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Segundo Aluízio Marino, as soluções para um problema tão complexo só serão alcançadas por meio de um diálogo com os moradores de rua

Por Jornal da USP A pandemia amplificou a crise habitacional já típica de grandes centros urbanos, levando mais pessoas e famílias à condição de rua. Em adicional, a defasagem de dados em relação a essa população dificultou a elaboração de políticas públicas efetivas para solucionar o problema que, além da moradia, também engloba o desemprego e a saúde, especialmente afetados pelo período pandêmico. 

Para alcançar uma visão mais próxima da realidade, pesquisadores do laboratório LabCidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP recontaram os óbitos da população de rua de São Paulo entre março de 2020 e maio de 2021, com base na comparação de dados de diferentes censos. “Os números que encontramos são maiores do que o dobro do que a Prefeitura havia informado no mesmo período”, afirma Aluízio Marino, um dos autores do estudo, em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição. “Os dados divulgados até então eram muito pequenos, baixos, e geravam certa desconfiança. Relatamos 96 óbitos, mas estimamos que o total pode chegar a 400.”

“Destaco, também, que os números que apontamos não dão conta da realidade. Nós dependemos muito da boa vontade de alguns profissionais de saúde, que preenchem os formulários de óbito com a indicação de que o paciente se tratava de uma pessoa em situação de rua”, continua Marino. Segundo o pesquisador, não há um procedimento padrão na medicina para catalogar tais informações, o que dificulta a compreensão do real impacto da pandemia sobre a população de rua. A metodologia utilizada na coleta de dados é outro empecilho, conta: “A rua tem um sentido de transitoriedade. O morador muitas vezes sai dela e vai para um hotel, para uma pensão, e nós deveríamos abranger essas outras condições de moradia que também dialogam com a situação de rua”.

A pesquisa desenvolvida pela FAU também pôde estabelecer um perfil da população de rua que faleceu no período de pandemia. Os óbitos aconteceram principalmente entre homens negros, mais velhos, e com problemas de saúde prévios, diz Marino. Pessoas em situação de calçada, ou seja, que não frequentavam centros de acolhimento, também foram as mais afetadas.

Políticas de acolhimento

Marino denuncia que o atual sistema de abrigos, marcado por dormitórios compartilhados que se assemelham a um albergue, vai contra as indicações de biossegurança pertinentes à pandemia. “É quase um depósito de gente”, diz o pesquisador, que reforça a necessidade da existência de centros de acolhimento diversos: “Locação social, repúblicas, sempre acompanhadas por atendimentos a longo prazo”. A intersecção entre diferentes medidas de proteção à população de rua também se faz essencial para garantir a qualidade de vida do grupo. “Não podemos distinguir a saúde da habitação ou da capacitação profissional, a política deve ser completamente conectada”, completa.

“As soluções para esse problema tão complexo só serão alcançadas através do diálogo com a população de rua. Eles têm vozes, vivências, opiniões e, sem uma escuta ativa dessas pessoas, teremos sempre mais do mesmo”, finaliza Marino.

Confira o estudo completo neste link.