainda podem ser encontrados, plásticos já foram descobertos no ponto mais profundo da Terra, a Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, a uma profundidade de 10.900 metros. Em alguns casos, as concentrações de lixo atingem densidades comparáveis ​​a grandes aterros, alertam os especialistas.

Apesar dos esforços da comunidade científica, a extensão do lixo marinho em nossos mares e oceanos ainda não é totalmente conhecida. As regiões marinhas mais afetadas por esse problema são os mares sem litoral e semifechados, fundos costeiros, áreas marinhas sob a influência de grandes desembocaduras de rios e locais com alta atividade pesqueira, mesmo longe de terra.

Canais Miquel, professor da Faculdade de Ciências da Terra da Universidade de Barcelona e um dos autores do estudo, afirma que o nível de tratamento de resíduos nos países costeiros é decisivo. Ele explica que menos tratamento – ou tratamento deficiente – eleva o nível de resíduos que chegam ao oceano e, consequentemente, ao fundo do oceano. O problema afeta principalmente os países em desenvolvimento.

A longa jornada do lixo até o fundo do mar

Plásticos, redes de pesca, metal, vidro, cerâmica, tecidos e papel são os materiais mais abundantes nos pontos críticos de lixo do fundo do mar. As características geomorfológicas, o relevo submarino e a natureza do fundo do mar determinam a distribuição dos itens de lixo no fundo do mar.

A dinâmica oceânica – ou seja, processos como cascatas de água densa, correntes oceânicas e tempestades – facilita o transporte e a dispersão de lixo pelo oceano, das costas às planícies abissais, com milhares de metros de profundidade. No entanto, esses fatores não ocorrem em todos os ecossistemas oceânicos e variam com o tempo e a intensidade onde ocorrem.

Por causa do efeito gravitacional, os resíduos leves são geralmente transportados ao longo e para as regiões marinhas onde fluem correntes densas (cânions submarinos e outros vales submarinos) e onde as linhas de fluxo se concentram, como grandes relevos submarinos próximos. Finalmente, os materiais transportados pela dinâmica do oceano se acumulam em depressões e áreas marinhas tranquilas.

As propriedades dos materiais despejados no ambiente marinho também afetam sua dispersão e acúmulo no fundo do oceano. Estima-se que 62% da sujeira acumulada no fundo do mar seja de plástico, porque o material é relativamente leve e fácil de ser transportado entre longas distâncias. Por outro lado, objetos pesados ​​como barris, cabos ou redes costumam ser deixados no ponto onde inicialmente caíram ou se prenderam.

Ameaça à vida marinha

O lixo é uma nova ameaça à biodiversidade marinha. Já se sabe que cerca de 700 espécies marinhas, das quais 17% estão na lista vermelha da IUCN, estão sendo afetadas pelo problema. As redes de pesca emaranhadas no fundo do mar podem causar graves impactos ecológicos por décadas, em virtude da pesca fantasma. A lenta decomposição dessas redes, geralmente feitas de polímeros de alta resistência, agrava os efeitos destruidores desse tipo de resíduo no ecossistema marinho.

Outras atividades humanas – como dragagem e arrasto – desencadeiam a dispersão secundária por remobilização e fragmentação do lixo do fundo do mar. Além disso, as concentrações de resíduos do fundo do mar podem facilmente prender outros objetos, gerando acúmulos cada vez maiores de lixo.

Alguns compostos xenobióticos, como pesticidas, herbicidas, fármacos, metais pesados, substâncias radioativas e outros, associados ao lixo são altamente resistentes à degradação e põem em perigo a vida marinha. No entanto, a extensão dos efeitos do lixo nos habitats das vastas extensões do oceano profundo ainda é um capítulo a ser escrito pela comunidade científica.

Segundo Canals, no Mar Mediterrâneo o lixo marinho acumulado no fundo do oceano já é um sério problema ecológico. Em alguns locais da costa catalã, existem grandes acumulações de resíduos. Quando há fortes tempestades, como a da Glória, em janeiro de 2020, as ondas jogam esse lixo na praia. Algumas praias do país foram literalmente calçadas com lixo, mostrando até que ponto o fundo do mar costeiro está cheio de lixo. Também existem concentrações perceptíveis de resíduos em alguns cânions submarinos fora da Catalunha.

A vida que brota do lixo

Tecnologia ajuda a dimensionar o problema

O lixo da praia e o lixo flutuante podem ser identificados e monitorados por métodos simples e de baixo custo. Em contrapartida, o estudo do lixo do fundo do mar é um desafio tecnológico, cuja complexidade aumenta com a profundidade da água e o afastamento da área marinha a ser investigada.

As novas tecnologias permitiram avanços importantes no estudo da situação ambiental do fundo do mar em todo o mundo. O uso de veículos operados remotamente não tripulados (ROVs) é fundamental para a observação, apesar das limitações para amostragem física. As tecnologias clássicas, como o arrasto de fundo, também apresentam limitações, pois não permitem determinar a localização precisa dos objetos amostrados no fundo.

O conhecimento e os dados sobre o lixo do fundo do mar são necessários para a implementação da Diretiva-Quadro da Estratégia Marinha (MSFD) e outros quadros de políticas internacionais, incluindo acordos globais. A publicação mostra como a pesquisa sobre os macrólitos do fundo do mar pode informar essas estruturas internacionais de proteção e conservação para priorizar esforços e medidas contra o lixo marinho e seus impactos deletérios.

Os autores alertam para a necessidade de promover políticas específicas para minimizar esse problema ambiental. O estudo também aborda o debate sobre a retirada de lixo do fundo do mar, uma opção de manejo que deve ser segura e eficiente. Canals destaca que, para corrigir uma situação ruim, é preciso atacar a causa.

E, para ele, a causa do acúmulo de resíduos nas costas, mares e oceanos é o excesso de geração e derramamento de resíduos no meio ambiente, bem como práticas de manejo deficientes ou insuficientes. A atividade humana é a responsável. Por isso, toda a comunidade global deve estar engajada em ações de proteção aos oceanos e combate ao lixo que se acumula no fundo do mar, para evitar o massacre à vida marinha e garantir um futuro mais saudável para os seres humanos, os animais e o planeta.


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