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Divulgada em caráter preliminar, pesquisa refez o caminho de pessoas contaminadas pelo coronavírus e aponta interferência da circulação de ar

Imagem: K8 on Unsplash

Um estudo chinês analisou três famílias que frequentaram um restaurante com ar-condicionado na cidade de Guangzhou, na China, no dia 24 de janeiro de 2020. Nos dias seguintes, 10 pessoas apresentaram sintomas da Covid-19 e os resultados preliminares indicam que a direção do fluxo de ar é consistente com a transmissão de gotículas do vírus. A pesquisa ainda está em desenvolvimento e deve ser concluída em julho.

Realizado por pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Guangzhou, na China, o estudo recomenda que restaurantes aumentem a distância entre as mesas e melhorem a ventilação. As conclusões preliminares, ainda não revisadas pela comunidade científica, foram publicadas em caráter de divulgação no periódico Emerging Infectious Diseases, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Entre os dias 24 de janeiro e 10 de fevereiro de 2020, a Covid afetou 10 pessoas de três famílias não relacionadas que jantavam em mesas próximas em um restaurante. Ao analisar os casos, os pesquisadores conseguiram identificar o paciente zero do grupo: uma pessoa que tinha chegado de Wuhan no dia 23 de janeiro e jantou com sua família (chamada na família A no estudo) no dia 24. Segundo a pesquisa, a única fonte de exposição conhecida para as pessoas das outras famílias (B e C) foi o paciente zero (chamado de A1).

Esse paciente apresentou sintomas no mesmo dia em que esteve no restaurante. No dia 5 de fevereiro, outras nove pessoas da família A ou que se sentaram em mesas próximas estavam com a doença. A análise indica que o vírus foi transmitido para pelo menos um membro das famílias B e C no restaurante, se espalhando depois dentro dessas famílias.

O estudo traz um esboço do arranjo de mesas do restaurante para facilitar a compreensão dos casos e o trajeto do fluxo de ar:

Fluxo do ar condicionado
Imagem: CDC/Divulgação

O restaurante em questão funciona em um edifício de 5 andares sem janelas, com um sistema de ar-condicionado por andar. O terceiro andar, onde as famílias jantaram, tem 145 m2 e cada mesa estava a cerca de um metro de distância. As famílias A e B permaneceram no local ao mesmo tempo por 53 minutos, enquanto as famílias A e C passaram 73 minutos por ali simultaneamente.

Naquele 24 de janeiro, um total de 91 pessoas (83 clientes e 8 funcionários) estavam no restaurante. Destes, 83 almoçaram em 15 mesas no terceiro andar. Entre os 83 clientes, 10 ficaram doentes com a Covid-19 – os outros 73 foram identificados como contatos próximos e colocados em quarentena por 14 dias, sem desenvolver sintomas.

Nessa caso, segundo os pesquisadores, apenas a propagação de gotículas não é suficiente para explicar a transmissão do vírus, já que elas permanecem no ar por pouco tempo e viajam apenas pequenas distâncias, de menos de um metro. O fluxo forte do ar-condicionado pode ter contribuído para espalhar partículas virais do paciente A1 para as famílias B e C.

A análise indica que o aerossol do ar-condicionado pode ter permitido que o vírus permanecesse no ar, percorrendo distâncias maiores. Os aerossóis, segundo os autores, tendem a seguir o fluxo de ar, e as concentrações mais baixas de aerossóis a distâncias maiores podem ter sido insuficientes para causar infecção em outras partes do restaurante.

Os autores reconhecem as limitações do estudo, que deve ter sua conclusão publicada em junho. Os resultados preliminares indicam que a transmissão nesse caso foi motivada pela ventilação com ar-condicionado, tendo a direção do fluxo de ar como fator chave para a infecção.

Por isso, os pesquisadores sugerem que restaurantes reforcem o controle de temperatura de seus frequentadores, aumentem a distância entre as mesas e melhorem a ventilação.



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