Conheça plantas venenosas comuns em jardins

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Uso de plantas venenosas para ornamentação é comum e exige alguns cuidados - sobretudo para quem tem crianças ou animais

Coroa-de-cristo e Espirradeira
Imagens editadas e redimensionadas de JoaoBOliver e laminaria-vest, respectivamente, estão disponíveis no Pixabay

O conceito de plantas venenosas abrange todos os vegetais que, através do contato, inalação ou ingestão, causam danos à saúde de seres humanos e animais. Essas plantas apresentam substâncias que podem desencadear reações adversas, seja por seus próprios componentes ou pela coleta e extração inadequada de seus constituintes. Muitas plantas venenosas são tidas como ornamentais, estando presentes em diversos ambientes ao nosso redor, o que facilita o risco de intoxicação.

Os vegetais contêm componentes químicos, denominados princípios ativos, que provocam efeitos semelhantes em animais e humanos. São eles: alcaloides, glicosídeos, cardioativos, glicosídeos cianogênicos, taninos, saponinas, oxalato de cálcio e toxialbuminas. A ação dos princípios ativos varia de planta para planta - existem as venenosas e também aquelas que atuam como remédios naturais.

Em 1998, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), em parceria com os centros de Belém, Salvador, Cuiabá, Campinas, São Paulo e Porto Alegre, criou o Programa Nacional de Informações sobre Plantas Tóxicas. Além de controlar e documentar a ocorrência de intoxicações por plantas, o programa possui o objetivo de elaborar e distribuir materiais educativos de prevenção e tratamento para essas ocorrências.

Uma revisão de estudos sobre a toxicidade de espécies vegetais, concluiu que a maneira como ocorre a intoxicação em seres humanos varia com a idade. Segundo a pesquisa, bebês e crianças de até 4 anos são mais vulneráveis às intoxicações por plantas, sendo essa a sexta maior causa de intoxicação nessa faixa etária. Elas acontecem por ingestão ou contato, principalmente nos domicílios, escolas e parques.

"Em jovens e adultos (de 20 a 59 anos), as intoxicações causadas por plantas são menos frequentes, ocupando a 14ª causa de intoxicação nesta faixa etária. Essas intoxicações ocorrem principalmente devido ao contato acidental, ao uso recreacional de algumas espécies, ao uso medicinal e na alimentação", explica a pesquisa.

Ainda segundo este estudo, entre os idosos também se observa uma baixa incidência de intoxicações por plantas, ocupando o 12º lugar dentre as causas de intoxicação. No entanto, deve-se considerar que normalmente os idosos utilizam um número elevado de medicamentos de uso prolongado, favorecendo a ocorrência de interações entre os medicamentos e as plantas.

Por se tratar de uma fonte natural, muitas pessoas pensam que as plantas só trazem benefícios. Nessa perspectiva, a população as utiliza em conjunto com medicamentos industrializados, podendo ter efeitos sinérgicos e causar interações na saúde.

Exemplos de plantas venenosas

Copo-de-leite

  • Família: Araceae
  • Nome científico: Zantedeschia aethiopica
  • Parte tóxica: todas as partes da planta
  • Princípio Ativo: Oxalato de Cálcio

Comigo-ninguém-pode

Comigo-ninguém-pode
Imagem editada e redimensionada de André Koehne, está disponível no Wikimedia e licenciada sob CC BY 3.0
  • Família: Araceae
  • Nome científico: Dieffenbachia spp
  • Parte tóxica: todas as partes da planta
  • Princípio Ativo: Oxalato de Cálcio

Tinhorão

  • Família: Araceae
  • Nome científico: Caladium bicolor
  • Parte tóxica: todas as partes da planta
  • Princípio Ativo: Oxalato de Cálcio

A ingestão ou contato com alguma dessas três plantas pode causar inchaço de lábios, boca e língua, sensação de queimação, vômitos, salivação abundante, dificuldade em engolir e asfixia. Se entrar em contato com os olhos, pode provocar irritação e lesão na córnea.

Bico-de-papagaio

Bico-de-papagaio
Imagem editada e redimensionada de Scott Bauer, está disponível no Wikimedia em domínio público
  • Família: Euphorbiaceae
  • Nome científico: Euphorbia pulcherrima
  • Parte tóxica: seiva da planta (líquido branco)
  • Princípio ativo: Látex
  • Em contato com a pele, a seiva leitosa pode causar inchaço, queimação e coceira. Se entrar em contato com os olhos, pode provocar irritação, lacrimejamento, inchaço e dificuldade de visão. Por sua vez, a ingestão pode causar náusea, vômitos e diarreia.

