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O Projeto Coralizar já implementou dezenas de berçários de corais na região de Porto de Galinhas

Por WWF-BrasilA restauração e reabilitação de corais já é uma realidade no litoral de Pernambuco. O Projeto Coralizar tem criado modelos que possibilitam a recuperação dos ambientes recifais a partir do envolvimento direto das comunidades locais, universidades e empresas. O projeto foi idealizado pelo WWF-Brasil, com o apoio do Instituto Neoenergia, e é executado pelo Instituto Nautilus, Biofábrica de Corais, com o apoio da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Criado em 2019, o projeto já implementou dezenas de berçários na cidade de Porto de Galinhas (PE) e já iniciou a expansão para a cidade de Tamandaré, no mesmo estado. “Esses berçários são fundamentais para o planejamento e desenvolvimento de técnicas de restauração de corais em larga escala e de forma sustentável. Assim, teremos uma metodologia com bases científicas seguras, para manejar espécies em risco e, ao mesmo tempo, desenvolver a atividade em conjunto com o mercado de turismo, empresas, setor acadêmico e instituições parceiras, fomentando novos modelos de negócios, inovação, geração de renda e empregos através de iniciativas de restauração de corais”, explica Vinícius Nora, analista de sustentabilidade do WWF-Brasil.

De acordo com Rudã Fernandes, coordenador técnico da Biofábrica de Corais, o envolvimento das comunidades locais é fundamental para o desenvolvimento do projeto, que é pioneiro na região. “Quando a gente coloca a mesa no mar é um sentimento de dever cumprido e de ampliar novas perspectivas para o uso de tecnologias e de estar fomentando uma nova relação das comunidades, da população em geral com o ambiente recifal”, comenta Fernandes.

“Meu sonho é ver esse mar recuperado. Tão bonito como eu vi na minha infância. Acho que esse é o único caminho e esse projeto é para mim esperança em um mar novo limpo e restaurado e cheio de vida”, afirma Carlos dos Santos, que é filho e neto de pescadores da região de Porto de Galinhas, também é jangadeiro e atualmente é membro da equipe da Biofábrica de Corais.

Nesta quinta (12), foi lançado um documentário que mostra em detalhes como é o trabalho dos pesquisadores. Desde a coleta dos fragmentos de corais no solo marítimo até a instalação dos berçários em Porto de Galinhas.

Berçários

Os corais não são rochas, mas sim animais que se organizam em colônias para sobreviver. Os corais que se desprendem das colônias não possuem chances de sobrevivência sozinhos, e é justamente aqui que começa uma das etapas do projeto Coralizar, no resgate destes pequenos fragmentos de corais.

Após serem resgatados, os corais são examinados e preparados para serem reinstalados em um equipamento que os pesquisadores chamam de berçário. Nele, pequenas bases feitas com impressoras 3D comportam os fragmentos de corais no laboratório até que eles estejam fortes o suficiente para serem levados de volta ao mar.

O local para a instalação dos berçários é escolhido depois de um estudo criterioso dos pesquisadores e lá os corais ficam até estarem ainda mais fortes e prontos para serem reintroduzidos nas colônias.

Paula Gomes, pesquisadora do GPA (Grupo de Pesquisa em Antozoários) e professora da UFRPE explica que o objetivo central do projeto é restaurar o ambiente recifal. “O projeto foi iniciado em Porto de Galinhas (PE) com experiências in situ, e numa segunda etapa criamos protocolos para viabilidade do cultivo em aquário, fora do habitat-natural. A ideia é que esse experimento, no futuro, possa ser replicado em outros lugares da costa brasileira”.

No processo, são priorizadas a espécie Mussismilia harttii por ser endêmica do Brasil e ameaçada de extinção. Ela é fundamental para ações de restauração, pois contribui para a conservação dos recifes como um todo. Também faz parte do projeto a Millepora alcicornis, que possui maior complexidade em sua estrutura tridimensional e cresce mais rápido, facilitando os resultando no cultivo.

Braqueamento de corais

O branqueamento dos corais e o declínio dos recifes têm ocorrido de forma expressiva em todo o planeta. Isso é resultado de uma combinação letal de mudanças climáticas e degradação ambiental da zona costeira. De acordo com pesquisadores locais, algumas espécies no litoral de Pernambuco apresentaram mais de 70% de morte ou doenças em suas populações, atingidas pela alteração de temperatura no último ano e que já vinham debilitadas pelo derramamento de petróleo de 2019-2020.

Em 2020, um evento de branqueamento no litoral Pernambucano foi o maior que se tem notícia na região em 35 anos. Essa anomalia climática foi confirmada pelo programa Coral Reef Watch (NOAA, na sigla em inglês), que monitora e alerta para eventos extremos de aumento da temperatura do mar.

Diante dessa realidade, a restauração de corais é um processo lento e que requer atenção constante. O crescimento de cada fragmento varia de milímetros a centímetros por ano, de acordo com a espécie e ambiente. Por isso, a criação de uma rede de apoio que envolve vários segmentos é uma saída interessante para o processo de restauração e para a comunidade, que poderá ter uma fonte de renda, por meio da associação das ações de restauração com atividades turísticas.

Você sabia?

  • Estima-se que 30 milhões de empregos na pesca de pequena escala em todo o mundo dependem de recifes de coral;
  • US$ 36 bilhões/ano é o valor global estimado para o turismo relacionados aos recifes de coral;
  • Estima-se que 850 bilhões de pessoas no mundo dependem de alguma forma dos recifes de coral;
  • 25% das espécies dos oceanos são dependentes dos recifes de coral em alguma fase de seu ciclo de vida;
  • O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que entre 70% e 90% dos recifes de corais do mundo terão branqueado se elevarmos em 1,5°C, e a previsão é que isso ocorra até 2050.

E para saber mais sobre corais, escute o podcast Coralizar. São seis episódios que vão te aproximar ainda mais desde incrível mundo dos corais. Clique aqui e escute.

Sobre o Coralizar 

O Projeto Coralizar é fruto de uma parceria entre o WWF-Brasil e o Instituto Neoenergia com realização da Biofábrica de Corais e Instituto Nautilus com o apoio das instituições UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), através do corpo técnico Labpier-UFPE (Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes), Labenz-UFPE (Laboratório de Enzimologia), 
Lim-UFRPE (Laboratório de Invertebrados Marinhos), LABIO-LACEM (Grupo de Pesquisa em Antozoários)  e LECEM-UFRPE, além do apoio da Associação dos Jangadeiros de Porto de Galinhas.

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Site: wwf.org.br/doe