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A efetividade da proteção da máscara de tecido depende dos materiais usados, das contagens de fios e do ajuste correto do item, aponta estudo

A máscara de tecido caseira é uma alternativa acessível que evita a escassez de máscaras profissionais no sistema de saúde, além de ser uma opção lavável que gera menos resíduos. Entretanto, pouco se sabe sobre a efetividade do uso das máscaras caseiras, embora elas sejam recomendadas por especialistas da área de saúde.

Em períodos de surtos, epidemias ou pandemias de doenças infecciosas que se propagam por meio de aerossóis (gotículas respiratórias), como é o caso da pandemia de Covid-19, a demanda por máscaras de proteção aumenta. Por isso, optar por uma máscara de tecido ajuda a evitar as consequências negativas do uso em excesso desse item.

Um estudo publicado pela revista científica ACSNano avaliou a efetividade de vários tipos de máscara de tecido caseira e chegou à conclusão de que sua efetividade depende de quatro fatores: camadas de tecido, material utilizado, densidade dos fios da costura e ajuste da máscara ao rosto.

Máscara de tecido: camadas, material e densidade dos fios

O estudo analisou tipos de tecidos comuns normalmente utilizados para fazer máscaras de tecido caseiras, como algodão, seda, chiffon, flanela, sintéticos e combinações de tecidos. A conclusão foi de que a efetividade da proteção é mais significativa quando a máscara é confeccionada com mais de uma camada de pano.

O algodão, a seda natural e o chiffon apresentaram boa proteção, geralmente acima de 50% quando confeccionados com uma trama firme. Mas a eficiência da filtração dos tecidos híbridos, como algodão-seda, algodão-chiffon e algodão-flanela, foi maior que 80% para partículas de aerossol menores que 300 nanômetros e de 90% para partículas de aerossol maiores que 300 nanômetros, tendo mais relevância protetiva.

Para os pesquisadores, esse desempenho da máscara de tecido híbrido pode ser devido ao efeito combinado da filtração mecânica (do algodão) com a eletrostática (da seda natural, por exemplo).

O algodão, o material mais utilizado para a confecção de máscaras de tecido, tem um desempenho melhor em tecelagem com densidades mais altas (ou seja, com um número maior de fios) e pode fazer uma diferença significativa na eficiência de filtragem.

Combinação de tecidos aumenta proteção

No geral, as combinações de vários tecidos comumente usados em máscaras de tecido podem fornecer uma proteção significativa contra a transmissão de partículas de aerossol. O estudo concluiu que é preferível utilizar tecidos com tramas justas e baixa porosidade, como os encontrados em lençóis de algodão com alta contagem de linhas.

Um algodão do tipo 600 fios, por exemplo, teve um desempenho melhor que um de 80 fios. Por sua vez, o algodão de 30 fios apresentou baixo desempenho, o que mostra que tecidos porosos devem ser evitados.

Materiais como seda natural, tecido de chiffon (90% poliéster e 10% de tecido Spandex) e flanela (65% algodão e 35% poliéster) podem fornecer boa filtragem eletrostática de partículas. Quatro camadas de seda, como no caso de um cachecol que tampe o nariz e a boca e esteja preso bem firme na cabeça, também fornecem uma boa proteção.

Combinar camadas para formar máscaras híbridas aumenta a filtragem mecânica e eletrostática. Isso pode incluir algodão com alta contagem de fios combinado com duas camadas de seda natural ou chiffon. Uma composição de duas camadas de algodão e uma de poliéster também funciona bem.

Em todos esses últimos casos mencionados, a eficiência de filtragem foi maior que 80% para gotículas menores que 300 nanômetros e maior que 90% para gotículas menores que 300 nanômetros.

Ajuste da máscara de tecido

O estudo também concluiu que lacunas causadas por um ajuste inadequado da máscara podem resultar em uma redução de mais de 60% da eficiência da filtragem das gotículas, mesmo que o tecido tenha alta filtragem.

Máscaras feitas sem acessórios de vedação, como elastômeros, dão espaço para a formação de lacunas entre a máscara e os contornos faciais, resultando em pequenos furos que geram “vazamento”, o que reduz sua eficácia. O ajuste é um aspecto crítico até mesmo para uma máscara com um tecido de alto desempenho.

Para se ter uma ideia, no caso de uma máscara profissional N95, um aumento de 0,5% a 2% nas lacunas laterais causou uma redução de 50% a 60% na eficiência média da filtragem para uma partícula de tamanho menor que 300 nanômetros.

Como fazer sua própria máscara de tecido

Agora que você já aprendeu sobre a efetividade das máscaras de tecido, veja como fazer uma com o passo a passo das professoras da Universidade de São Paulo (USP) Susana Segura Muñoz e Karina Dal Sasso Mendes e a enfermeira Patrícia Abrahão Curvo.

Como cuidar da sua máscara de tecido

  1. Coloque o máscara antes de sair de casa, com as mãos limpas, protegendo bem a boca e o nariz;
  2. Ao sair de casa evite tocar na frente da máscara;
  3. Nunca compartilhe sua máscara;
  4. Troque sempre que ficar suja ou úmida, colocando a suja dentro de um saco plástico.

Como higienizar sua máscara de tecido

  1. Ao chegar em casa, lave as mãos primeiro e depois, retire a máscara de tecido pelas tiras laterais;
  2. Ferva a máscara de tecido com água e sabão;
  3. Antes de usá-la, passe o ferro aquecido com cuidado para não queimar o tecido.