Desmatamento da Amazônia: causas e como combatê-lo

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O desmatamento da Amazônia é desnecessário, prejudica o desenvolvimento da economia, da sociedade e a imagem do Brasil no exterior

Desmatamento da Amazônia

O desmatamento da Amazônia é motivo de grande preocupação para o Brasil, pois ele leva a alterações significativas no funcionamento dos ecossistemas, gerando impactos sobre a estrutura e a fertilidade dos solos e sobre o ciclo hidrológico, constituindo importante fonte de gases do efeito estufa.

Por outro lado, zerar o desmatamento na Amazônia é possível e traria benefícios ambientais e sociais para o Brasil e para o mundo. Diferente do que muitas pessoas possam imaginar, é viável zerar rapidamente o desmatamento com base nas experiências já desenvolvidas no país.

Entretanto, o desmatamento na Amazônia tem aumentado desde 2012 – e tende a continuar.

Entre as principais causas do desmatamento da Amazônia podem-se destacar a impunidade a crimes ambientais, retrocessos em políticas ambientais, atividade pecuária, estímulo à grilagem de terras públicas e a retomada de grandes obras. Foram 55 milhões de hectares derrubados entre 1990 e 2010, mais do que o dobro da Indonésia, o segundo colocado.

O ritmo da destruição, entre 2008 e 2018, o desmatamento na Amazônia foi 170 vezes mais rápido do que aquele registrado na Mata Atlântica durante o Brasil Colônia.

A perda foi acelerada entre 1990 e 2000, com média de 18,6 mil km² desmatados por ano, e entre 2000 e 2010, com 19,1 mil km perdidos anualmente e 6 mil km² entre 2012 e 2017. Cerca de 20% da floresta original já foi colocada abaixo sem que benefícios significativos para os brasileiros e para o desenvolvimento da região fossem gerados. Pelo contrário, os prejuízos são vários.

A poluição gerada pelas queimadas, por exemplo, causa mortes, aumento de casos de doenças respiratórias e alterações no clima regional, que podem pôr em risco a produtividade no campo.

Sem controle, a taxa de desmatamento poderá atingir patamares anuais entre 9.391 km² e 13.789 km² até 2027, se mantida a mesma relação histórica entre rebanho bovino e área total desmatada – considerando que a pecuária é um dos principais vetores de desmatamento na Amazônia. Isso pode elevar o desmatamento a um estado irreversível.

Desnecessário para o crescimento do Brasil

O desmatamento da Amazônia não se converteu em riqueza para a maior parte dos amazônidas. A prova disso é que os municípios da Amazônia estão entre os de menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e IPS (Índice de Progresso Social) do país. Eles seguem a chamada lógica do “boom-colapso”: num primeiro momento, o acesso fácil aos recursos naturais produz uma explosão de riqueza no município. Entretanto, essa riqueza fica concentrada nas mãos de poucos e se esgota em poucos anos. O resultado são cidades inchadas, com infraestrutura deficiente, sem empregos de qualidade e com concentração de renda.

A contribuição econômica do desmatamento para a economia é mínima.Toda a área desmatada durante o período de 2007 a 2016 representou somente 0,013% do PIB médio entre 2007 e 2016.

O argumento de que o desmatamento da Amazônia é necessário para aumentar a produção agropecuária é inválido, uma vez que já existe uma enorme área desmatada que vem sendo mal utilizada. Grande parte são pastagens degradadas.

Quando as medidas contra o desmatamento foram mais eficazes, a produção agropecuária continuou a crescer, pois os produtores investiram em aumento de produtividade da terra. Isso pode ser visualizado no gráfico abaixo:

Desmatamento da Amazônia em série histórica

Dez anos após a Moratória da Soja – que passou a bloquear produtores que plantaram em áreas de novos desmatamentos – a área plantada passou de 1,2 milhão de hectares para 4,5 milhões de hectares, isso se deveu ao plantio em áreas de pastagens. O grande estoque de áreas mal aproveitadas na região resulta, na maioria das vezes, do desmatamento para especulação fundiária (grilagem), por meio da invasão de terras públicas, frequentemente com uso de trabalho análogo ao escravo.

Em 2016, pelo menos 24% do desmatamento ocorreu em florestas públicas ainda não destinadas. Essa grilagem também está ligada a uma pecuária bovina de baixíssima eficiência: 65% da área desmatada na região está ocupada por pastagens, com taxa de lotação média de menos de uma cabeça de gado por hectare.

É desnecessário continuar com o desmatamento na Amazônia, já que se calcula ser possível abrigar toda a produção agropecuária nas áreas que já se encontram abertas. Vários governadores amazônicos concordam.

