Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

O professor Pedro Luiz Côrtes enfatiza que o que Biden manifestou sobre preservação da Amazônia, sobre as questões ambientais e mudanças climáticas, não era figura de retórica ou estratégia de campanha

Imagem de Hans Bijstra por Pixabay

O presidente dos EUA, Joe Biden, recebeu um dossiê que pede o congelamento de acordos, negociações e alianças políticas com o Brasil. O texto foi endossado por mais de cem acadêmicos de grandes universidades, como Harvard e Columbia; além de organizações de direitos civis.

Todos consideram que o governo não deve buscar acordo de livre comércio com o Brasil, já que seria uma forma de legitimar o governo Bolsonaro e o descaso com as questões ambientais. Qual será o posicionamento do governo Biden? O professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes da USP e integrante do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, comenta essa nova questão em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

O que se percebe é que há um forte engajamento por parte do governo Biden com os compromissos ambientais firmados durante a campanha. “Aquilo que o Biden manifestou sobre preservação da Amazônia, sobre as questões ambientais e mudanças climáticas não era figura de retórica ou estratégia de campanha”, afirma o professor.

A importância do dossiê consiste no fato de que quem o apresentou ao governo foi o diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional, Juan Gonzalez. Gonzalez se mostra bastante crítico a Bolsonaro e chegou a dizer em um de seus pronunciamentos que “qualquer pessoa, no Brasil ou em qualquer outro lugar, que pensa que pode promover um relacionamento ambicioso com os Estados Unidos enquanto ignora questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos, claramente não ouviu Joe Biden durante a campanha”.

O dossiê, então, solicita que Biden restrinja as importações de madeira, soja e carne do Brasil e que se prove que as importações não estão vinculadas ao desmatamento ou abusos dos direitos humanos. Segundo Cortês, isso cria um problema muito grande para o agronegócio organizado por conta do que ocorre na Amazônia, já que é confirmado que o Brasil não precisa da produção que acontece em território amazonense para exportação.

Ainda há tempo para uma mudança de postura do governo brasileiro, pois Joe Biden só assumirá o cargo daqui a dois meses. “Nesses dois meses, Bolsonaro pode mudar sua política ambiental, demonstrar efetivamente que ele pretende fazer o básico, que é cumprir as leis que foram aprovadas pelo Congresso ao longo de várias décadas”, afirma o professor.

Já deveria existir fiscalização e um projeto de conservação ambiental e combate às queimadas, em especial, considerando a situação de seca do Pantanal. Pedro Luiz Cortês lembra também que o modelo de desmatamento da Amazônia tem se estendido por 50 anos. O desmatamento intensivo começa, no início dos anos 70, com a construção da Transamazônica e não é possível sequer apresentar uma justificativa econômica para o problema, uma vez que, desde então, o PIB cresceu muito pouco e as desigualdades não foram reduzidas. “O que a gente tem ao longo desses 50 anos é um agravamento da situação de pobreza, desigualdade social, violência no campo”, finaliza.


Fonte: Jornal da USP


Veja também: