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Ativistas da Amazônia estarão na 26a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU, que neste ano acontece em Glasgow, na Escócia, ampliando a visibilidade de povos originários e tradicionais

Por WWF Brasil – A crescente atuação de jovens em defesa de pautas socioambientais, especialmente na agenda climática, tem resultado em mobilizações cada vez maiores mundo afora. Não será diferente na 26a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP26), que acontecerá em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro. 

Parte da delegação brasileira é apoiada pelo WWF-Brasil. “Acreditamos que são essas as vozes que precisam ser fortalecidas em espaços estratégicos de tomada de decisão como a COP26, especialmente depois do que foi apontado pelo último Relatório do IPCC”, afirma Giselli Cavalcanti, coordenadora do Grupo de Trabalho de Clima do Engajamundo e estrategista de campanhas do WWF-Brasil, que também está a caminho de Glasgow.  

O Relatório do IPCC, lançado em agosto, evidencia que a crise climática já traz consequências irreversíveis para o planeta, como o derretimento de geleiras e a elevação do nível dos oceanos, e cobra ações concretas e urgentes para enfrentar o problema.  

Neste momento crucial, em que os impactos negativos são uma realidade, é importante que os jovens, em especial os indígenas, que representam as populações mais vulnerabilizadas pelas mudanças climáticas, estejam presentes nos principais espaços de tomada de decisão e que possam denunciar o que ocorre em seus territórios. 

“Quero mostrar ao mundo um pouco da realidade dos povos indígenas”, afirma Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau. Aos 21 anos, Bitaté chegou a Glasgow no dia 27 de outubro, com o apoio do WWF-Brasil. “Também tenho a expectativa de ganhar conhecimento. Estamos sempre lutando por nossos direitos no nosso território, no Brasil. E estaremos na COP para mostrar nossa resistência. E para mostrar que nós, indígenas, lutaremos em todos os lugares, no Brasil e internacionalmente”, salienta. 

Para Txai Suruí, de 24 anos, também de Rondônia, o evento será fundamental para fazer ecoar as vozes da floresta. “Minha expectativa para essa COP é de grande visibilidade para os povos indígenas”, conta Txai, que também já está na Escócia. 

“É difícil dizer quais resultados vão sair daqui, mas independentemente disso, a luta dentro dos nossos territórios vai continuar. E vai continuar sendo uma luta pelo planeta e contra as mudanças climáticas. Nunca teremos justiça climática enquanto não colocarmos no centro dessa discussão os povos originários e aqueles que vêm lutando pela floresta”, diz Txai, que faz parte do Engajamundo e também do Conselho Deliberativo do WWF-Brasil.  

“Espero que a gente consiga ecoar as nossas vozes e levar ao mundo a situação da Amazônia, mostrando o que está acontecendo dentro dos territórios indígenas. Queremos colocar no centro dessa discussão aqueles que realmente vêm lutando pela floresta, que são os povos indígenas”, frisa Txai. 

Por meio de uma parceria com o Engajamundo, o WWF-Brasil também está apoiando a ida de três jovens mulheres da Amazônia à COP26, no âmbito do Programa Vozes pela Ação Climática Justa (VAC). O programa é financiado pelo governo da Holanda e abrange o Brasil, a Indonésia, o Quênia, a Zâmbia, a Tunísia, o Paraguai e a Bolívia. Além do WWF-Brasil, o VAC tem como parceiros no Brasil a Fundação Avina, Hivos e a sul-africana SouthSouthNorth (SSN). 

Voz própria. Os jovens indígenas são as pessoas mais apropriadas para falar de suas realidades e sobre os impactos das mudanças climáticas nos seus territórios e no seu modo de vida.  

“É fundamental que possam demonstrar a importância de ter as florestas, os territórios e as comunidades protegidas, evidenciando ao mundo que é possível pessoas e natureza viverem em harmonia. Apoiamos ativistas bastante engajadas, que carregam toda a bagagem de seus territórios. Os jovens e as demais populações falam por eles mesmos, têm muito a dizer e nós precisamos escutar”, ressalta Clarissa. 

Outros membros da delegação jovem brasileira na COP26 foram apoiados pelo Engajamundo: Bruna Valença, de 22 anos, do Rio de Janeiro; Camille Cristina, 18, de São Paulo; Carolina Dias, 21, de Caçapava do Sul (RS); Frances Andrade, 25, de Nossa Senhora da Glória (SE); Isvilaine Conceição, 25, de Passa Três (RJ); Mirela Pita, 20, Paulo Ricardo, 27, e Samara Assunção, 21 anos – os três de Feira de Santana (BA). 

“O objetivo é fortalecer as organizações e populações do território amazônico, por meio de parcerias, para que a população esteja no centro das decisões com relação à agenda climática”, diz Clarissa Tavares, coordenadora do VAC no WWF-Brasil. 

Segundo ela, trata-se de um projeto de engajamento das populações locais. “As populações nos territórios já têm soluções próprias para o enfrentamento da crise climática, mas elas não têm suas vozes ouvidas. Nosso objetivo é ajudar a empoderá-las para que possam ser escutadas e consideradas nos processos de tomada de decisão. E que possam contar suas histórias e suas realidades a partir de ferramentas de comunicação”, declara. 

O programa trabalha com fortalecimento institucional e de capacidades, construção de narrativas, mídia-ativismo e advocacy a partir de experiências e conhecimentos das populações da Amazônia, a fim de promover uma transformação no cenário de exclusão e destruição socioambiental, para que essas populações estejam no centro das tomadas de decisão. 

“Um dos eixos do programa é apoiar o engajamento de jovens e mulheres nos espaços importantes de discussão sobre a questão climática. No contexto da COP, estamos apoiando a ida de três jovens da Amazônia, dentro do programa VAC, para essa ação de incidência por meio do Engajamundo”, explica Clarissa. 

A parceria viabilizou a viagem de Celina Pinagé, de 22 anos, ativista da região Amazônica que vive em Manaus; Darlly Tupinambá, de 21 anos, indígena moradora da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, na região do Baixo Tapajós, em Santarém (PA); e Jaciara Borari, de 25 anos, de Alter do Chão (PA). Txai Suruí, que faz parte do Engajamundo, também conta com o apoio do Programa VAC, com recursos da Fundação Avina.