As medidas implementadas entre 2005 e 2012 derrubaram as taxas de desmatamento na região em cerca de 70% e indicam quais são os elementos necessários para atingir o desmatamento zero. Entre eles estão os acordos pelo fim do desmatamento pela agropecuária, o aumento da eficiência da pecuária nas áreas já abertas, a criação de áreas protegidas (Unidades de Conservação e terras indígenas) e o cumprimento do Código Florestal. Tais políticas, se aplicadas não somente à Amazônia, mas também a outros biomas, seriam capazes de, antes de 2030, zerar o desmatamento no país.

Prejuízos socioambientais

Desmatamento da Amazônia

Doenças e mortes

As doenças e mortes causadas pelo desmatamento da Amazônia decorrem, principalmente, das queimadas.

A redução do desmatamento associados às queimadas na Amazônia evitou de 400 até 1.700 mortes precoces por doenças respiratórias por ano entre 2001 e 2012, na América Latina. A queda do desmatamento reduziu a taxa de nascimentos prematuros e de crianças com peso abaixo do normal.

Conflitos sociais

Até agosto de 2017, 94 mil famílias foram afetadas por conflitos de terras, contabilizando 47 assassinatos na Amazônia Legal.

Perda de patrimônio público

A grilagem atinge cerca de 7 milhões de hectares na Amazônia, avaliados em R$ 21,2 bilhões.

Risco de boicote comercial

Campanhas ambientais levaram empresas a estabelecerem a Moratória da Soja, que passou a boicotar compras de áreas desmatadas após 2006. A França, por exemplo, anunciou bloqueios paulatinos a importação de commodities que contribuam para o desmatamento no mundo, incluindo o da Amazônia.

Aumento de risco climático

Em 2016 o desmatamento da Amazônia foi responsável pela emissão de 26% das emissões de gases de efeito estufa.

O agravamento das mudanças climáticas promovido pelo desmatamento da Amazônia carrega consigo fortes prejuízos econômicos, podendo levar a uma redução de 1,3% do PIB nacional em 2035 e de até 2,5% em 2050. A perda do PIB agropecuário seria ainda mais grave: entre 1,7% e 2,9% em 2035 e de 2,5% a 4,5% em 2050.

Como zerar o desmatamento na Amazônia

O fim do desmatamento da Amazônia depende, basicamente, de quatro linhas de atuação, que incluem:

  • Implementação de políticas públicas ambientais efetivas e perenes;
  • Apoio a usos sustentáveis da floresta e melhores práticas agropecuárias;
  • Restrição drástica do mercado para produtos associados a novos desmatamentos;
  • Engajamento de eleitores, consumidores e investidores nos esforços de zerar o desmatamento.

Ações do governo

Desmatamento da Amazônia
Imagem: Grupo Especializado de Fiscalização (GEF) do Ibama combate desmatamento e garimpo de cassiterita na Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, Amazonas; de Vinícius Mendonça Ibama, está disponível no Flickr

No âmbito governamental podem ser adotados algumas medidas para zerar o desmatamento da Amazônia, tais como: o fim de subsídio aos desmatadores; aumento da fiscalização ambiental; repressão da grilagem; criação de mais Unidades de Conservação; demarcação de Terras Indígenas; promoção da transparência total e ativa de dados que auxiliam no controle de cadeias produtivas; apoio de usos sustentáveis da floresta e melhores práticas agropecuárias; fortalecimento de planos que aumentem a renda associada à conservação florestal; criação de programas que remunerem o produtor que conserva áreas além do requerido pela legislação; aumento das transferências financeiras para municípios e Estados que reduzem desmatamento e mantêm maior estoque de floresta; priorização do crédito rural para municípios que reduziram desmatamento, entre outros.

Ações de empresas e investidores

Dentre as ações a serem tomadas por empresas e investidores que vão ao encontro da redução do desmatamento da Amazônia, estão o monitoramento completo da cadeia pecuária, incluindo os fornecedores indiretos, a intensificação do comprometimento dos acordos e o monitoramento de fazendas indiretas de frigoríficos; boicote a produtores que desmatam; exigência de redução do desmatamento pelos frigoríficos; fortalecimento da produção sem desmatamento; apoio a produtores na regularização ambiental e aumento de produtividade; comunicação publica dos resultados de auditorias e avanços na implementação de acordos pelo desmatamento zero; entre outros.

Ações da sociedade

Entre as ações da sociedade que podem ser aderidas para diminuir o desmatamento da Amazônia, estão a demanda pelo fim de subsídios públicos aos desmatadores; investimento e compra de empresas que evitam desmatamento; apoio à produção sustentável; demanda pela proteção de terras públicas; apoio à reforma agrária, à demarcação de terras indígenas e à campanhas contra empresas promotoras do desmatamento; voto em representantes que apoiam a criação de Unidades de Conservação e a adoção do consumo consciente, que inclui evitar o consumo de alimentos de origem animal. Saiba mais sobre esse tema nas matérias: "O desmatamento pode estar no seu prato" e "Reduzir consumo de carne vermelha é mais efetivo contra efeito estufa do que parar de andar de carro".



Veja também:

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