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Bioincrustação sobre estruturas flutuantes, rafting plástico torna ainda pior problema do lixo marinho

Rafting plástico é a dispersão oceânica por organismos pelágicos realizada em lixo marinho de durabilidade alta. A partir desse processo, até mesmo comunidades de organismos costeiros passam a conseguir habitar o alto mar, a grandes distâncias da costa. Uma das consequências disso, dentre outras alterações ecológicas, é o aumento da invasão biológica por algumas espécies, reduzindo o habitat das espécies nativas.

Diferença entre rafting e raft de plástico

A dispersão oceânica (ou rafting, em inglês) é o processo de bioincrustação sobre estruturas flutuantes (rafts) dispersas nos oceanos. A dispersão desses rafts não se prolonga por muito tempo, pois se tratam de macroalgas, sementes, bulbos, galhos, restos de animais e outros materiais biodegradáveis que logo são decompostos. 

Já os rafts de plástico, como o próprio nome indica, são feitos de material durável e altamente flutuante, que não se decompõe rapidamente. Dessa forma, os organismos incrustados nessas superfícies podem ser transportados por milhares de quilômetros em um longo período de tempo,  o que torna o rafting plástico um processo bem diferente do rafting como antes se conhecia.

Os oceanos eram vistos como barreiras geográficas para a dispersão de espécies costeiras, apesar da existência de processos de dispersão. Entretanto, com o rafting plástico, esse não é mais o caso, sendo essas espécies capazes não apenas de sobreviver por anos em alto mar, mas também de se reproduzirem na zona pelágica (região oceânica onde ocorrem organismos que vivem nas colunas de água e não dependem dos fundos marinhos para sua sobrevivência).

Lixo marinho e as comunidades neopelágicas

Com o aumento da produção de lixo marinho, especialmente em áreas em que plásticos flutuantes tendem a se acumular, como nos sistemas de giros subtropicais como o Giro Subtropical do Pacífico Norte, passa a haver uma diferenciação entre organismo pelágicos e organismos neopelágicos. 

As comunidades neopelágicas são formadas de espécies pelágicas que evoluíram para a sobrevivência em substratos marinhos flutuantes juntamente com várias espécies costeiras bentônicas (que dependem dos fundos marinhos para sobreviverem) que, anteriormente, acreditava-se impossível a sobrevivência em alto mar. Inclusive, historicamente, os únicos invertebrados a conseguirem habitar o oceano aberto eram os que integram o nêuston, um grupo de organismos microscópicos que flutuam ou nadam na superfície oceânica (zona epipelágica) ou logo abaixo dela mas ainda na zona fótica. 

Alguns exemplos desses organismos neopelágicos são:

  • as espécies antes apenas pelágicas:
    • a craca Lepas anatifera,
    • o caranguejo Planes major, 
    • e o briozoário Jellyella tuberculata.
  • as espécies que antes habitavam apenas as zonas costeiras:
    • o hidroide Aglaophenia pluma,
    • a anêmona Anthopleura sp,
    • o coral Favia fragum,
    • e o anfípode Stenothoe gallensis.
lepas-rafting-plastico
Lepas anatifera – Por Tom Page, Aurevilly, via Wikimedia Commons

Impactos sobre a vida marinha

O lixo marinho é mais conhecido por impactar vertebrados marinhos, por meio da sua ingestão, por reduzir a mobilidade desses, ou por matá-los por sufocamento ou estrangulamento. Para além desses impactos, o lixo marinho afeta as comunidades bentônicas ao reduzir a quantidade de oxigênio disponível no substrato do fundo dos oceanos.

O rafting plástico é mais dos potenciais impactos do lixo em ambiente marinho, pois a remoção desses substratos sem ser pela ação humana costuma ocorrer por submersão, encalhe ou ao serem consumidos por animais aquáticos, este último podendo acontecer em alto mar, nos substratos afundados e nos encalhados. Apesar de ser improvável que os epibiontes presentes nos substratos afundados sejam capazes de colonizar a zona afótica, o mesmo não pode ser dito sobre os epibiontes dos substratos que encalham nas zonas costeiras.  

Risco para invasões biológicas

O raft de plástico deve ser um novo fator a ser considerado no controle de invasões biológicas, visto que com a grande quantidade de lixo marinho que pode servir de substrato para os organismos neopelágicos tende a aumentar as chances de dispersões transoceânicas por espécies costeiras. 

Outra questão importante se refere a quais os impactos que podem ser causados à comunidade pelágica, com a provável expansão desses substratos no meio marinho e, consequentemente, de seus novos habitantes.

Combatendo o problema

Para combater as consequências do rafting plástico, são necessárias iniciativas que ajudem a compreender melhor esse processo em diferentes regiões do mundo, assim como ações de conscientização, para evitar que o lixo atinja os ambientes costeiros e marinhos, e ações de limpeza destes ambientes. Todos os anos, o Dia Mundial de Limpeza reúne pessoas, em 180 países diferentes, em ações com esse objetivo.

O projeto FloatEco, por sua vez, atua rastreando grandes volumes de lixo plástico no Giro Subtropical do Pacífico Norte, não apenas para removê-los, mas para entender como eles se movimentam em oceano aberto, além de como se desenvolve a colonização deles por organismos marinhos.

Você também pode colaborar com atitudes simples como nas dicas abaixo e no vídeo a seguir:

  • Ao caminhar, ou até mesmo quando for correr, colete o lixo que encontrar pelo caminho;
  • Recolha o próprio lixo e o que encontrar quando visitar ambientes naturais, como praias e rios;
  • Ao viajar para uma cidade costeira, procure se informar sobre a estrutura de gerenciamento de resíduos que a cidade possui. Se esta for precária, considere a possibilidade de levar com você o resíduo que produzir, pelo menos até uma cidade com mais estrutura;
  • Busque saber a forma correta de descarte dos resíduos que você produz, use a ferramenta de busca do eCycle.