Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Descubra por que a Paulownia tem sido considerada a "árvore do futuro" em diversos países, sobretudo na Europa

Paulownia (Paulownia tormentosa), conhecida no Brasil como kiri-japonês, é uma árvore originária do norte da China e da Coreia, que foi levada do Extremo Oriente à Europa, no século 19. Desde então, é considerada uma árvore ornamental majestosa.

Seu nome é uma homenagem à princesa Ana Pavlovna, da Rússia, filha do czar Paulo I. A árvore cresce até 25m de altura e tem folhas pilosas, verde-escuras, e flores aromáticas, que apresentam uma bela coloração violeta. A fruta é uma cápsula seca oval que contém milhares de sementes.

Nos últimos anos, tem sido apreciada pela madeira de alta qualidade que produz, utilizada em diversas indústrias, como aeroespacial e náutica, e na fabricação de portas, janelas, instrumentos musicais, móveis e até pranchas de surf e SUP.

Entre suas incríveis propriedades, além da qualidade da madeira, destacam-se a sua capacidade de crescimento acelerado (de 3 a 5 metros por ano), de se adaptar a uma ampla variedade de climas (que vão de -20°C a 45°C), de se recuperar rapidamente e de controlar e estabilizar a erosão do solo, graças às suas raízes profundas e folhas ricas em nitrogênio, que fornecem nutrientes para que o solo improdutivo se recomponha.

E não é só isso: o cultivo de Paulownia também é orientado para a produção de biomassa, capacidade de fixação de CO2 (absorvendo dez vezes mais dióxido de carbono do que outras árvores e emitindo muito mais oxigênio), possibilidade de uso da folhagem para o gado e potencial de reflorestamento de terras agrícolas degradadas.

Todas essas características tornam a espécie conhecida como “árvore do futuro”, com alto valor industrial e comercial e um significativo toque de sustentabilidade, sendo uma aliada no combate às mudanças climáticas.

Produção de madeira

Em todo o mundo, centros urbanos e fazendas estão se expandindo, muitas vezes à custa de sistemas florestais naturais, que também são vítimas de uma demanda crescente por madeira. A perda desses sistemas causa graves danos ao ecossistema da região: a erosão do solo aumenta enquanto a capacidade de umidade do solo e a umidade atmosférica diminuem.

Essas alterações se propagam pelo ecossistema, resultando em alterações climáticas, padrões de chuva alterados e não confiáveis e perfis de solo degradados. Esse problema é particularmente agudo no Norte da África e no Oriente Médio, onde vários países têm uma das taxas relativas de desmatamento mais altas do mundo.

Essa região tem sido o local de cultivo intensivo por mais de 2.000 anos e tem muito pouca área de floresta remanescente. Como consequência, até 90% dos produtos florestais consumidos nesses países são importados.

Junto com o desaparecimento das florestas, há um aumento contínuo nas demandas globais de madeira. A história da agricultura intensiva pode acentuar o problema no Norte da África e no Oriente Médio, as taxas globais de desmatamento continuam a aumentar, combinando-se com uma demanda crescente por produtos de madeira para criar uma necessidade crítica de projetos de florestamento gerenciados para satisfazer um mercado mundial crescente.

A árvore Paulownia oferece uma solução única para esse problema. É uma madeira de lei de crescimento rápido e facilmente sustentável, que requer um manejo mínimo e muito pouco investimento. A colheita começa dentro de 8 a 10 anos e pode continuar anualmente pelo tempo que for desejado, uma vez que novos brotos crescem dos tocos das árvores derrubadas. A espécie é extremamente resistente, tem uma ampla faixa de tolerância de temperatura e é conhecida por crescer em altitudes de até 2.000 metros.

Em condições ideais, um aumento de 5-6 metros de altura pode ser esperado no primeiro ano. O cultivo de Paulownia requer apenas insumos mínimos do produtor e pode ser facilmente consorciado. Uma única plantação pode, portanto, ser colhida várias vezes, fornecendo uma fonte sustentável e renovável de madeira.

Além disso, a Paulownia tem um efeito moderador sobre o clima: a redução da velocidade do vento durante o inverno pode aumentar a temperatura em 1 ° C, enquanto a sombra fornecida no verão pode diminuir a temperatura na mesma proporção. Uma pequena plantação de Paulownia pode ajudar a estabelecer a sustentabilidade para pequenas comunidades rurais. As árvores podem servir como fonte sustentável de madeira, lenha e carvão.

A madeira também serve como um bom material para compostagem; é rico e rapidamente renovável. As folhas de Paulownia são ricas em nitrogênio e altamente palatáveis; uma vez acostumado a eles, o gado se alimentará preferencialmente de folhas de Paulownia.

Quando usada de forma adequada, Paulownia pode ajudar a mitigar os efeitos da habitação humana no meio ambiente, fornecendo um fornecimento estável e sustentável de recursos importantes.

Produção de biomassa

Além das propriedades extraordinárias como madeira de alta qualidade, a madeira paulownia também é adequada para a produção de biomassa devido ao seu rápido crescimento.

A biomassa produzida pode ser utilizada não apenas para promover o uso de energia, mas também serve como base para a produção de materiais à base de madeira. Em comparação com o choupo e o salgueiro, o crescimento da biomassa da plantação de Paulownia é até 30% maior.

A biomassa é considerada uma fonte renovável de energia e vem sendo usada em substituição aos combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, para gerar eletricidade em usinas termelétricas e por emitir uma quantidade inferior de gases poluentes em comparação às não renováveis.

Por outro lado, apesar de não ser um combustível fóssil, de acordo com estudo, a queima da biomassa é uma das maiores fontes mundiais de gases tóxicos, material particulado e gases do efeito estufa. Esse dado sugere que mais pesquisas devem ser realizadas para garantir que a produção de biomassa a partir da árvore Paulownia compense os danos causados por combustíveis fósseis ao planeta.

O contraponto: espécie invasora

Em 2018, o Comitê Nacional de Espécies Exóticas Invasoras do governo da Colômbia recomendou cautela em relação à proliferação da Paulownia no país, avaliando os riscos ao meio ambiente local e à biodiversidade que a espécie invasora pode implicar.

O rápido crescimento da árvore, ao mesmo tempo que pode ser vista como uma vantagem a depender da perspectiva, também pode representar um problema, uma vez que torna a espécie muito difícil de ser controlada. Após avaliação, o Ministério do Meio Ambiente adotou a recomendação do comitê. Desde então, são estudadas medidas para impedir a reprodução desenfreada da espécie no território colombiano.