Quais são os componentes tóxicos do lixo eletrônico?

eCycle

Descarte incorreto de lixo eletrônico provoca liberação de componentes tóxicos no meio ambiente. Entenda os riscos à saúde

Componentes tóxicos presentes em aparelhos eletrônicos

Os equipamentos eletrônicos possuem diversos componentes tóxicos em suas estruturas. Depois que perdem sua função, se o descarte desse lixo eletrônico for feito de modo incorreto, esses resíduos tóxicos podem contaminar o solo e os lençóis freáticos, colocando em risco a saúde pública. Segundo o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), cerca de 70% dos metais pesados encontrados em lixões e aterros controlados são provenientes de equipamentos eletrônicos descartados.

Ultimamente, muitos estudos estão sendo feitos para descobrir a quantidade de componentes tóxicos em eletrônicos, que são cada dia mais comuns em nosso cotidiano. Um estudo do Centro de Ecologia Ann Arbor, em parceria com o Ifixit, pesquisou 36 celulares de diferentes marcas e modelos, analisando a quantidade de componentes tóxicos presente nos aparelhos, como chumbo, bromo, mercúrio e cádmio. São elementos que desde sua extração até o fim da vida do produto possuem a potencialidade de dano ao ambiente e à saúde.

A Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC) possui uma classificação para as substâncias químicas, sendo:

  • Grupo 1 - Carcinogênico para humanos;
  • Grupo 2A - Provável carcinogênico;
  • Grupo 2B - Possível carcinogênico;
  • Grupo 3 - Não classificável como carcinogênico;
  • Grupo 4 - Provável não carcinogênico.

Abaixo, encontram-se 22 substâncias que constituem os equipamentos eletrônicos e que podem causar algum risco para o ser humano:

Contaminantes Riscos
Alumínio

Intoxicação aguda: Obnubilação, coma, convulsões.

Intoxicação crônica: Perturbação intermitentes da fala (gagueira), disfunções neurológicas que impedem movimentos coordenados, espasmos mioclônicos, convulsões, alterações de personalidade, demência global.

Cancerígeno na bexiga, pulmão (Grupo 1)

Antimônio

Intoxicação aguda: febre alta, irritação na mucosa gástrica, vômitos violentos, cólica abdominal, diarreia, inchaço dos membros, hálito pestilento e erupções cutâneas.

Intoxicação crônica: Inflamação no pulmão, bronquite e enfisema crônico.

Cancerígeno para pulmões. (Grupo 2B)

Arsênio

Intoxicação aguda: dor abdominal, vômito, diarreia, vermelhidão da pele, dor muscular, fraqueza, dormência e formigamento das extremidades, câimbras e pápula eritematosa.

Intoxicação crônica: lesões dérmicas, como hiper e hipopigmentação, neuropatia periférica, câncer de pele, bexiga e pulmão, e doença vascular periférica.

Cancerígeno para pele, pulmão, bexiga e rins. (Grupo 1)

Berílio

Intoxicação aguda: calafrios, febre, tosse dolorosa e acúmulo de fluidos nos pulmões, podendo levar à morte.

Intoxicação crônica: Beriliose ou granulomatose pulmonar crônica, lesões pulmonares.

Cancerígeno no pulmão. (Grupo 1)

Bismuto

Intoxicação aguda: náusea, vômito, icterícia, febre, diarreia, cianose e dispneia.

Intoxicação crônica: distúrbios gastrintestinais, gengivoestomatite ulcerativa, fraqueza geral, perda do apetite, dermatites e danos renais.

Cádmio

Intoxicação aguda: dores abdominais, náuseas, vômitos, diarreias.

Intoxicação crônica: perda de olfato, tosse, falta de ar, perda de peso, irritabilidade, debilitação dos ossos, danos aos sistemas nervoso, respiratório, digestivo, sanguíneo e aos ossos.

Cancerígeno para pulmões e rins. (Grupo 1)

Chumbo

Intoxicação aguda: fraqueza, irritabilidade, astenia, náusea, dor abdominal com constipação e anemia.

Intoxicação crônica: perda de apetite, perda de peso, apatia, irritabilidade, anemia, danos nos sistemas nervoso, respiratório, digestivo, sanguíneo e aos ossos.

Cancerígeno para rins e sistema nervoso. (Grupo 2A)

Cobalto

Intoxicação aguda: diminuição da função ventilatória, congestão, edema e hemorragia dos pulmões, náusea, vômito, diarreia, dano ao fígado e dermatite alérgica

Intoxicação crônica: asma brônquica, eczema de contato, miocardiopatia e problemas hematológicos, pneumoconiose e fibrose intersticial pulmonar.

Cancerígeno para pulmões. (Grupo 2B)

Cobre

Intoxicação aguda: náuseas, vômitos, diarreias, anemia hemolítica, insuficiência renal, insuficiência hepática e coma, dor abdominal, tontura, taquicardia, hemorragia digestiva.

Intoxicação crônica: insuficiência hepática, Doença de Wilson.

