Presença de peixes grandes no mar reduz emissões de CO2, revela estudo

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O estudo explica por que maior quantidade de peixes grandes no mar ajuda a reduzir emissões de CO2

peixes grandes carbono
Imagem de Domingo Trejo por Pixabay

Peixes são fundamentais para a biodiversidade, o equilíbrio ecológico do planeta e a saúde dos oceanos. Agora, um estudo publicado na Science Advances revela que a presença dos peixes nos mares também ajuda a reduzir as emissões de dióxido de carbono. Segundo a equipe de cientistas, que reúne especialistas de universidades de todo o mundo, quanto maiores os peixes deixados no mar, maior é a redução de CO2 liberado na atmosfera terrestre.

Quando um peixe morre no oceano, ele afunda nas profundezas, sequestrando todo o carbono que contém. Esse conceito de captura de carbono recebe o nome de carbono azul, que é todo carbono capturado e armazenado pelos oceanos e ecossistemas costeiros do mundo. Os ecossistemas costeiros oferecem serviços ecossistêmicos essenciais, como proteção contra deslizamentos de terra, tempestades e tsunamis, e têm papel fundamental no combate às mudanças climáticas.

Pesca oceânica aumenta emissões de CO2

Ao contrário da maioria dos organismos terrestres, que liberam seu carbono na atmosfera após a morte, as carcaças de grandes peixes marinhos afundam e sequestram o carbono nas profundezas do oceano. Ainda assim, os pescadores extraíram uma grande quantidade de carbono azul, contribuindo para emissões atmosféricas adicionais de CO2.

O estudo utiliza capturas históricas e o consumo de combustíveis para mostrar que a pesca oceânica foi responsável pela liberação de no mínimo 730 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera desde 1950. Estima-se que, somente em 2014, foram emitidas 20,4 toneladas de dióxido de carbono. Esse valor equivale à emissão anual de 4,5 milhões de carros.

Em escala global, 43,5% do carbono azul extraído pela pesca em alto mar vem de áreas que seriam não lucrativas economicamente sem subsídios. Os pesquisadores concluíram que limitar a extração de carbono azul pela pesca, especialmente em áreas não lucrativas, reduziria as emissões de CO2, produzindo menos queima de combustível e reativando uma bomba de carbono natural com a reconstrução de estoques de peixes nos oceanos. Segundo o estudo, a pegada de carbono da pesca é 25% maior do que as estimativas anteriores da indústria.

Coautor do estudo, o professor David Mouillot, da Universidade de Montpellier, na França, reforça as contribuições da pesca oceânica para o aquecimento global e o aumento das mudanças climáticas. Além de os barcos produzirem gases do efeito estufa por meio do consumo de combustível, a extração de peixes libera dióxido de carbono adicional que, de outra forma, permaneceria no oceano. A captura de peixes grandes, como atum, tubarão, cavala e peixe-espada, é responsável por cerca de 10 a 15% dessas emissões.

Medidas de proteção devem ser colocadas em prática

O professor Mouillot explicou que, ao morrerem, os peixes maiores afundam rapidamente. Como resultado, a maior parte do carbono que eles contêm é capturado no fundo do oceano, durante, talvez, milhões de anos. De forma inédita, o estudo revela que esses peixes são, portanto, sumidouros de carbono, em uma quantidade nunca estimada anteriormente.

No entanto, esse fenômeno natural, que é uma bomba de carbono azul, tem sido cada vez mais interrompido pela pesca industrial. E ele não só foi esquecido até agora, como ocorre em áreas nas quais a pesca não é economicamente lucrativa, como o Pacífico Central, o Atlântico Sul e o Oceano Índico Norte. Assim, a pesca oceânica prejudica essas áreas, sem que a captura dos peixes compense financeiramente os danos causados.

Por isso, os autores do estudo defendem uma prática mais fundamentada da pesca, com mudanças que levem em conta todos os fatores apresentados. A aniquilação da bomba de carbono azul representada por peixes grandes sugere que novas medidas de proteção e gerenciamento devem ser colocadas em prática. A ideia é que mais peixes grandes possam permanecer nos oceanos como sumidouros de carbono, sem que se tornem uma fonte adicional de CO2.



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