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Por décadas, a capacidade das florestas de combater as mudanças climáticas foi creditada quase exclusivamente às folhas e ao processo de fotossíntese. Uma análise científica de cinco anos, no entanto, acaba de revelar um aliado invisível e poderoso nessa batalha atmosférica: um vasto ecossistema microbiano que habita a casca das árvores. A pesquisa, conduzida por universidades australianas, demonstra que esses micróbios atuam como um filtro biológico, consumindo ativamente gases poluentes e redesenha a compreensão sobre o papel das árvores na purificação do ar.

A superfície global da casca de todas as árvores do planeta, uma área comparável à soma de todos os continentes, constitui um habitat continental para trilhões de microrganismos especializados. Eles não são meros passageiros. Análises genômicas e biogeoquímicas avançadas identificaram que essas comunidades se alimentam de metano, hidrogênio, monóxido de carbono e outros compostos voláteis, muitos deles nocivos ao clima e à saúde humana. Esse processo contínuo pode remover milhões de toneladas desses gases da atmosfera a cada ano.

A coleta de amostras abrangeu ecossistemas diversos do leste da Austrália, como florestas de terras altas, manguezais, brejos e matas costeiras. Espécies como melaleuca, eucalipto, mangue e banksia tiveram sua microbiota analisada. Os resultados publicados na revista Science indicam que diferentes árvores abrigam comunidades microbianas distintas, cada uma com seu próprio perfil de atividade.

Essa descoberta abre caminho para aplicações práticas no planejamento ambiental. A seleção de espécies arbóreas que abriguem os micróbios mais eficientes pode otimizar projetos de reflorestamento e arborização urbana. Árvores estrategicamente escolhidas amplificariam os benefícios tradicionais, atuando como estações de bioremediação que melhoram a qualidade do ar nas cidades ao remover poluentes como o monóxido de carbono, ao mesmo tempo em que mitigam gases do efeito estufa.

Especialistas envolvidos no estudo enfatizam que a pesquisa representa apenas o início da exploração dessa simbiose oculta. A interação complexa entre árvores e seus microrganismos residentes sugere que os modelos climáticos e as estratégias de conservação podem precisar de reavaliação. O potencial desses ecossistemas microscópicos, negligenciado por anos, mostra que a proteção e a expansão das florestas carregam um valor ainda maior do que se supunha, reforçando sua defesa como infraestrutura natural imprescindível para o futuro do planeta.

Vincent Gauci, Microrganismos da casca das árvores para gestão climática, 
Science (2026). DOI: 10.1126/science.aec9651 , 
www.science.org/doi/10.1126/science.aec9651


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