Cancerígeno: tem fator predominante na Doença de Menkes e de Wilson.

Cromo (Hexavalente)

Intoxicação aguda: vertigem, sede intensa, dor abdominal, vômito, constipação.

Intoxicação crônica: dermatite, edema de pele, ulceração nasal, conjuntivite, náuseas, vômito, perda de apetite, rápido crescimento do fígado.

Cancerígeno para pele, pulmões e fígado. (Grupo 1)

Estanho

Intoxicação aguda: Náusea, vômito e diarreia, dor abdominal, dor de cabeça, irritação nos olhos e pele.

Intoxicação crônica: neurotoxicidade, Alzheimer, hemorragia cerebral, glioblastoma.

Ferro

Intoxicação aguda: lesão direta na mucosa intestinal, afeta a função mitocondrial, acidose, distúrbios na coagulação do sangue, hiper ou hipoglicemia, necrose tubular aguda, falha hepática aguda.

Intoxicação crônica: desconforto abdominal, letargia e fadiga.

Cancerígeno para pulmões, sistema digestivo. (Grupo 1)

Ftalato (oriundo do PVC)

Intoxicação aguda: sintomas alérgicos e problemas pulmonares.

Intoxicação crônica: danos ao sistema reprodutivo, problemas no fígado e rins, efeito negativo em processos metabólicos

Cancerígeno para próstata, pâncreas e múltiplo mieloma (Grupo 2B)

Lítio

Intoxicação aguda: vômitos, diarreia, ataxia, arritmias cardíacas, hipotensão e albuminúria.

Intoxicação crônica: afeta sistema nervoso.

Mercúrio

Intoxicação aguda: Aspecto cinza escuro na boca e faringe, dor intensa, vômitos, sangramento nas gengivas, sabor amargo na boca, ardência no aparelho digestivo, diarreia grave ou sanguinolenta, inflamação na boca queda ou afrouxamento dos dentes, glossite, tumefação da mucosa grave, necrose nos rins, problemas hepáticos graves, pode causar morte rápida (1 ou 2 dias).

Intoxicação crônica: Transtornos digestivos e nervosos, caquexia, estomatite, salivação, mau hálito, anemia, hipertensão, afrouxamento dos dentes, problemas no sistemas nervoso central, transtornos renais leves, possibilidades de alteração cromossômica.

Cancerígeno no sistema: os compostos de metil mercúrio são classificados como possível carcinogênico (Grupo 2B), mas o mercúrio metálico e os compostos inorgânicos de mercúrio não são classificados como carcinogênicos (Grupo 3)

Níquel

Intoxicação aguda: sensação de queimadura e coceira nas mãos, vermelhidão e erupção nos dedos e antebraços, edema pulmonar e pneumonia.

Intoxicação crônica: dermatite alérgica, conjuntivite, pneumonia easinofílica (síndrome de Leoffler), asma, rinite crônica, sinusite nasal e irritação pulmonar crônica.

Cancerígeno para pulmão e seios paranasais. (Grupo 1)

Prata

Intoxicação aguda: coma, edema pleural, hemólise e insuficiência na medula óssea

Intoxicação crônica: argiria, pigmentação da pele, unhas, gengiva.

Retardantes de chama bromados

Intoxicação aguda: problemas no fígado, afeta sistema imunológico.

Intoxicação crônica: bioacumulação no leite materno e sangue, interfere no desenvolvimento ósseo e cerebral, afeta o sistema neurológico, comportamental e hormônios da tireoide.

Selênio

Intoxicação aguda: anorexia, dispneia intensa, corrimento nasal espumoso, cianose, tremor, hipertermia, cegueira, taquicardia, arritmias cardíacas, ataxia e exaustão, edema pulmonar, cardíaco e hidrotórax(líquido no pulmão) pálido.

Intoxicação crônica: Cegueira ou descoordenação, alcalose metabólica.

Não cancerígeno (Grupo 3)

Vanádio

Intoxicação aguda: dor de cabeça, palpitações, sudorese e fraqueza generalizada, danos renais, bronquite e broncopneumonia.

Intoxicação crônica: rinite, faringite, bronquite, tosse crônica, respiração ofegante, falta de ar e fadiga.

Cancerígeno para pulmões, alteração genética (Grupo 2B)

Zinco

Intoxicação aguda (casos raros): náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia, mal-estar, cansaço, ulcerações gástricas, lesão renal e efeitos adversos no sistema imunitário.

Intoxicação crônica: anemia, aumento do LDL, diminuição do HDL e alteração dos linfócitos T.

A presença de tantos componentes tóxicos nos equipamentos eletrônicos é o que faz com que o descarte correto do lixo eletrônico seja tão importante. Se você tem resíduos eletrônicos em casa, consulte os postos de descarte no mecanismo de busca gratuito do Portal eCycle. Faça sua parte para que o seu lixo eletrônico não se transforme em lixo tóxico!


Fontes: CETESB e Greenpeace

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