Reduzir calorias pode aumentar expectativa de vida, dizem cientistas

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Estudo mostrou aumento na eficiência do metabolismo de pessoas que passaram a comer menos, reduzindo produção de radicais livres

Dieta de redução calórica pode prevenir envelhecimento precoce

Cientistas demonstraram que reduzir o consumo calórico ajuda a reduzir o metabolismo (fazendo com que ele fique mais eficiente) e possivelmente desacelera também o processo de envelhecimento. A psicóloga clínica Leanne Redman comandou um estudo no Centro de Pesquisas Pennington Biomedical, em Baton Rouge, e diz que os resultados ajudam a confirmar as teses de que comer menos aumenta a expectativa de vida e diminui o estresse oxidativo (o envelhecimento causado pela ação de radicais livres).

O maior desafio do estudo, publicado no jornal científico Cell Metabolism, foi encontrar pessoas dispostas a reduzirem em até 25% a sua ingestão calórica. Ao final, foram recrutados 53 indivíduos, dos quais 19 comeram seus pratos normais e 34 adotaram um regime alimentar de redução calórica por dois anos. Nenhum dos voluntários estava acima de seu peso ideal.

Apesar da dificuldade de comer 25% a menos por dois anos inteiros, Redman conta que o grupo foi dedicado. As pessoas que ingeriram menos calorias do que estavam acostumadas perderam em média 8,7 kg (o que era esperado, ainda que não fosse o objetivo do estudo), enquanto os participantes do grupo de controle ganharam cerca de 1,8 kg em longo dos dois anos de monitoramento.

Mas o objetivo da pesquisa comandada por Redman era saber se a redução drástica de 25% nas calorias ingeridas afetaria o processo de envelhecimento das pessoas. Para testar essa hipótese, os voluntários passaram 24 horas em salas especiais que mediam sua taxa metabólica, analisando o volume de oxigênio consumido e de gás carbônico expelido e como isso variou ao longo do tempo. Redman observou que, no grupo de redução calórica, o metabolismo desacelerou e se tornou mais eficiente.

"Basicamente, isso significa que as células precisaram de menos oxigênio para produzir a energia que o corpo precisa para sobreviver, de modo que o corpo e as células se tornaram energeticamente mais eficientes", explica Redman. Se é necessário menos oxigênio para produzir energia, então os subprodutos perigosos desse processo, os radicias livres, podem ser reduzidos.

"O oxigênio em excesso pode ser prejudicial para os tecidos e células, então se as células se tornaram mais eficientes, isso significa que elas deixaram menos oxigênio excedente capaz de causar danos", diz a pesquisadora. Esse dano é o que acelera o envelhecimento.

As conclusões do estudo, no entanto, não provam diretamente que a redução drástica de calorias ajuda as pessoas a viverem mais, já que os voluntários precisariam ser acompanhados ao longo de toda a vida para provar isso. Mas a pesquisa provou que a pressão sanguínea, o colesterol e o triglicérides foram reduzidos no grupo de restrição calórica - taxas altas desses indicadores podem levar a doenças que reduzem a expectativa de vida.

O desafio de propostas como essa para melhorar a qualidade ou a expectativa de vida é que poucas pessoas conseguiriam seguir um esquema de redução calórica ao longo de toda a vida ou mesmo gostariam de viver em um. Além disso, a desaceleração do metabolismo pode causar outros problemas.

Se a regime de restrição for feito por apenas algum tempo, o bioquímico Valter Longo, que estuda longevidade na Universidade do Sul da Califórnia, diz que o indivíduo está mais sujeito a ganhar peso no final do regime. A opção teria que ser uma alteração completa no estilo de vida, para evitar o efeito sanfona, tão comum em dietas alimentares.

O ideal, para Longo, seria ir reduzindo a redução de calorias aos poucos, para manter mais ou menos o mesmo peso (a tendência do corpo humano é ganhar peso ao longo da vida, se a quantidade de alimentos ingeridos se mantiver). Uma grande parte das pessoas, no entanto, está acima do peso, o que pode trazer diversos problemas de saúde a longo prazo. Dietas de restrição, ele comenta, são difíceis de serem seguidas, exigem acompanhamento médico e conhecimento sobre os nutrientes a serem ingeridos. A preocupação de Longo é com uma possível perda muscular e enfraquecimento do sistema imunológico em pessoas que adotem dietas de restrição calórica severa.

O bioquímico é um defensor de mini-jejuns no lugar da redução de calorias em todas as refeições. Ele diz que reduzir a ingestão de calorias para apenas 900 em cinco dias intervalados por mês pode trazer benefícios sem os efeitos negativos de jejuar por muito tempo. Autor do livro A dieta da longevidade, Longo destaca a importância de comer mais frutas e vegetais e menos carne.

Isso pode não aumentar sua vida propriamente, ele diz, mas certamente ajuda a manter um peso saudável e evitar doenças crônicas capazes de encurtá-la. Mas essas práticas não são para todo mundo. É importante avaliar o seu histórico e condições de saúde antes de adotar qualquer novo regime alimentar.


Fonte: NPR

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