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Estudo mostra que expressões faciais e vocalizações ajudam predadores a evitar conflitos e reforçam a complexidade de suas relações sociais

As brincadeiras entre hienas-malhadas vão muito além do entretenimento. Pesquisa realizada com animais em vida livre revelou que esses grandes predadores recorrem a uma combinação refinada de expressões faciais e vocalizações para manter as interações pacíficas, reduzir o risco de confrontos e preservar a coesão do grupo. As descobertas reforçam o elevado nível de organização social e das capacidades cognitivas da espécie.

Embora a comunicação elaborada seja frequentemente associada aos primatas, as observações indicam que as hienas-malhadas (Crocuta crocuta) utilizam um repertório igualmente complexo para transmitir intenções durante as brincadeiras. O comportamento foi registrado em populações monitoradas na Tanzânia e na África do Sul.

As disputas simuladas fazem parte da rotina de indivíduos de todas as idades. Os filhotes recorrem a esse tipo de interação com maior frequência, enquanto os adultos também mantêm o hábito ao longo da vida. Entre os animais mais velhos, as atividades recreativas em ambientes aquáticos chamaram a atenção dos pesquisadores pela recorrência.

As chamadas lutas de brincadeira exigem um sistema eficiente de comunicação para evitar interpretações equivocadas. Como as hienas possuem grande força física e mordidas extremamente potentes, a troca de sinais durante essas interações reduz a possibilidade de que um exercício lúdico evolua para um confronto real.

Entre os principais recursos visuais está a chamada Boca Aberta Relaxada (ROM, na sigla em inglês), expressão facial considerada um dos sinais de brincadeira mais difundidos entre mamíferos. O gesto costuma ser exibido de maneira visível ao parceiro de interação para indicar que a situação permanece amistosa.

O estudo constatou que esse sinal visual predomina quando apenas duas hienas brincam e conseguem manter contato visual constante. Já nas atividades envolvendo vários indivíduos, o comportamento muda. Nesses cenários, as expressões faciais passam a ser acompanhadas por vocalizações específicas, capazes de alcançar participantes que estejam fora do campo de visão.

Ao longo da pesquisa, os cientistas registraram 13 tipos diferentes de vocalizações emitidas durante as brincadeiras. Cinco delas nunca haviam sido descritas pela literatura científica. A hipótese é que esses sons complementem a comunicação visual, permitindo que todos os integrantes compreendam o contexto da interação mesmo sem enxergar diretamente os demais.

A flexibilidade na utilização simultânea de diferentes canais de comunicação demonstra que as hienas ajustam seus sinais de acordo com cada situação social. Esse comportamento evidencia habilidades cognitivas avançadas, capacidade de interpretar o ambiente e elevada coordenação entre os membros do grupo.

Os resultados ampliam o conhecimento sobre a vida social das hienas-malhadas e reforçam que a comunicação animal pode apresentar níveis de sofisticação muito superiores aos tradicionalmente atribuídos a esses predadores africanos.

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