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Em novo livro, epidemiologista explica como a poluição se tornou uma ameaça à sobrevivência da espécie humana

 Imagem de Charles Deluvio em Unsplash

De acordo com o livro Count Down, recém-lançado pela renomada epidemiologista e cientista ambiental Dra. Shanna Swan, produtos químicos industriais responsáveis pelos altos níveis de poluição em todo o mundo estão alterando o desenvolvimento reprodutivo dos humanos e ameaçando o futuro de nossa espécie.

Na obra, Swan explica como a poluição contribui para elevar cada vez mais as taxas de disfunção erétil, o declínio da fertilidade e o número de bebês que nascem com pênis pequenos. Embora, à primeira vista, o assunto possa parecer engraçado, a pesquisa esboça um retrato sombrio da longevidade e da capacidade de sobrevivência da humanidade.

“Em algumas partes do mundo, jovens na faixa etária dos vinte e poucos anos são, hoje, menos férteis do que a sua avó era aos 35”, relata Swan, chamando a situação de “crise existencial global”. “Os produtos químicos em nosso ambiente e as práticas de estilo de vida pouco saudáveis ​​do mundo contemporâneo estão perturbando nosso equilíbrio hormonal, causando vários graus de destruição reprodutiva”, acrescenta.

Segundo a pesquisadora, os humanos atendem a três dos cinco critérios possíveis usados ​​para definir se uma espécie está ou não ameaçada de extinção. “Apenas um desses critérios precisa ser atendido”, descreve Swan, “e o atual estado de coisas para os humanos atende a pelo menos três”. Ela ainda destaca: “Os bebês já chegam ao mundo contaminados com produtos químicos por causa das substâncias que absorvem no útero”.

De acordo com Swan, o problema tem sido causado sobretudo pelos ftalatos, produtos químicos usados ​​na fabricação de plásticos, que podem afetar a forma como o hormônio endócrino é produzido.

Os ftalatos são amplamente aplicados na indústria porque ajudam a aumentar a flexibilidade de uma substância. Encontrados em brinquedos, embalagens de alimentos, detergentes, cosméticos e muitos outros produtos, eles estão, conforme afirma a pesquisadora, prejudicando radicalmente o desenvolvimento humano.

Grande parte da pesquisa recente desenvolvida pela Dra. Swan se concentrou nos efeitos dos ftalatos, inicialmente observando a síndrome do ftalato em ratos. Em 2000, entretanto, houve um avanço na área e tornou-se possível medir baixas doses de ftalatos em humanos.

Desde então, Swan tem elaborado artigos que investigam como esses produtos químicos podem passar dos pais para os filhos, qual seu impacto no desejo sexual feminino e, agora, de que maneira eles interferem no comprimento do pênis.

Um de seus estudos mais conhecidos examinou a interseção entre a contagem de espermatozoides e a poluição em 2017, em uma pesquisa inovadora que analisou a fertilidade masculina nas últimas quatro décadas. Após analisar 185 estudos envolvendo quase 45 mil homens saudáveis, Dra. Swan e sua equipe concluíram que a contagem de espermatozoides entre os homens nos países ocidentais caiu 59% entre 1973 e 2011.

Entretanto, nem tudo se resume a más notícias. Desde a criação da Agência Europeia do Ambiente, os cidadãos europeus estão expostos a 41% menos poluição por partículas do que há duas décadas, de acordo com o jornal EuroNews.

As novas regulamentações parecem ter oferecido aos europeus, em média, nove meses de expectativa de vida a mais. Portanto, se as medidas de redução da poluição forem implementadas de maneira adequada, ainda há esperança para o futuro e a sobrevivência da humanidade.

Shanna H. Swan, Ph.D., é uma das líderes mundiais em epidemiologistas ambientais e reprodutivas. Ela é professora de Medicina Ambiental e Saúde Pública na da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai, na cidade de Nova York, onde também é membra do Centro Transdisciplinar de Exposições Ambientais Precoces e do Instituto de Saúde e Desenvolvimento Infantil Mindich.


Fontes: Shanna Swan e Euronews


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