O que é extrato de própolis, para que serve e alternativas

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Própolis é um hormônio natural produzido exclusivamente pelos vegetais, mas é essencial para a defesa das abelhas

própolis
Imagem editada e redimensionada de Bee Naturalles, está disponível no Unsplash

Própolis é uma palavra de origem grega pró (defesa) + polis (cidade), que provavelmente faz referência à "defesa da cidade” (no caso, colmeia) das abelhas. Ele é um hormônio natural produzido pelas plantas formado por material resinoso e balsâmico, sendo encontrado em ramos, flores, pólen e brotos, sendo essencial para a defesa das plantas contra fungos e bactérias. Algumas pessoas acreditam erroneamente que ele é produzido por abelhas, mas a verdade é que estes seres apenas o coletam para utilizar nos cuidados da colmeia.

O própolis e o extrato feito a partir dele, chamado de "extrato de própolis" têm propriedades antimicrobiana, antifúngica, antiprotozoária, antioxidante e antiviral (confira aqui uma revisão de estudos a respeito: 1).

Famoso desde o Antigo Egito, o própolis também era conhecido por romanos, gregos e incas. Suas propriedades estão sendo amplamente estudadas pelo mundo até hoje e podemos encontrar o produto em diversas formas, com cápsulas, balas, pó, tintura de própolis (diluídas em água ou álcool, para suavizar o sabor) e também como extrato de própolis (versão mais concentrada do produto).

Como o própolis comercializado normalmente é extraído das colmeias de abelhas, pode haver diferença de composição química, sabor, cor e aroma de um para o outro, pois as abelhas diversificam suas fontes de própolis.

Caixa de abelhas
Imagem editada e redimensionada de Annie Spratt, está disponível no Unsplash

Para que serve

Famoso há tanto tempo, até hoje há propriedades do própolis sendo estudadas e a substância traz inúmeros benefícios ao ser humano. De acordo com estudos, os principais benefícios do própolis - que podem ser utilizados por meio do extrato de própolis - são os seguintes:

Efeito antibacteriano

Os flavonoides, juntamente com alguns tipos de ácidos também presentes no própolis, causam danos à membrana ou parede celular das bactérias e abalam sua estrutura e funcionamento, impedindo sua multiplicação. Apesar de não ser eficaz contra todos os tipos de bactérias, o extrato de própolis é utilizado regularmente pela população para evitar infecções e aliviar sintomas de dor de garganta, tosse, gastrite, intoxicação alimentar, problemas na gengiva e aftas, assim como prevenir placa bacteriana e mau hálito.

Efeito antiviral

Os flavonoides do tipo crisina e canferol diminuíram a taxa de replicação do vírus da herpes, enquanto que o ácido cinâmico contido no própolis agiu significativamente sobre o vírus da Gripe A (H1N1). Outras substâncias do própolis estão sendo estudados em diferentes linhagens de vírus, inclusive de HIV.

Efeito antiprotozoário

O própolis impediu o crescimento de culturas do Trichomonas vaginalis, (causador da DST Tricomoníase) e também se mostrou efetivo no combate à giárdia (parasita do sistema digestivo humano que causa inflamação no intestino), Toxoplasma gondii (causador da Toxoplasmose) e Trypanosoma cruzi (causador da Doença de Chagas).

Efeito antifúngico

O própolis, combinado com drogas antimicóticas, pode ser eficaz contra alguns tipos de fungos. Um exemplo do seu potencial é sua ação contra Trichophyton e Microsporum (causadores de manchas na pele) em combinação com o líquido propilenoglicol.

Efeito anti-inflamatório

O flavonoide chamado galangina impede a formação de enzimas que causam reações responsáveis por sintomas de inflamação e dor em humanos. Além disso, o própolis estimula a imunidade celular e incentiva a atividade de destruição de corpos estranhos (atividade fagocítica).

Efeito antioxidante

A presença de radicais livres nas células, resultantes de reações de oxidação, podem causar morte celular precoce. Isso faz com que várias doenças possam ser desenvolvidas, como cardiovasculares, reumáticas, neurológicas, diabetes e envelhecimento precoce. Os flavonoides presentes no própolis conseguem eliminar do nosso corpo esses radicais livres em excesso.

Efeito cicatrizante

Os flavonoides são também os responsáveis por essa propriedade do própolis. O efeito cicatrizante do própolis, também presente no extrato de própolis, está ligado a outros de seus benefícios, como a ação antioxidante, que ao retirar os radicais livres permite a regeneração de células e tecidos, e o poder anti-inflamatório do própolis, que promove por si só uma cicatrização do local. Por muito tempo, o própolis foi usado em sua forma bruta em guerras, sendo passado diretamente em cima dos ferimentos dos soldados.

