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No coração do país, o Cerrado brasileiro desempenha um papel importante para a biodiversidade e manutenção dos recursos naturais, especialmente recursos hídricos, sendo vital para a produção agropecuária do país.

Por WWF-Brasil O Grupo de Trabalho de Reabilitação de Áreas Degradadas no Cerrado (GTPastagens) realizou três estudos que mostram ser possível intensificar e escalonar a reabilitação das pastagens degradadas no Cerrado, melhorar seu rendimento econômico e diminuir o impacto da produção, ao mesmo tempo em que reduz a pressão por novos desmatamentos.

O estudo “Qualidade e aptidão agrícola das áreas de pastagens no bioma Cerrado”, produzido pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás (LAPIG-UFG), em parceria com o WWF-Brasil, teve o propósito de mapear a qualidade das pastagens no Cerrado na última década e identificar aquelas áreas que são improdutivas (ou pouco produtivas) e que têm potencial para um uso mais eficiente. 

O estudo mostrou que entre as áreas com algum nível de degradação, 7,7 milhões de hectares apresentam potencial agrícola e não possuem restrições para o cultivo de grãos, sendo áreas de interesse para reabilitação de produtividade.

Segundo Pró-Reitor da Universidade Federal de Goiás, Laerte Guimarães Ferreira, “o potencial da utilização dessas áreas é importante, pois são soluções necessárias para o Cerrado que podem reduzir significativamente o desmatamento, ao otimizar o uso de áreas já abertas e disponíveis”.

Para a Analista de Conservação do WWF-Brasil, Laís Ernesto Cunha, o estudo apresenta uma análise que aponta um cenário de possibilidades. “Identificar essas áreas é um grande passo. Reabilitar pastagens degradadas no Cerrado pode beneficiar diversos setores e trazer oportunidades financeiras e ambientais, entre elas o aumento do potencial produtivo das terras, sequestro de carbono e a proteção dos solos”, explica a analista.

A publicação “Recuperação de áreas degradadas e reabilitação do solo no Cerrado brasileiro”, realizada pela Agroicone com apoio do WWF-Brasil, mostrou quais são os desafios sobre o tema no Cerrado e de que modo eles podem ser superados, considerando tanto análises territoriais quanto econômico-financeiras.
A pesquisa abordou o potencial das cadeias produtivas da soja, carne, leite e florestas plantadas para recuperar áreas degradadas. Os resultados mostraram, por exemplo, que no Cerrado há 5,6 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial econômico hoje para intensificação da pecuária de corte, 4,3 milhões de hectares para a pecuária de leite, e 5 milhões de hectares para a soja.

Para a sócia-gerente da Agroicone e coordenadora do estudo, Leila Harfuch, para que os produtores rurais implementem práticas sustentáveis como por exemplo a recuperação de pastagens e a integração lavoura-pecuária-floresta, ações de apoio e incentivo podem ser feitas.

“É necessário o engajamento entre diversos atores do setor público e privado, com foco em implementar ações e instrumentos de fomento integrados, como disseminar práticas e tecnologias adaptadas às realidades regionais do Cerrado, reduzir insegurança jurídica (ambiental e fundiária), integrar as demandas de diferentes indústrias do agro, fomentar assistência técnica e mecanismos financeiros condizentes com as necessidades dos diferentes perfis de produtores”, comenta Harfuch.

Ainda na busca de mais conhecimento e suporte para implementação de soluções produtivas para o Cerrado, a publicação “Potencial de captura de carbono no solo a partir da reabilitação de pastagens degradadas no Cerrado” realizada pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) em parceria com o WWF-Brasil, destaca para o produtor rural brasileiro como obter dados relativos ao estoque de carbono do solo, incluindo os custos envolvidos.

Segundo o estudo é uma oportunidade para empresas interessadas em adquirir créditos de carbono (também conhecidos como RCE, redução certificada de emissões) para mitigar o impacto ambiental.
“Estamos falando, portanto, de novas oportunidades de negócios, com geração de valor, sequestro de carbono e impacto positivo na sociedade”, afirma a Coordenadora de Projetos da Iniciativa Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora, Renata Fragoso.