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População global perderá 17 bilhões de anos de vida devido à poluição do ar, alertam pesquisadores da Universidade de Chicago

A perda de vidas – calculada este mês por pesquisadores da Universidade de Chicago em seu relatório anual do Índice de Qualidade de Vida do Ar – deve ser tratada com a mesma urgência de uma invasão espacial, diz o pesquisador Michael Greenstone ao jornal Euro News.

Quase toda a população mundial está respirando ar poluído, o que reduz em mais de dois anos a expectativa média de vida global. De acordo com as últimas descobertas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 99% das pessoas vivem em áreas onde a poluição do ar excede os níveis seguros.

contaminação reduz em média de 2,2 anos da expectativa de vida média global para cada pessoa – um total de 17 bilhões de anos de vida. Esse impacto é comparável ao do tabagismo, mais de três vezes o do uso de álcool e água não potável, seis vezes o do HIV/AIDS e 89 vezes o de guerras e terrorismo.

“Seria uma emergência global se marcianos viessem à Terra e pulverizassem uma substância que fizesse com que a pessoa média do planeta perdesse mais de dois anos de expectativa de vida”, explica Greenstone ao Euro News. “Isso é semelhante à situação que prevalece em muitas partes do mundo, exceto que estamos pulverizando a substância nociva, não alguns invasores do espaço sideral.”

Consequências da poluição do ar

A poluição do ar é responsável pela morte precoce de 7 milhões de pessoas por ano. Nas cidades, a principal fonte de exposição à poluição atmosférica é o transporte rodoviário, que produz poluentes como dióxido de nitrogênio e material particulado.

Outras fontes de poluição incluem queima de combustível, emissões de geração de energia e incêndios florestais. Fábricas industriais expelem poluição por aerossóis, colocando as pessoas que vivem nas proximidades em maior risco. Infelizmente, tudo isso afeta drasticamente a saúde da população.

De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona, a exposição precoce à poluição do ar causa mudanças na conectividade cerebral em pré-adolescentes. As descobertas mostram que exposições mais altas à absorbância de NO 2 e PM 2.5 (um indicador de partículas de carbono preto) desde o nascimento até os três anos, e ao NO x dos três aos seis anos de idade foram associadas a maior conectividade funcional do cérebro.

“Ainda temos que entender as consequências desse aumento da atividade de ambas as redes em condições de repouso, mas por enquanto podemos dizer que a conectividade cerebral em crianças expostas a níveis mais altos de poluição do ar é diferente do que esperávamos”, diz Laura Pérez -Crespo, primeiro autor do estudo, ao jornal Medical Xpress.

Poluentes microscópicos transportados pelo ar passam pelas defesas do corpo, atingindo profundamente o sistema respiratório e circulatório, danificando os pulmões, o coração e o cérebro. Um terço das mortes por acidente vascular cerebral, câncer de pulmão e doenças cardíacas são devido à poluição do ar.

Regulamentação mais rígida pode ser a solução

“Em muitos lugares ao redor do planeta, como os Estados Unidos, políticas fortes, apoiadas por uma vontade igualmente forte de mudança, conseguiram reduzir a poluição do ar”, diz Greenstone ao Euro News. De acordo com o pesquisador, na China, os níveis de poluição têm melhorado lenta mas constantemente desde que o governo anunciou uma “guerra à poluição” em 2013.

Em 2020, a poluição caiu cerca de 40%. Embora isso possa ser parcialmente atribuído ao lockdown da Covid-19, também caiu 9% no ano anterior. Se a China atendesse às diretrizes da OMS para a qualidade do ar, os residentes ganhariam uma média de 2,6 anos de expectativa de vida.

Da mesma forma, nos EUA e na Europa, os pesquisadores observam que “a aplicação sustentada de fortes políticas de poluição do ar nos Estados Unidos e na Europa reduziram significativamente a poluição por partículas”. Ainda há um longo caminho a percorrer – se os níveis globais de poluição atendessem à nova diretriz da OMS, 68 milhões de anos de vida nos Estados Unidos e 527 milhões de anos de vida na Europa poderiam ser salvos.

Os governos podem melhorar os níveis de poluição do ar tributando os altos emissores e criando padrões de emissões mais rígidos. Investir em fontes não poluentes – como carros elétricos – também pode ajudar.