Trump assina decreto eliminando plano de energia limpa dos EUA

Com medida, provavelmente o país não deverá cumprir sua parte no Acordo de Paris

Trump
"Donald Trump" por Gage Skidmore está licenciado sob CC BY 2.0

O decreto assinado em 28 de março por Donald Trump no intuito de desmontar o Plano de Energia Limpa dos EUA pode prejudicar fortemente a economia americana e impedir um corte de emissões que nos mantenha dentro dos limites seguros do Acordo de Paris. A ordem instrui a Agência de Proteção Ambiental a rever o plano assinado pelo governo Obama para reduzir as emissões no setor de serviços públicos, de longe o maior emissor do país. O decreto é, portanto, um ato irresponsável que pode estimular outros países a seguir o mesmo caminho, e deve passar para a história como um atentado contra a humanidade.

O planeta bateu seu terceiro recorde seguido de aquecimento em 2016. Os cientistas alertam que, se quisermos ter alguma chance de evitar uma catástrofe climática neste século, precisamos acelerar – e muito – a redução de emissões. A ONU reforça é preciso produzir a mudança decisiva que permitirá estabilizar o aquecimento global em 1,5°C até 2020. A decisão de Trump praticamente elimina essa possibilidade, já que o Plano de Energia Limpa é uma parte importante da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) dos EUA. Se a ideia de Trump é parar a mobilização climática, o plano não deve funcionar. O Acordo de Paris está em vigor e já foi ratificado por 141 países. A revolução econômica sacramentada por ele está em pleno curso e não será fácil revertê-la. A própria matriz energética americana já se enveredou no sentido da descarbonização: em 2016, segundo a Agência Internacional de Energia, as emissões dos EUA caíram 1,6%, com a economia crescendo 3%, as menores em quase 30 anos.

Além disso, os benefícios climáticos e de saúde do Plano de Energia Limpa poderiam chegar a US$ 93 bilhões por ano em 2030, e custariam apenas US$ 8,8 bilhões por ano para implementá-lo. Para quem se diz o empresário mais bem-sucedido que já caminhou sobre a Terra, Trump demonstra uma capacidade assombrosa de rasgar dinheiro. O do contribuinte, pelo menos.

O mundo caminha para o fim da era dos combustíveis fósseis. Tentar adiar esse fim, como Trump está fazendo, contra o bom senso econômico, apenas aumentará o tamanho do tombo. Este deve chegar antes do que se imagina: novos estudos sugerem que os carros elétricos podem fazer a demanda por petróleo chegar ao pico até 2020.

“O conjunto de políticas de Trump desestimula a inovação, que sempre foi o motor do crescimento americano, no setor mais quente da economia global, o de energias renováveis”, diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. Segundo ele, a economia do século XXI está se afastando definitivamente das fontes de energia dos séculos XIX e XX, e outros países, como a China, vêm assumindo a liderança nessa transição. “O Brasil, que hoje coloca mais de 70% de seus investimentos do setor de energia nos combustíveis fósseis, em especial no pré-sal, deveria se dar conta do risco que corre ao fazer isso.”

“Para favorecer seus aliados da indústria fóssil, Trump abdica o interesse estratégico dos EUA e expõe sua população aos impactos das mudanças climáticas, já que o governo também vai parar de investir em adaptação”, diz André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do Observatório do Clima. A ação climática, no entanto, segue firme nas esferas estadual e municipal, nos bancos e nas empresas. “As companhias americanas não vão querer, nem poder, ficar de fora da economia de século XXI. Isso certamente levará o país para o rumo certo, independentemente dos rompantes do míope de plantão na Casa Branca."



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