Efeito imunomodulador

O ácido cafeico presente no própolis aumentou a produção de CD4 e CD8 (células de defesa do corpo) e anticorpos específicos em estudos realizados com camundongos.

Efeito antineoplásico

Estudos indicam eficácia dos flavonoides do própolis no combate à substância dioxina, produzida na degradação de produtos que contêm cloro (como plásticos e herbicidas). A dioxina é absorvida pelos humanos através da cadeia alimentar, já que está presente na água, em vegetais e, consequentemente, em animais dos quais nos alimentamos, e promove a formação de substâncias cancerígenas. Além disso, outros diversos compostos do própolis têm sido isolados e usados em estudos que buscam impedir o crescimento de tumores.

Efeitos indesejados

Dentes manchados

O consumo do própolis ou do extrato de própolis pode manchar os dentes.

Risco para diabéticos

O principal risco do própolis, em sua forma bruta, está relacionado ao teor de açúcar, que pode ser um risco para indivíduos diabéticos ou com propensão a desenvolverem a doença.

Alergia

O própolis pode provocar alergia em algumas pessoas, com sintomas como inchaço, vermelhidão, dermatite psoríasiforme, coceira ou urticária na pele - em pessoas mais sensíveis ou com histórico de alergia, o ideal é pingar duas gotas do extrato de própolis na pele e aguardar cerca de 30 minutos para ver se surge alguma vermelhidão.

Como usar o própolis

Para regeneração dos tecidos, cicatrização e espinhas, aplique uma ou duas gotas do extrato de própolis sobre a ferida sempre que trocar o curativo ou diretamente na espinha de quatro a cinco vezes por dia. No caso de problemas respiratórios, coloque algumas gotas de extrato de própolis em água fervida e faça inalações com o vapor.

Já para dor de garganta, adicione quatro a cinco gotas de extrato de própolis em uma xícara de água e use para fazer um gargarejo. Essa solução pode ser usada várias vezes por dia, conforme a necessidade. No caso de tosse irritativa ou com catarro, gripe, sinusite e amigdalite, coloque três a quatro gotas do extrato de própolis em algum chá. Tome várias vezes por dia, sempre que necessário.

Alternativas veganas

Apesar de ser produzido pelos vegetais, o própolis usado para o consumo humano é extraído das colmeias das abelhas. De acordo com estudo, estes seres sencientes são capazes de sentir dor, prazer e medo. Além disso, a polinização feita pelas abelhas garante a alta produtividade e qualidade dos frutos.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO - na sigla em inglês), 70% das culturas de alimentos depende das abelhas. Mas a eficácia delas não para por aí. Ao transportar o pólen entre as plantas, elas garantem a importante variação genética das espécies para o equilíbrio dos ecossistemas e a reprodução das espécies. Ou seja, sem abelhas, não temos alimentos na mesa (seja vegetal ou animal) e muito menos oxigênio.

A má notícia é que elas estão em risco de extinção, o que seria catastrófico para a humanidade. Dessa forma, há um debate moral e socieconômico em torno do uso de produtos extraídos das colmeias como mel, cera, pólen, geleia e o própolis - principalmente por parte dos ambientalistas e veganos.

A retirada do própolis pode aumentar a vulnerabilidade da colmeia a ataque por fungos, bactérias e outros insetos, aumentando o risco de extinção das abelhas.

Mas você pode substituir o própolis por alguns produtos com as mesmas propriedades, ou até superiores. Alguns exemplo são o óleo essencial de cravo, óleo essencial de melaleuca, óleo essencial de alecrim e óleo essencial de hortelã-pimenta.

Você pode fazer uma mistura de uma gota de cada óleo essencial misturados em um copo de água e fazer gargarejo para obter propriedades superiores no combate à dor de garganta e infecção, por exemplo (jamais ingira) e ainda obter proteção para os dentes contra caries - diferente do própolis que causa manchas e contém açúcar. Essa alternativa ainda é viável para diabéticos. Se quiser obter um sabor adocicado para o seu gargarejo sem prejudicar seus dentes, adicione uma colher de sopa de xilitol.

Antes disso, assim como o própolis, é preciso testar duas gotas de óleo essencial diluído em uma colher de sopa de óleo carreador no antebraço para verificar se não há reação alérgica. Caso apresente, retire o óleo essencial com um óleo vegetal.

Você ainda pode utilizar tinturas de Echinacea para tratar gripes e resfriados e tintura de melaleuca, para tratar problemas bucais, micoses e dermatites (bacterianas ou fúngicas).


Veja também:

 

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