Tráfico de animais silvestres: saiba por que e como combater

eCycle

Prática contribui para a extinção de espécies e pode causar desequilíbrios


O tráfico de animais silvestres é a terceira maior atividade ilegal do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. Essa prática traz um grande risco à biodiversidade, além dos maus tratos impostos aos bichos pelos traficantes. Os animais são armazenados em gaiolas compartilhadas, sem espaço para locomoção e, muitas vezes, acabam ficando desnutridos.

Além disso, ao retirá-los direto da natureza, os traficantes contribuem para diminuir a população da espécie, pois esses animais não estarão mais em seu habitat natural para a reprodução. A ararinha-azul (foto acima) é um animal que foi extinto na natureza principalmente devido ao tráfico. Hoje, ela só existe em cativeiro.

Se você quiser cuidar de um animal diferente, procure locais de venda certificados. Esses animais são criados especialmente para a venda: já nascem em cativeiro, sendo acostumados com essa condição pela vida toda e, por isso, não sofrem - ao contrário do que muita gente pensa. Sendo essa a única vida que eles conhecem, a condição de cativeiro é a ideal, já que, na natureza, dificilmente conseguiriam sobreviver.

Cuidados com seu animal

Procure também um médico veterinário especializado em silvestres para obter orientações sobre como criar o animal, principalmente com relação à alimentação. É aí que os proprietários mais erram pois, com o passar do tempo, criam-se costumes com alimentos que, apesar de baratos, são prejudiciais. Por exemplo: as sementes de girassol e de milho muitas vezes são a única alimentação dada para as aves, mas, na verdade, são como os doces para a gente: uma guloseima, mas com valor nutricional inadequado e, em excesso, fazem o animal engordar e adoecer.

Os criadores comerciais de animais silvestres devem garantir ao cliente um animal de estimação dócil e acostumado com humanos; saudável; registrado com microchip, anilha ou qualquer que seja o método preconizado para a espécie; e dentro da lei, por isso exija nota fiscal. O comprador deve guardá-la para comprovar que seu animal está legalizado.

Manter em casa um animal silvestre que não tem nota fiscal é crime

Você pode encontrar serpentes, por exemplo, no Jiboias Brasil, que é um criadouro regulamentado. Veja outros locais e animais autorizadosaquiaqui ou pesquise outros postos de venda. Mas lembre-se sempre de verificar o registro deles no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA).

Prudência com a natureza

Se você tem um animal que veio do tráfico, não existe possibilidade de legalizá-lo. Leve-o a um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), onde ele receberá cuidados médicos e poderá ser reabilitado para a vida na natureza. Isso demanda conhecimento profissional e muito tempo, por isso, não tente fazer por conta própria. Jamais solte-o na natureza, pois este animal já é dependente dos seus cuidados, mas se sobreviver na vida selvagem, pode causar um desequilíbrio na fauna, pois terá que competir por comida e território, muitas vezes fora de seu habitat natural.

Um exemplo é o sagui de tufo branco. Ele é típico do Cerrado nordestino, mas foi introduzido na Mata Atlântica do sudeste por pessoas que tinham esses saguis como animais de estimação e os abandonaram em lugares inadequados, sem se informar se estavam fazendo a coisa certa. No novo ambiente, o sagui de tufo branco encontrou seu primo, o sagui de tufo preto, e o dominou, causando desequilíbrio para a espécie.

Se você encontrar um animal silvestre perdido perto da sua casa, leve-o a um CETAS em sua cidade ou proximidade. Mas não o devolva à natureza, pois como já está com o cheiro da sua casa e das suas mãos, ele pode ser rejeitado pelo bando. Se achar que é um animal perigoso, chame o corpo de bombeiros.

É importante saber também que o tráfico não se refere só ao animais vivos. Partes deles, como penas, pele e até mesmo a carne são vendidas ilegalmente. A venda de penas e pele sob qualquer circunstância é proibida. Os índios podem usar por questão cultural, mas não podem vender. Comprar artefatos indígenas feitos com material derivado de animais estimula a caça e ela pode deixar de ser sustentável, como é descrita nesta matéria.

Quanto à carne, procure sempre o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para ter certeza que a origem deste produto não infringe leis e não é da caça predatória.

Lembre-se: você pode até pagar mais barato por um animal não certificado, mas este animal e a espécie dele pagarão um preço muito mais alto. Denuncie traficantes pelo telefone 0800-61-80 ou pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. (Linha Verde do Ibama).

Veja também:
-Pousadas sustentáveis são opções de descanso e envolvimento com o meio ambiente
-Reservas naturais: o modo como a fauna e a flora brasileiras são preservadas
-ONU inicia Década da Biodiversidade
-Ecoturismo: reservas naturais abrigam verdadeiros paraísos nacionais
-Mata Atlântica é tema de jogo educativo para Facebook
-Conheça e tire suas dúvidas sobre a filosofia vegana


 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Saiba onde descartar seus resíduos

Encontre postos de reciclagem e doação mais próximos de você

Localização Minha localização
Não sabe seu CEP?

Newsletter

Receba nosso conteúdo em seu e-mail