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Em leilão de blocos de petróleo, nenhuma empresa se interessou pelas áreas que, se exploradas, colocariam bem-estar do ecossistema de Abrolhos em risco

As baleias-jubarte são uma das muitas espécies que dependem da região de Abrolhos. Todos os anos, milhares delas vão até lá para se reproduzir. Imagem: Paul Hilton/ Greenpeace

Uma boa notícia: o Parque Nacional Marinho de Abrolhos se viu livre da ameaça do petróleo – pelo menos por enquanto. O governo federal realizou na última quinta-feira (10) um leilão de blocos para exploração de petróleo, a 16ª Rodada de Óleo e Gás. Alguns deles, se perfurados, poderiam ameaçar Abrolhos e o ecossistema local. Nenhum desses blocos teve interesse de empresas! Essa é uma ótima notícia para o meio ambiente, para as comunidades locais e para o planeta.

A sociedade civil já tinha mostrado que não aprovava essa atividade ali. Um abaixo-assinado contava com quase 1 milhão de assinaturas. E, na última quarta, o Greenpeace e outras organizações enviaram uma carta à Agência Nacional do Petróleo pedindo a retirada dos blocos desse leilão que ameaçavam áreas sensíveis.

Em um momento no qual as praias e a costa do Nordeste são inundadas e contaminadas por petróleo, em um momento no qual temos um governo com uma agenda antiambiental agressiva, de desmonte da proteção ambiental, esse mesmo governo pretende também leiloar mais de dois mil blocos de petróleo.

Vender essas áreas perto de Abrolhos era uma medida que contrariava até o Ibama, que em um parecer técnico alertou para os riscos e ameaças à mais importante área de biodiversidade marinha de todo o Atlântico Sul. É ali que se encontram os maiores recifes de corais do Brasil e onde milhares de baleias-jubarte se reproduzem todo ano.

Explorar petróleo ali ameaça não somente o meio ambiente. A região é também bastante importante do ponto de vista econômico. Dados do ICMBio indicam que a pesca nas regiões vizinhas movimenta mais de R$ 100 milhões por ano, ou 10% da receita da atividade no Brasil. Segundo o órgão, a pesca é “meio de subsistência para cerca de 20 mil pessoas na região”. Já o turismo representa 20% do PIB dos municípios da Costa das Baleias, no litoral sul da Bahia.

Temos que assegurar que o governo não oferecerá blocos de petróleo em áreas sensíveis dos pontos de vista social e ambiental. Temos que assegurar que nenhuma empresa vai arrematar esses blocos. Temos que nos libertar dos combustíveis fósseis e acelerar a transição para uma matriz energética limpa e renovável.

Segundo a carta do Greenpeace e outras organizações, não é hora de investir em petróleo. “Num momento em que o mundo todo está discutindo a urgência em se combater a emergência climática, investir em combustíveis fósseis é caminhar na contramão. E é inadmissível que o governo imponha tamanha ameaça à sociedade brasileira travestida de desenvolvimento”, diz um trecho do documento.



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