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Segundo Arthur de Lima, peixes betta e kinguios, também conhecidos como peixinhos-dourados, dependem de estímulos visuais para reconhecer o ambiente, o que é dificultado pelo formato redondo do recipiente

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Por Mariana Carneiro em Jornal da USP

A empresa francesa AgroBiothers Laboratoire, líder no mercado de produtos para animais naquele país, suspendeu a venda de aquários redondos e pouco volumosos. De acordo com a companhia, esses recipientes diminuem a expectativa de vida dos peixes e interferem em seu bem-estar.

Embora a França não tenha uma legislação específica sobre o assunto, as vendas desse tipo de aquário já são proibidas em outros países europeus, como a Alemanha. O pesquisador de ictiologia no Museu de Zoologia da USP, Arthur de Lima, explica que “o aquário redondo não é um ambiente completamente inóspito, mas geralmente são aquaristas mais experientes que se aventuram nesse tipo de vidro”.

Segundo Lima, a proibição se dá pelo fato de que as espécies mais comuns de peixes ornamentais não se adaptam a espaços pequenos. Peixes betta e kinguios, também conhecidos como peixinhos-dourados, possuem demandas altas de litragem em seus aquários e dependem de estímulos visuais para reconhecer o ambiente, o que é dificultado pelo formato redondo do recipiente. “Para peixes que são muito visuais, quando eles veem, por exemplo, uma pessoa se aproximando, a imagem é distorcida [pelo aquário] e causa a impressão de que é uma coisa muito maior e que está muito mais perto. Isso pode submeter o peixe a uma situação de estresse recorrente”, diz. 

Outro obstáculo para o conforto do peixe é a grande exposição à atmosfera, que prejudica a oxigenação do aquário e sujeita o animal à poluição e contato com crianças ou adultos que podem colocar a mão. “O próprio peixe, se sentindo estressado, pode vir a pular”, completa o pesquisador.

Responsabilidade e pesquisa

O aquarismo é uma atividade que demanda responsabilidade, e a decisão de comprar um peixe deve envolver o mesmo nível de pesquisa e dedicação do que qualquer outro animal de estimação. “O primeiro passo antes de colocar o peixe em casa é conferir se o espaço está adequado. Se, por exemplo, você mora em um apartamento e quer montar um aquário grande, você tem que entender se ele tem estrutura para poder aguentar o peso da água. Se você quiser colocar o aquário dentro do seu quarto, você precisa ver quanta luminosidade e fluxo de ar ele está recebendo”. Lima destaca que tais medidas são importantes para, inclusive, evitar acidentes e a quebra do aquário. “O nível de comprometimento deve ser o máximo que você puder ter sem interferir na sua rotina.”

Para aquaristas iniciantes, o pesquisador recomenda começar por aquários de médio porte, com litragem entre 40 e 50. Conhecer o pH da água da sua cidade ou bairro também será importante, uma vez que ele afeta diretamente os processos fisiológicos dos peixes: algumas espécies se adaptam melhor a águas ácidas, e outras, a cristalinas.

Além disso, o aquário deve ser equipado com filtros, termostatos, termômetros e alguns reagentes químicos para regulação e acompanhamento do pH. “Eu, particularmente, gosto de comprar um medidor de amônia também. Peixes são animais que excretam a substância, que é altamente tóxica e se acumula na água. Por isso, de tempos em tempos, dependendo da litragem do seu aquário e da vazão do seu filtro, você precisa realizar uma troca parcial da água”, finaliza Lima.