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Equipes especialistas encontram planta endêmica no estado de Rio de Janeiro

Imagem editada e redimensionada de Forest & Kim Starr, está disponível no Wikimedia e licenciada sob CC by 3.0

A espécie Pleroma hirsutissimum foi redescoberta na natureza, após mais de 30 anos, pela equipe do Plano de Ação Nacional para Conservação da Flora Endêmica Ameaçada de Extinção do Estado do Rio de Janeiro (PAN Flora Endêmica do Rio de Janeiro), no Parque Estadual Costa do Sol em Cabo Frio, Rio de Janeiro. A ação é resultado de uma série de expedições realizadas no mês de novembro de 2020, no âmbito do Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção.

A implementação do PAN Flora Endêmica do Rio de Janeiro é coordenada pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS-RJ) em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro por meio do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) e consultoria do WWF-Brasil.

As expedições de campo que resultaram na redescoberta da espécie tinham como objetivo realizar coleta de sementes e produção de mudas de espécies nativas do estado. Os locais visitados foram o Parque Estadual Costa do Sol (PECS), a Área de Proteção Ambiental da Massambaba (APA Massambaba), a Reserva Ecológica Estadual de Jacarepiá (REEJ), Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET) e áreas urbanas do município do Rio de Janeiro fora de Unidades de Conservação (UCs).

A espécie Pleroma hirsutissimum é uma planta endêmica das restingas de Cabo Frio e Arraial do Cabo, está categorizada como Criticamente em Perigo (CR), de acordo com o Livro Vermelho da Flora Endêmica do Estado do Rio de Janeiro (2018) e sua última coleta tinha sido registrada em 1982. Antigamente era reconhecida pelo nome de Tibouchina hirsutissima e é representativa do bioma Mata Atlântica. Os principais vetores de pressão da espécie estão ligados à expansão imobiliária e impactos ambientais provocados pelo turismo de veraneio.

A redescoberta da espécie foi confirmada pelo Dr. Paulo Guimarães, pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e especialista em Melastomataceae, que ressalta a importância da coleta, pesquisa e avaliação de espécies para o registro do patrimônio natural da Mata Atlântica.

“Ações como essa do PAN Flora Endêmica, ao mesmo tempo que promovem um cuidado com a flora desconhecida ou ameaçada, contribuem para uma conscientização da sociedade, para que se tornem também agentes da preservação ambiental”, aponta Guimarães.

As ações de implementação do PAN que propiciaram este achado são de extrema relevância para promover ações diretas na conservação de espécies ameaçadas de extinção. A pesquisadora e consultora do WWF-Brasil e da SEAS-RJ, Inara Carolina da Silva Batista, afirma que “além das espécies alvo do PAN, outras espécies e a localidade de ocorrência podem e devem ser beneficiadas pelas ações planejadas, e a redescoberta amplia o conhecimento científico sobre a rica e ameaçada flora fluminense”.

O Projeto Pró-Espécies aplica uma metodologia com abordagem territorial que prevê a elaboração de Planos de Ação conjuntos, nos quais espécies de flora e fauna que ocorrem em um determinado território são contempladas no mesmo plano de ação. A metodologia foi validada por representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e WWF-Brasil.

Anna Carolina Lins, analista de conservação do WWF-Brasil, explica a importância de esforços conjuntos para a pesquisa e coleta na implementação das ações nos Planos de Ação Territoriais: “A redescoberta de uma espécie tão rara foi um resultado importante e inesperado, um excelente exemplo de como os planos territoriais podem beneficiar outras espécies. Esse resultado só foi possível porque tivemos a parceria dos gestores das UCs, as consultoras do WWF-Brasil que coordenaram as atividades de campo junto com a SEAS, e o pesquisador do JBRJ que confirmou a identificação, resultando em um trabalho em conjunto de órgãos públicos, ONGs e academia.”

Sobre o PAN Flora Endêmica do Rio de Janeiro

O Plano de Ação Nacional para a Conservação da Flora Endêmica Ameaçada de Extinção do Estado do Rio de Janeiro (PAN da Flora Endêmica do RJ) foi iniciado em junho de 2020 e busca conservar espécies endêmicas do estado do Rio de Janeiro.

Está sob a coordenação da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS-RJ) e pelo Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ). O Plano beneficia mais de 500 espécies exclusivas do estado e é composto por ações de gestão de biodiversidade, pesquisa científica, produção de mudas e ações de restauração, entre outras.

Sobre o Projeto Pró-Espécies

O Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção é financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Facility Trust Fund), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), sendo o WWF-Brasil a agência executora. O objetivo é alavancar iniciativas para reduzir as ameaças e melhorar o estado de conservação de pelo menos 290 espécies categorizadas como Criticamente em Perigo (CR) e que não contam com nenhum instrumento de conservação.


Fonte: Mariana Gutiérrez em WWF – licenciado sob Creative Commons Attribution-NoDerivatives 4.0 International License


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