Coroa-de-cristo

  • Família: Euphorbiaceae
  • Nome científico: Euphorbia milii
  • Parte tóxica: seiva da planta (líquido branco)
  • Princípio ativo: Látex Irritante

Em contato com a pele, o látex pode causar irritação, vesículas e bolhas. Se entrar em contato com os olhos, provoca processos inflamatórios que desencadeiam a conjuntivite e lesões de córnea. Em caso de ingestão, náuseas e vômitos são os sintomas mais comuns.

Mamona

  • Família: Euphorbiaceae
  • Nome científico: Ricinus communis
  • Parte tóxica: sementes
  • Princípio Ativo: Toxalbumina (ricina)

Quando ingeridas, as sementes podem causar náusea, vômitos, cólicas abdominais e, nos casos mais graves, convulsões, coma e até a morte. Além disso, a planta possui espinhos pontiagudos que podem machucar crianças ou animais. Essa toxicidade não afeta o óleo de mamona, que é filtrado.

Saia-branca

Saia-branca
Imagem editada e redimensionada de Arria Bell, está disponível no Wikimedia e licenciada sob CC BY 2.5
  • Família: Solanaceae
  • Nome científico: Datura suaveolens
  • Parte tóxica: todas as partes da planta
  • Princípio ativo: Alcalóides Beladonados (atropina, escopolamina e hioscina).

Quando ingerida, os sintomas podem incluir boca e pele secas, taquicardia, dilatação de pupilas, rubor da face, agitação, alucinação, hipertermia (aumento de temperatura) e, nos casos mais graves, pode levar à morte.

Espirradeira

  • Família: Apocynaceae
  • Nome científico: Nerium oleander
  • Parte tóxica: todas as partes da planta
  • Princípio ativo: Glicosídeos

O látex de suas folhas ou ramos pode provocar inflamação na pele e irritação nos olhos. A ingestão causa sintomas como queimação na boca, língua e lábios, salivação excessiva, náusea e vômitos. Ela também pode provocar tontura, confusão mental e arritmia.

Hortênsia

  • Família: Hydrangeaceae
  • Nome científico: Hydrangea macrophylla
  • Parte tóxica: todas as partes da planta
  • Princípio ativo: Glicosídeos Cianogênicos

Quando ingerida, provoca diarreias, vômitos, dores de cabeça e abdominais fortes, convulsões e flacidez muscular, podendo induzir o estado de coma e até morte.

Antúrio

  • Família: Araceae
  • Nome científico: Anthurium andraeanum
  • Parte tóxica: todas as partes da planta
  • Princípio ativo: Oxalato de Cálcio

No início, a ingestão pode causar náuseas e vômitos. Além disso, outros sintomas como pele quente, seca e avermelhada, taquicardia, febre, alucinações e delírios são comuns. Nos casos graves, distúrbios cardiovasculares e respiratórios levam ao óbito.

Lírio

  • Família: Meliaceae
  • Nome científico: Lilium spp
  • Parte tóxica: todas as partes da planta
  • Princípio ativo: Saponinas e Alcaloides Neurotóxicos (azaridina).

No início, a ingestão pode causar náuseas e vômitos. Além disso, outros sintomas como pele quente, seca e avermelhada, taquicardia, febre, alucinações e delírios são comuns. Nos casos graves, distúrbios cardiovasculares e respiratórios levam ao óbito.

Espada-de-São-Jorge

Espada-de-São-Jorge
Imagem editada e redimensionada de Mokkie, está disponível na Wikimedia e licenciada sob CC BY 3.0
  • Família: Ruscaceae
  • Nome científico: Sansevieria trifasciata
  • Parte tóxica: todas as partes da planta.
  • Princípio ativo: Saponinas e ácidos orgânicos.

Em contato com a pele, causa pequena irritação. Quando ingerida, salivação excessiva é um efeito comum.

Medidas preventivas

  1. Mantenha as plantas venenosas fora do alcance de crianças;
  2. Conheça as plantas venenosas existentes em sua casa e arredores pelo nome e características;
  3. Ensine as crianças a não colocar plantas na boca e não utilizá-las como brinquedos;
  4. Não prepare remédios ou chás caseiros com plantas sem consultar fontes confiáveis;
  5. Não coma folhas, frutos e raízes de plantas desconhecidas. Lembre-se de que não há regras ou testes seguros para distinguir as plantas comestíveis das venenosas;
  6. Tome cuidado ao podar as plantas que liberam látex. Use luvas e lave bem as mãos após esta atividade;
  7. Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação;
  8. Em caso de dúvida, ligue para o Centro de Intoxicação de sua região


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