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A Revolução Verde surgiu com o objetivo de aumentar a produção agrícola global

Imagem de PIRO4D por Pixabay

A Revolução Verde é uma expressão criada por William Gown, durante uma conferência que ocorreu na cidade de Washington em 1966. O conceito se refere ao conjunto de mudanças técnicas na produção agropecuária que surgiram a partir do ano de 1930. Basicamente, essas transformações consistiam em mecanização do campo, utilização de adubos químicos, inseticidas, herbicidas e sementes transgênicas. Apesar de gerar inovações tecnológicas, a Revolução Verde foi responsável por provocar diversos impactos socioeconômicos e ambientais negativos.

A partir da década de 1950, os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas (ONU) atuaram politicamente para implantar mudanças na estrutura fundiária e nas técnicas agrícolas em vários países subdesenvolvidos, muitos dos quais ex-colônias recém-independentes. Em plena Guerra Fria, a intenção dos norte-americanos era evitar o surgimento de focos de insatisfação popular por causa da fome. Eles temiam pela instalação de regimes socialistas em alguns países do Terceiro Mundo. Além disso, a indústria química, que se desenvolveu voltada para o setor bélico, apresentava certa capacidade ociosa nesse período.

Com o objetivo de aumentar a extração do campo, os Estados Unidos ofereceram financiamento para a importação dos insumos, maquinaria e capacitação de técnicos e professores para as faculdades e cursos técnicos agrícolas. Os governos dos países subdesenvolvidos passaram a alterar os currículos de suas universidades em prol do novo modelo econômico proposto.

Entretanto, a proposta era a adoção do mesmo padrão de cultivo em todas as regiões onde se implantou a Revolução Verde, desconsiderando a variação das condições naturais, das necessidades e possibilidades dos agricultores. Assim, a médio e longo prazo, essas mudanças causaram impactos socioeconômicos e ambientais muito graves.

Origem da Revolução Verde

A expressão “Revolução Verde” foi criada por William Gown, durante uma conferência que ocorreu na cidade de Washington em 1966. Entretanto, as inovações características dessa revolução começaram a ser aplicadas por Norman Borlaug, ainda na década de 1930. Ele era agrônomo e coordenou uma pesquisa sobre a variedade de sementes de trigo que fossem resistentes a pragas e doenças.

Em 1970, os estudos de Norman Borlaug renderam-lhe o Prêmio Nobel da Paz, uma vez que se mostraram suficientes para erradicar a fome nas décadas seguintes.

Revolução Verde: características e efeitos

A Revolução Verde proporcionou aumento de extração por área cultivada e crescimento considerável da produção de alimentos, principalmente de cereais e tubérculos. Porém, isso ficou restrito às grandes propriedades, que possuíam terras em condições ideais para a modernização e condições climáticas favoráveis. Em países que não realizaram a reforma agrária e os trabalhadores agrícolas não tinham propriedade familiar, sobretudo na África e no Sudeste Asiático, a mecanização da produção diminuiu a necessidade de mão de obra, contribuiu para o aumento dos índices de pobreza e provocou êxodo rural.

O sistema mais utilizado pelos países que seguiram as premissas da Revolução Verde foi a monocultura, o que resultou em sérios impactos ambientais. O cultivo de espécie vegetal única em grandes extensões de terra favorece o desenvolvimento de pequenas espécies animais invasoras, as pragas que se alimentam desses produtos.

Nas monoculturas, as pragas se proliferam rapidamente, e em dois ou três dias uma plantação de soja ou de algodão pode ser totalmente dizimada. Para evitar isso, utilizam-se cada vez mais inseticidas e fungicidas químicos, que podem ser altamente prejudiciais à saúde humana.

O cultivo mecanizado é obrigatoriamente acompanhado do uso de fertilizantes químicos, e para o controle das chamadas “ervas daninhas”, ou do “mato”, que nascem e crescem mais rapidamente que espécies plantadas, aplicam-se os herbicidas, tão tóxicos quanto os venenos empregados para controlar insetos e fungos.

A aplicação frequente de quantidades cada vez maiores desses produtos químicos, genericamente chamados de insumos agrícolas, defensivos agrícolas ou agrotóxicos, contamina o solo. Além disso, eles são transportados pela chuva para riachos e rios, afetando a qualidade das águas que alimentam o gado, abastecem as cidades e abrigam os peixes.

Os agrotóxicos afetam a fauna, e os pássaros e os peixes desaparecem rapidamente das áreas de monocultura, favorecendo a proliferação de pragas, lagartas, mosquitos e insetos em geral. A impregnação do solo com agrotóxicos e adubos químicos tende a torná-lo estéril pela eliminação da vida microbiana.

Além dos desequilíbrios ambientais causados pela monocultura, a mudança substituiu as inúmeras variedades vegetais por poucas, levando à chamada erosão genética (extinção das variedades de uma dada espécie). Assim, grandes indústrias iniciaram o processo de controle sobre o comércio e a pesquisa que modificam a semente dos vegetais cultivados e passaram a controlar toda a cadeia de insumos.

Entretanto, essas sementes modificadas não são férteis, o que obriga os agricultores a comprar novas sementes a cada safra se quiserem obter boa produtividade. Isso se tornou um grande obstáculo para os pequenos agricultores, pois trouxe a necessidade de compra e reposição constante de sementes e fertilizantes que se adaptem melhor a elas, aumentando muito o custo de produção e inviabilizando a soberania alimentar de diversos países.

Revolução Verde no Brasil

A agricultura brasileira mudou completamente após a adoção de práticas características da Revolução Verde. A introdução de novas técnicas ocorreu durante o regime militar e foi um dos pilares do chamado “milagre econômico” ou “anos de chumbo”, movimento instituído pelos governantes da época para alavancar as taxas de crescimento econômico do Brasil.

A partir da produção em larga escala, o país passou à condição de exportador de commodities. Entre os produtos de grande desempenho estavam a soja e o milho. Com a matriz agrícola voltada para as vendas externas, o Brasil instituiu agências de fomento e pesquisa. Entre as agências abertas nesse período está a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), fundada em 1973.

Vale ressaltar que os investimentos realizados nesse período resultaram em um setor agrícola extremamente forte e desenvolvido, baseado na monocultura de exportação. Contudo, os benefícios atingiram apenas um pequeno grupo de grandes produtores rurais, desencadeando concentração fundiária, conflitos agrários e desigualdade social para a parcela restante da população.

Desvantagens da Revolução Verde

Como ressaltado anteriormente, a Revolução Verde provocou diversos impactos socioeconômicos e ambientais. O desmatamento, a compactação do solo, a utilização desenfreada de fontes de água e a poluição causada pelos produtos químicos são algumas das consequências danosas da revolução para o meio ambiente. Essas impactos resultaram na quebra do equilíbrio ambiental, assim como prejudicaram animais e plantas.

Além disso, a Revolução Verde gerou consequências socioeconômicas importantes, como o aumento da desigualdade social, da concentração de terras e da dificuldade dos pequenos agricultores em comercializar produtos em um mercado altamente competitivo. Por fim, destaca-se que, apesar da Revolução Verde ser referida como um movimento que surgiu para acabar com a fome, na realidade, a maior parte da produção desse sistema é tratada como commodity. Enquanto grãos como milho são destinados à produção de biocombustíveis, por exemplo, a fome ainda é uma constante em diversas nações, como apontado em relatórios da Oxfam.



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