Um oceano de sacolinhas

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Pesquisas mostram que a contaminação por plástico nos mares é intensa e muito perigosa

Os oceanos ocupam 70% da superfície da Terra, mas até hoje se sabe muito pouco sobre a vida marinha em suas regiões mais remotas. Especialistas mostram que há ainda dois milhões de espécies desconhecidas nas profundezas dos mares. Porém, infelizmente, as notícias reveladas pelas pesquisas científicas não mostram a descoberta de novos seres ou fronteiras marinhas, mas assustadores índices de agressão causados ao oceano pela ação humana.

Atualmente, o homem produz mais de 250 milhões de toneladas de plástico ao ano. Boa parte dessa produção não é descartada de maneira correta. Estudos apontam que sete milhões de toneladas acabam terminando, de alguma forma, no oceano.

Pellets

O perigo do lixo vai além da estética das praias, uma das principais ameaças é bem pequena e chama-se pellet. São bolinhas de meio centímetro de diâmetro, usadas como matéria prima na indústria. Esses resíduos de plástico têm uma enorme capacidade de absorverem poluição.

Apenas uma unidade apresenta concentração de poluentes até um milhão de vezes maior que a da água onde se encontra, envenenando os cardumes que a ingerem. Um estudo feito em 2011 por pesquisadores da Universidade de São Paulo mostrou que em Santos, no litoral paulista, cada meio metro cúbico de areia da praia contém até 20 mil pellets.

O plástico vira comida

Os mais afetados com a poluição de plásticos nos mares são os animais. Calcula-se que 267 espécies, principalmente pássaros e mamíferos marinhos, engulam resíduos plásticos. Há seis anos, uma baleia Minke foi encontrada morta, no norte da França, com 800 quilos de sacolas plásticas no estômago.

Pesquisas feitas em Salvador, no Estado da Bahia, revelaram que 22% dos peixes capturados continham micropartículas de plástico no estômago. Os pellets são a matéria-prima de diversos tipos de produtos, como garrafas, canetas e computadores.

Quando o plástico se quebra, os pellets lembram muito a forma e textura dos alimentos naturais do peixe. Isso leva a uma contaminação generalizada por causa das cadeias alimentares.

Alguns compostos químicos como o PCB (bifenil policlorados) e pesticidas (DDT) não se dissolvem na água, mas são absorvidos pelo plástico. Assim, os peixes acabam ingerindo essas minúsculas partículas plásticas. Cientistas da Fundação de Pesquisa Marinha Algalita (Algalita Marine Research Foundation), afirmam que os tecidos dos peixes contaminados contêm alguns dos mesmos componentes do plástico. A hipótese dos cientistas é que as substâncias tóxicas infiltram-se no tecido do peixe por meio da alimentação.

Os pesquisadores afirmam que quando um predador - um peixe maior ou uma pessoa - come o peixe que come o plástico, esse predador pode estar transferindo toxinas a seus próprios tecidos, e com concentrações maiores, já que toxinas de múltiplas fontes alimentares podem se acumular no corpo.

Ainda não se sabe dizer o efeito do pellet no ambiente marinho, nem na alimentação do peixe, muito menos na do homem, mas conhecendo alguns efeitos cumulativos graves dentro de cadeias alimentares, sabemos que o assunto pode ser grave.

Além do fator bioacumulativo, os animais que comem o plástico ainda contribuem para que ele seja reduzido a partículas menores e, portanto, mais solúveis e fáceis de serem incorporaradas ao sistema marinho.

A utilidade e necessidade do plástico na vida moderna são inegáveis, mas o tema do adequado descarte e reprocessamento do material precisa ser encarado de maneira séria e responsável, seja quanto à educação da população no descarte correto do material, seja no investimento por parte das instituições responsáveis no sentido da criação da infra-estrutura necessária à coleta e ao fomento às iniciativas para reciclagem do produto.

Reciclagem

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Com agência de notícias e Global Garbage

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